Para aqueles que se espantaram com o título da postagem:
Neste domingo, eu recebi, sob a égide da maravilhosa Marília de Amorim (mais conhecida como Mari) a honraria de ser intitulado líder do mais novo movimento musical que vai revolucionar os ouvidos da cidade do Recife: o satan-jazz!!! 
Calma! Calma! Calminha! (almas minhas). Isso nada tem a ver com música satânica ou coisa do gênero. Foi apenas uma brincadeira que se deu na madrugada do dia 16 de agosto (sábado último), em pleno Quintal do Rossi Love, Olinda.
Numa singela noite, regada a cerveja, depois de ter tocado na Calourada mais atrasada de todos os tempos (a de Arquitetura, no CAC, que iria começar às 17h e só iniciou seus trabalhos às 20h30); Depois ainda de uma passagem pelo Garagem, eis que fui parar naquele ambiente lúdico, que é o Quintal do Rossi Love (quando vejo aquelas meia-luzes “iluminando” aquele cubículo, onde pessoas dançam numa deliciosa movimentação extasiante, só me vêm um puteiro à cabeça).
Lá, observando uma parte onde há diversos vinis pregados colados nas paredes, vi uma, duas, acho que até três fotos de discos de músicos do jazz, em plena ação: tocando trompetes, num sopro tãããããão instigado, que suas bochechas inchavam de uma forma absurda (igual a essa imagem do Dizzy Gillespie).
Impressionadíssimo com aquilo, resolvi bater uma foto de mim mesmo, tentando chegar ao ápice da elasticidade muscular, inchando as bochechas que nem esses grandes músicos.
E eis que saiu esse feito aqui:
Ao ver a foto, fiquei assustado com o que vi. Mostrei a Mari, dizendo assim: “Mari. Olha só o SATANÁS!!!” Ela riu copiosamente e começamos a anunciar aos 4 ventos: “É o SATAN-JAZZ!!!”
E eis que foi a plantada a semente dessa brincadeira.
Se eu fosse dar uma definição pra isso, para o que viria a ser o Satan-Jazz, pegaria emprestadas umas expressões da própria Mari, misturaria ao momento e ao ambiente em que aquilo surgiu, às minhas próprias definições de diversão, prazer, e lembraria até de Raul Seixas, com sua Sociedade Alternativa e quando dizia que o “diabo é o pai do rock”.
Na realidade, o diabo (o anjo mais lindo que Deus haveria criado) é o pai de todas as coisas carnais, de todos os prazeres mundanos, anti-celestiais, da bebida, do sexo, do delicioso caos que há no rodar, rodar, rodar e deixar-se cair nas graças da despretensão de ser feliz. Ele também é natureza, no sentido de que, sem hipocrisia alguma em dizer isso, ele está presente em quase tudo que nós, seres humanos, desejamos fazer e sentir mas que a Igreja nos recrimina. Ele seria uma outra face da moeda na qual, do outro lado, encontramos Deus e toda a culpa cristã, edificada em nossos corações e mentes através das instituições religiosas. A outra face da MESMA moeda.
Portanto, o diabo é o pai do rock, é o pai do jazz, é o pai da libido, da diversão, do prazer, da carne, e, junto a Deus (seu irmão gêmeo – ou o seu Pai compreensivo e libertador) é o pai da criação, do estímulo à criação em momentos como esses, onde a bebida impera e a felicidade em encontrar pessoas bacanas se faz presente e verdadeira.
Aqui, nada de apologia ao satanismo. Mas à liberdade da vida, da criação, do jazz, do amor e do prazer, e também da brincadeira.
.
Mostrando um poema meu à mocinha Priscila (que conheci em Garanhuns, e que vim rever, bem rapidamente, também no dia tal Calourada), perguntei o que ela achava. Entre outras coisas, ela me disse:
Prisci. diz (00:19):
hummm
Prisci. diz (00:20):
parecia o marquês de sade. me lembrei dele.
Depois, ela complementa:
Prisci. diz (00:21):
mas foi a primeira coisa que veio na cabeça, depois o lindo do johnny depp.
Prisci. diz (00:21):
HAHAHAHAH
Prisci. diz (00:21):
Tbm não sei pq.
Vou escrever um poema em homenagem a Johnny Depp, ao estilo dos contos do Marquês de Sade. Crueldade libidinosa, hein? Será que meu poema é tão belo, porém, não tão puro? Ou será que dentro do escrevo essa coisa da beleza caminha equiparada à dor que o prazer também pode provocar?
São esses estímulos à libido feminina, cada qual ao seu modo, Marquês de Sade e/ou Johnny Depp.
Viva a poesia de Vila Nova!!!
E tenho dito (modesto, né?)
=P
19 agosto 2008
o sádico e satânico jazz do marquês johnny depp
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30 julho 2008
amo
É isso. Às 3h57 começando a escrever isso, completamente cheio de Martini circulando pelos vasos sangüíneos. Hoje, me permito escrever ébrio, sem os filtros habituais dos sóbrios, que aniquilam tantos versos, tantas poesias, tantas cores, tantos amores, tanto do tudo que nos coloca paixões nas veias. Hoje, eu preciso de poesia, de lágrimas, de risos escandalosos também, me mostrando que há pulsão suficiente pra eu me sentir vivo, tão mais vivo do que já me senti.
E por me permitir essa vida, me permito também dizer o que dela me vem naturalmente, sem me cercear, na beleza do que ouço agora (Depende, cantada por Amelinha e Fagner), na pureza das coisas que sinto, das coisas que desejo que repousem sobre mim.
Sabores dos mais deliciosamente apaixonantes. Eu me sinto exalando a tão interminável profundidade de ser/ter felicidade esborrando pelos poros. Eu tenho meus amigos, meus queridos amigos. Minha música, que também são eles e deles. As pessoas que estão por aqui me soam como música. Essas pessoas são música. E músicas. E singulares/plurais percepções do tudo à minha volta.
Nos últimos dias, mais do que nunca, desfrutei de uma intensidade nunca antes degustada. É na medida dessa intensidade (ou além dela) que as coisas se colocavam; e mais vida se pretendia. E, no final das contas, mais corpo, alma, coração e vigor se exigia. E isso, no final das contas, exige muito do físico de um ser humano. Só que, dentro desse contexto, dessa vivência única, a alma, em si, recebe um upgrade formidável. E sabe por quê? Porque ela recebe estímulos a todos os momentos. As artes te cercam por todos os lados. As emoções te remexem a todos os momentos. As paixões (efêmeras, por certo; ou até aquelas mais cheias de durabilidade) são uma constante. Essas são as motivações mais belas (e ao mesmo tempo ambíguas) que se podem ter nesses dias vividos dentro de uma outra esfera de realidade, dentro de um outro contexto, onde tudo está exacerbado. E é nessa realidade (tão fulgaz, mas intensamente verdadeira) que a vida cobre-se de tão instigante lidar, de tão instigante ser/perceber/sentir, e que qualquer coisa que se faça nesse ínterim (seja o mais sublime gesto de carinho até a mais idiota atitude louca e bêbada) vale a pena.
Amo.
Amo do maior tamanho das pequenas coisas. E da maior de todas elas também. Mas me instigo em falar muito mais sobre a intensidade dessas pequenas coisas. Sabe por quê? Pois elas, aparentemente, nos dão uma conotação de muito simplismo, quando, na realidade, mesmo sendo pequeninas, estão cheias de sua mais essencial totalidade.. isso, quando digo que amo do amor do maior tamanho delas. A totalidade está aí, muito além da superfície das coisas que são apenas resquícios. E eu continuo sem ter medo de coisa alguma. Amo na totalidade sempre. Sejam as coisas pequeninas, simples. E sejam elas mesmas as mais grandiosas. O que importa é viver no cerne do afeto. Do mais puro amor.
Hoje, eu quero falar sobre tudo isso, sobre os amores, sobre a delícia de se viver.
E eu digo: tenho muito mais paixão pela forma poética como podemos enxergar, perceber e conduzir a vida. Ela só vale a pena se formo, repito, no cerne do que dela podemos sugar ao máximo, sem dó nem piedade. Até porque o que encontramos quando mergulhamos nela desaforadamente somos nós mesmos, despidos de qualquer amarra, unicamente embebidos em suor e suavidade.
Tenhamos em nossas vidas objetivos a serem alcançados. Mais exatamente aqueles que nunca conseguiremos alcançar; pelos quais travaremos uma luta cega, apaixonada. Pois esses objetivos nos levarão, sem que percebamos, a lugares muito mais íntimos e amplos do que poderíamos chegar a imaginar sobre nós mesmos.Esses caminhos inatingíveis nos dão cada vez mais força a ir além. E eu quero colocar toda a minha força de existência, todo o meu amor e minha vida no caminho dessa busca. Estarei eu lá, mergulhado, voltando ao início de tudo o que disse: sendo mais do que a vida me permite ser.
Entendem?
Lembro-me de Jomard agora: não digam “amém, amém, amém”. [...] digam “AMEM, AMEM, AMEM”
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leonardo vila nova
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29 junho 2008
a voz do morro
Nacionalmente, Recife é conhecida como terra do frevo, maracatu, movimento mangue, etc. Mas a diversidade cultural da cidade vai muito mais além do que se pode imaginar E eis que Recife, celeiro incansável de novidades musicais, surge com mais uma das suas. Porém, uma novidade das mais insólitas e curiosas: João do Morro.
João do Morro é morador do Morro da Conceição (Casa Amarela), comunidade da Zona Norte do Recife, cuja população possui menor poder aquisitivo. E lá, como qualquer comunidade mais pobre dessa cidade, se convive de forma harmoniosa com manifestações culturais mais tradicionais como o já citado maracatu, a capoeira, o candomblé, como também expressões mais “popularescas”, como o pagode, o funk e o brega, que faz parte, indubitavelmente, do condicionamento cultural construído pela cultura pop, edificada pela TV e rádios FM. João do Morro faz parte dessa parcela da comunidade. Mas ele (felizmente ou não) não é apenas isso.
João, além de ser a expressão mais fiel do que é chamado de “mundiça” (gíria nordestina, ou, pelo menos, pernambucana, que quer dizer “ralé”, “povão”), é também um verdadeiro cronista da “fuleiragem” da periferia recifense.
Em suas músicas (em geral, pagodes e suingueiras), ele faz um apanhado geral (de forma engraçada, debochada e escrachada) de todos os tipos característicos dos morros, comunidades e favelas da cidade. Nada escapa aos versos ferinos, irreverentes e bem humorados de João do Morro; personagens e situações não faltam às suas crônicas cotidianas: o gigolô (de coroa, de sapatão), as ligações de 3 segundos em celular (de quem é “liso”), o “papa-frango” (outra espécie de gigolô, dessa vez, bancado por um gay), o loló (espécie de entorpecente bem baratinho, bastante popular em Recife), as moças que fogem da chuva pra não verem desmanchadas suas escovas progressivas e outros artifícios utilizados pra manter os cabelos mais comportados, entre outros “causos”.
A música de João do Morro tem a cara e o cheiro do seu povo: um pagode num sábado à tarde, regado a cerveja nem tão gelada, um espetinho (de carne, frango, coração ou frango com bacon), ou um churrasco, com farofa e vinagrete, no pratinho descartável, gente suada, mulheres de shortinhos minúsculos, sambando enlouquecidamente, clima de libido, escrotice e gréia. Os ingredientes certos pra traduzir o que simboliza a sua música.
Pelo fato de ser do morro e fazer uma música que escancara, sem papas na língua, a vida no próprio morro, o seu povo, seus costumes mais arraigados, João utiliza gírias típicas do povão, de quem e pra quem fala diretamente. Expressões como “frango”, “boyzinho”, “nêga boa”, “caô”, “casa de furança”, além de palavras de baixo calão (típicas do vocabulário da “mundiça”), fazem parte da poética de João de Morro. Uma poética que pode parecer chula, sem classe, agressiva, mas que, na realidade, é autêntica, sem recalques e que retrata o cotidiano nu e cru das comunidades, de forma divertidíssima.
Outro fato interessante é que João do Morro, mesmo sendo um representante vivo da chamada “fuleiragem”, desse lado mais escroto da nossa sociedade, um lado que é tido como ignorante, sem instrução (e, de fato, socialmente, o é), mesmo assim, ele não perdeu de vista a forma mais rápida e eficaz de fazer com que seu som pudesse alcançar o maior número de pessoas possível: a internet. João do Morro já gravou dois discos, mas é pela internet que ele consegue, de fato, disseminar seu trabalho. Dia após dia, registros de seus shows são disponibilizados no mundo virtual, seja no YouTube, no MySpace, ou através de outros meios. Sinal óbvio de que ele não perde tempo e não está pra brincadeira. Ele é muitíssimo consciente e antenado com as benesses que a tecnologia pode propiciar, e as utiliza a seu favor. E foi através da rede que ele conseguiu fazer uma ponte entre os morros, as comunidades mais pobres, sua cultura e o universo “alternativo”, mais “bem provido” (intelectualmente, financeiramente) da nossa cidade. Até mesmo um público que, a princípio, o rejeitaria, tem prestado atenção à sua música. Tanto é que sites especializados em música pop e independente (Recife Rock e Revista O Grito) já escreveram sobre ele.
Dando sinais do quanto é pop, no MySpace de João do Morro (em cuja descrição de estilo diz “Alternativa/Glamourosa/Experimental”), pode se encontrar seus vários amigos “improváveis”, como, por exemplo, outro fenômeno da música pop, mas de outra vertente: Mallu Magalhães.
É por essas e outras que João do Morro tem conseguido dar o que falar, seja nos seus shows (onde seus discos são vendidos a “5 reau”), nas favelas, nos carros de som que vendem discos piratas, na internet, nas conversas entre o público alternativo. Diferentemente do discurso dos pagodeiros de até então, João do Morro constrói o seu, intencionalmente ou não, em cima de uma visão quase que antropológica, empírica, do seu povo, do seu cotidiano. Sem firulas, direto, engraçado, escroto. Assim como o povo brasileiro.
Pra quem quiser curtir o som de João do Morro, é só ir lá no blog Som Barato e baixar um ensaio, em duas partes, além de um de seus shows, gravado no Espaço Aberto. Inclusive, esse mesmo texto acima também foi publicado lá, na íntegra.
Eis o link: http://sombarato.blogspot.com/2008/06/joo-do-morro.html
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leonardo vila nova
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Marcadores: João do Morro, Morro da Conceição, periferia
12 junho 2008
sinais
silêncio molda idéias
e retoma, da absoluta abstinência
de inspirações,
o instante mais perfeito,
que se anuncia quando
pessoas se calam
e o sentimentos se espalham,
para cristalizar-se no ar
ao nosso redor,
e redescobrir o que nossos gestos
nunca ousaram tocar,
através de uma ressurreição de palavras
que, delirantes, renascem e se recombinam
em meus genes claros
e inquietos,
atravessam meus poros
e purificam minha mente
minh’alma
benfazeja,
fazedora de haikais
a verter-se em si
dos setenta e sete buracos da consciência.
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leonardo vila nova
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Marcadores: inspiração, palavras, poesia
19 maio 2008
a estrutura da poesia descosturada
em que se insere o acaso?
no ritmo e no afinco da teoria do duro trabalho?
ou na escrita espontânea da livre poesia?
e, assim, os mitos dessa escrita sem inspiração, tão somente mera e mecânica caligrafia,
resistem em sua incólume nobreza,
à pobre e nefasta disritmia dos signos,
da livre ortografia
& da possível, quem diria, não tão bem forjada poesia.
a arte se dilui em sua pouca assimilação,
intacta,
indagada e proferida sem ritos ou profanações;
o imperceptível não possui formato,
e, achado entre escombros, permite-se desmembrar
em cada pensamento e movimento.
; à sua divisão desarticulada
, em que o limitador da palavra se sobrepõe aos seus próprios quereres,
e monta vertigens isoladamente convencionais,
a carta indefinível,
a gráfica inatingível.
o perfeito recurso de persuasão
soma-se à cotidiana simbologia,
adquire a coesão das literárias partituras
e abrevia o tom da rebeldia;
nenhuma renúncia, porém,
& vanguardas incorporam-se à tipografia lenta e mordaz,
comunica-se fragmentariamente e condensa-se ao pôr-do-sol;
substantivada, a fibra se desestabiliza,
interpolada visualmente em suas regentes vanguardas,
capta o discurso lingüístico expandido
e inventa sem explicar.
redigida sem conversão
o novíssimo, menor que é, lhe intui ao prefácio
entreposta, esquartejada sobre suas próprias escalas;
decidir-se pela veemência lhe cansa as vistas
como se a razão do fingir/deglutir fizesse dela menos bela
e, da primeira à última letra, suas rimas se engolem e desvirtuam,
convertidas em suposições obstinadas, porém, sem cifras lógicas;
o diálogo é tão breve que a textura se esconde em seus próprios meandros;
& as entrelinhas, contanto, fazem parte do organismo da poesia
e, pedantemente, são grafadas de inútil forma por serem daninhas
e contaminar todas as letras, sem misericórdia, e sintetizá-las em sua própria língua
[o hábito: dissolução da provável matéria e subversão do seu próprio verbete, sem que as geometrias proverbiais se mostrem inconclusas, dando ao rodapé da última página o gosto e o deleite do iniciar a leitura sem nenhum dano óptico ou espiritual] provocar a estação, onde o abandono ascende à presença da vida e flui sem amarras;
coordenar o som das palavras e juntá-las, sem qualquer harmonia,
a textualização dos pormenores e a inserção dos olhos dos outros ao rever as condutas e etiquetas,
onde se possa constatar que a estrutura da poesia descosturada
é digitar dentro/fora de si próprio
o que as próprias palavras nunca saberão dizer.
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leonardo vila nova
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Marcadores: leitura, metalinguagem, poesia
19 março 2008
o pecado antes da reza
Meus queridos,
eis que amanhã (quinta, 20/03), véspera do feriado de Semana Santa, vai rolar uma festa bacana, pra quem tiver afim de curtir um bom som..
O Pecado Antes da Reza. Esse será o show de estréia da Ínsula, que há quase 1 ano vem se reunindo, tendo idéias, costurando sons, colocando amor e energias em suas canções, para, enfim, apresentar seu repertório ao público. Repertório que inclui músicas próprias e releituras de artistas como Beatles, The Doors, Moreira da Silva, Tom Zé, com um quê de autoralidade, fazendo com que tais obras tenham a cara da Ínsula.
Esse show, na realidade, vai ser um passeio pelas mais diversas nuances, sensações, timbres e cores, da música insólita e imprevisível que escolhemos por fazer, onde cada compasso se transforma em algo absolutamente diferente e inesperado, onde o diálogo entre elementos tão diferentes entre si (como um cavaquinho e um violoncelo, por exemplo) traduz justamente essa nossa vontade de querer sempre fazer um som que se possa ouvir, sentir, cheirar, lamber, tocar, fazer reverberar dentro de todos os cantos da cabeça, do coração e da alma.
Além da Ínsula, quem também se apresenta amanhã é a banda Pé Preto, uma turma da mais alta qualidade, que traz na bagagem muito groove, black music, soul, funk, com um repertório que vai de composições próprias, passando por Tim Maia (da fase "Racional"), até versões de artistas como Caetano Veloso, Lula Côrtes, The Beatles, etc.. Enfim, tudo é "funkeado" (e muito bem) por essa galera.
E no intervalo entre as bandas, entra em ação o DJ Justino Passos.
A quem interessar possa, O Pecado Antes da Reza vai rolar a partir das 22h, no Quintal do Lima, que fica na Rua do Lima, nº 100, em Santo Amaro (próximo à TV Jornal).
A entrada vai custar R$ 5,00 (cinco dinheiros).
.
E pra quem quiser sacar sobre a Ínsula, eis as vias de acesso:
ilhadosvicios@gmail.com
www.myspace.com/ilhadosvicios
www.youtube.com/ilhadosvicios
www.flickr.com/photos/ilhadosvicios
.
Um grande abraço a todos.. E VAMOS PECAR AMANHÃ!!! DEPOIS A GENTE REZA, PEDINDO PERDÃO (OU NÃO)..
.
Apreciem sem nenhuma espécie de moderação.
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leonardo vila nova
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17:24
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15 março 2008
É ROCK E É SAMBA!!!!
Meus queridos,
vamos a uma agendinha básica pra esse fim/começo de semana.
A NOITE DO DESBUNDE ELÉTRICO II
Nessa noite de hoje (sábado, 15/03), a partir das 21h, o Armazém 14 será o local onde será celebrado o mais puro rock'n'roll.
É a segunda edição do festival A Noite do Desbunde Elétrico, que irá reunir bandas que têm em comum a influência do rock dos anos 60 e 70.

A programação conta com as seguintes atrações:
- Os Insites
- Canivetes
- Malvados Azuis
- Lula Côrtes e Má Companhia
- Cabelo de Sapo
- Dunas do Barato
A entrada custa R$ 5,00 (cinco dinheiros).
ATENÇÃO: Eu estou sabendo (através da comunidade do show) que as moças não pagam até as 22h. Além disso, Lula Côrtes e Má Companhia será a primeira atração da noite, começando EM PONTO. Então,quem tiver afim de ir, não se demore muito a chegar lá.
Aaaahh.. também vale frisar que eu farei uma participação no show dOs Insites, na música Sem Fazer Média, da qual participo também no EP homônimo que está sendo lançado por eles.
Quem quiser sacar a música, pode baixar por esse link aqui:
http://rapidshare.com/files/99632787/09._Os_Insites_-_Sem_Fazer_M_dia.mp3.html
E por falar nOs Insites, eles estão concorrendo a uma das duas vagas do Abril Rock deste ano. Rolou uma pré-seleção em que foram escolhidas 10 bandas (5 de Pernambuco e 5 de outros estados do Nordeste), pra serem submetidas ao voto popular.
Portanto, gostaria de pedir a todos que acessem o link (www.linkmusical.com.br/abril) e votem nOs Insites, ok?
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QUINTETO ALVORADA NO UK PUB
E nessa terça-feira (18/03), a partir das 21h, o UK Pub recebe o grupo Quinteto Alvorada.
O Quinteto Alvorada (ex-Estúdio Samba) é um grupo do qual faço parte, junto com os queridos companheiros Juliano Muta (voz e violão), Deco Nascimento (contrabaixo), Jeremie Moussaïd (guitarra) e Manel Cunha (bateria).
A proposta é desconstruir, reprocessar o samba e REdizê-lo através de outras vertentes musicais, como, por exemplo, o reggae, a salsa, o rock, o tango, o jazz, o xote, etc.
No repertório, músicas de Chico Buarque, João Bosco, Vinicius de Morais, João Donato, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, entre outros, são reinterpretadas através de releituras bastante originais, e até mesmo inusitadas, não se predendo ao tradicionalismo, e permitindo a experimentação de novas nuances e possibilidades musicais.
O UK Pub fica na rua Francisco da Cunha, nº 165 - Boa Viagem.
O couvert custa R$ 5,00 (cinco dinheiros)
ATENÇÃO: Vai rolar ladie's free até as 22h e clone de chopp até as 0h.
Portanto, aproveitem pra curtir um bom som e encher a timba (com moderação, claro).
E levem suas parêias!!!
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leonardo vila nova
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03 março 2008
ilha dos vícios
Em edição extraordinária e especialíssima!!!
POST N.º 50 DA CAIXINHA:
Essa postagem de número 50 ficou reservada para uma ocasião importante. E ela se chama ÍNSULA.
Muita gente, com certeza, já deve ter me ouvido falar sobre a ÍNSULA, que é uma das bandas da qual faço parte.
Até então, não chegamos a fazer nenhum show "OFICIAL "de estréia (apenas um pocket-show, no fim do ano passado, na festa de confraternização da Representação Regional do Ministério da Cultura). Isso por conta do tempo que as idéias, canções e arranjos levaram pra maturar. Sem contar o fato de que todos da banda têm muitos outros afazeres. Por isso, também foi um trabalho danado conciliar as agendas de todos.
Mas, até que enfim, chegou a hora. E neste mês de março, a ÍNSULA estréia, OFICIALMENTE, para o público em geral.
E pra quem quiser entender o que vem a ser ÍNSULA, segue o release da banda:
“Concreto e neblina cega. O homem moderno vive imerso em uma maquete de mundo que criou para se sentir seguro e nem conhece direito o planeta em que vive, que dirá o universo. Mas há algo que grita dentro de cada ser humano, silenciosamente, ao fechar os olhos ou meditar. Até onde o que existe é criado pelos sentidos? Qual o limite entre o real e a fantasia? E se tudo que vemos não passar da construção ancestral de uma linguagem viciada?
A resposta para a origem dos desejos está numa ilha dentro de nossas cabeças: Ínsula. Sua função cerebral é o controle de todos os vícios, os impulsos de vida. É ela a responsável por iludir nossos olhos, boca e ouvidos, sendo a fonte de nosso prazer e de nossa dor. Desatento, pode alguém passar pela vida e não vivê-la de fato, ludibriado pelos sentidos.
Nesse cenário, a música é libertadora. Ela tem o poder de nos levar além dos limites, fazendo-nos transcender o visível. Ao acompanhar uma harmonia e uma melodia bem construídas, a mente viaja por mundos nunca antes visitados. E é justamente essa a proposta do grupo: percorrer o universo musical com sensibilidade e ultrapassar a barreira do superficial.

A partir de um formato pouco usual, o grupo sugere, através de suas canções, [re]combinações improváveis de situações musicais, trabalhando ritmo e poesia, arranjos e performances, numa simbiose de sensações, onde toda e qualquer forma de expressão musical é reprocessada e torna-se estimulante aos sentidos.
A idéia é ter liberdade para, por exemplo, fazer uma leitura de um standard do jazz norte-americano se utilizando de elementos tupiniquins ou executar um típico baião nordestino com o mesmo apuro e cuidado, sem preconceitos, pois música é universal. Há boa música em Bangladesh e na China, em Oklahoma ou no Sertão do Pajeú, basta estar aberto a ouvi-la.”
Imersos no vício, então:
Juliano Muta voz e violão
Demóstenes “Macaco” Jr. trompete, cavaquinho e voz
Fel Viana contrabaixo e voz
Leonardo Vila Nova percussão e voz
Manoel Cunha bateria
Luís Carlos Ribeiro violoncelo
O show de estréia da ÍNSULA irá rolar no dia 20/03 (véspera do feriado de Semana Santa), às 22h, no Quintal do Lima, junto com a banda Pé Preto.
E na semana seguinte, no dia 28/03 (última sexta-feira do mês), também às 22h, a ÍNSULA faz mais um show, dessa vez no Novo Pina, junto com a Comuna.
Mas, antes disso, nessa próxima sexta (07/03), a partir das 14h, a ÍNSULA irá participar do programa Pernambuco Cantando para o Mundo, na rádio Universitária AM (820 MHz). Em uma hora de programa, iremos falar um pouco sobre nosso som, nossas idéias, nossas canções e projetos futuros. Vai ser um bom papo.
Quem quiser conhecer mais sobre a ÍNSULA, é só acessar:
www.myspace.com/ilhadosvicios
www.youtube.com/ilhadosvicios
www.flickr.com/photos/ilhadosvicios
E entrar em contato conosco através do e-mail:
ilhadosvicios@gmail.com
Das 4 canções disponíveis no MySpace, 3 delas são um diálogo direto com a literatura:
4 Horas e 1 Minuto e Pecado Aceso Claro são textos originais do poeta recifense Miró, musicados por Juliano, pra fazer parte da trilha do documentário Onde Estará a Norma?, que fala justamente sobre a vida e a obra de Miró, e faz uma abordagem sobre sua relação com a poesia, a cidade, o cotidiano.
Átema, por Encanto é composição de Juliano e Yuri Pimentel (Comuna) sobre texto de Clarice Lispector, do livro Água Viva.
Além disso, essas gravações contam a participação de Lucas Araújo (Parafusa, Dibontom) nas baterias em Missa e Pecado Aceso Claro; Júnior Crato (Rivotrill) e sua audaciosa flauta dão o ar de sua graça também em Pecado Aceso Claro. Em Missa, o contrabaixo ficou por conta de Yuri Pimentel. Também presente nesse trabalho, a voz de Joana Velozo em Átema, por Encanto.
A música da ÍNSULA exala sensibilidade, apuro e também boas doses de bom humor. Além de possuir uma grande carga cênica. São músicas feitas não só pra ouvir, mas pra ver, dançar, sentir, cheirar, tocar, lamber. Sem falsa modéstia nenhuma, posso afirmar que, realmente, é essa a pretensão: fazer uma música que dialogue com os sentidos; uma música completamente humana, mas muitíssimo audível e compreensível pela alma e coração.
07/03 (sexta-feira), às 14h – Entrevista com a ÍNSULA no programa Pernambuco Cantando para o Mundo, da Rádio Universitária AM (820MHz).
20/03 (quinta-feira), às 22h – ÍNSULA (estréia) + Pé Preto, no Quintal do Lima. R$ 5,00 (cinco dinheiros)
28/03 (sexta-feira), às 22h – ÍNSULA + Comuna, no Novo Pina. R$ 5,00 (cinco dinheiros).
Náufragos, aproveitem para ancorar nessa ilha dos vícios e divirtam-se!!!
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leonardo vila nova
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04 dezembro 2007
tom zé e o funk carioca
O título acima é auto-explicativo.
Em 2005, quando conclui minha monografia, intitulada A Tropicália no século XXI: as reverberações do movimento tropicalista na contemporaneidade, eu afirmava, entre outras coisas, que a Tropicália, ou a sua intervenção estética, as suas atitudes como manifestação artística e cultural encontravam ecos nos tempos atuais a partir, também, do flerte que seus artífices sempre mantiveram com a cultura de massa, com o kitsch, com o tido como de “mal gosto” ou "inferior", e, também, erroneamente, classificado como “subcultura”.
Pois bem.. isso pode muito bem ser comprovado ao longo dos anos, quando, por exemplo, podemos observar Caetano e Gil em intenso e caloroso diálogo artístico com essas tendências tidas como “menores”: Caetano, no festival Phono 73, se apresentou cantando uma música com Odair José, o rei das empregadas, das prostitutas e contra a “pílula”. E também, além de outras coisas, sempre falou abertamente da sua paixão pela axé music, já gravou (no CD Noites do Norte ao vivo) o funk Tapinha não Dói, músicas de Peninha (Sonhos e Sozinho) e de Fernando Mendes (Você não me Ensinou a te Esquecer). O ministro Gilberto Gil já declarou da sua simpatia pela (ex)dupla Sandy e Júnior e já cantou com Ivete Sangalo o refrão “chupa toda”.
E por esses mesmos motivos, ao longo dos anos, muitas vezes eles foram achincalhados pela crítica, por grande parte dos “intelectuais” e até por muitos fãs, sendo atitudes como estas classificadas como grotescas, de “mercenários vendidos” e outros adjetivos não muito gentis. Porém, continuaram prosseguindo com essa prática tipicamente tropicalista, bastante conscientes, fiéis e coerentes às posturas defendidas por eles desde 1967.
Fico feliz em saber que essa minha tese continua firme, consistente e atual. Agora, com outro tropicalista dando mostras de que esse diálogo com a cultura de massa, além de verdadeiro, é assaz inspirador e produtivo.
Descobri ontem um vídeo no youtube em que, numa entrevista, Tom Zé fala da importância do funk carioca (em especial aquele do refrão “tô ficando atoladinha”) para a concepção do seu mais recente disco, o Danç-Êh-Sá – A Dança dos Herdeiros do Sacrifício.
E ele fala dessa importância pra ele com embasamentos teóricos, muitíssimo bem fundamentados tecnicamente, musicalmente falando. Classificando até esse refrão como “microtonal, pluri-semiótico e meta-refrão”. Nossa!!!
Eis o vídeo:
Bem.. já sei muito bem que os “pseudo-pop-cult-intelectuóides” de plantão serão complacentes e permissivos, por se tratar do nosso genial Tom Zé louvando a complexidade musical desse funk. Porém, se fossem Caetano ou Gil a dizer isso, estes seriam estrondosamente vaiados, sem dó nem piedade, quiçá até sem nem direito a se explicar. E sabe por quê? Muito menos pelo fato de esses “pseudo-pop, etc e tal” entenderem de fato a importância dessas palavras de Tom Zé, mas muitíssimo mais pelo fato de que Tom Zé sempre teve um caráter outsider e underground dentro do tropicalismo (entrou até em ostracismo durante anos) e, por isso mesmo, que desde a metade dos anos 90 pra cá que gostar de Tom Zé tornou-se algo cult. Gostar do que pouquíssimos gostam (ou seja, fazer parte de uma reduzida platéia seletiva) é cult.
Pois, então, coloquemos tudo isso no mesmo liquidificador: Peninha, Fernando Mendes, Odair José, o funk carioca, Ivete Sangalo, Tom Zé, Gil, Caetano, Beatles, Banda de Pífanos de Caruaru, música erudita e o que mais der na telha.
Cada ingrediente desses é uma faceta de um Brasil imenso, complexo e contraditório, que avança em idéias, em tecnologia, em cultura, porém ainda preso a moldes arcaicos (seja tradicionalmente, mercadologicamente, religiosamente, moralmente, etc.). E foi esse quadro extremamente conflituoso que a Tropicália escancarou no fim dos anos 60: um Brasil que não era só banquinho, violão, pandeiro e música de protesto. E sim um Brasil que, além disso, era samba, baião, afoxé, rock’n’roll, Chacrinha, Vicente Celestino, Carmen Miranda, carnaval, etc.
Esse tipo de música que se costuma dizer de baixo nível é parte também desse Brasil, mesmo que seja a parte que tentamos evitar, fechar os olhos perante ela. É a periferia, é o morro, a favela, que quando não tem educação, lazer, e por muitas vezes lhe é negada a dignidade, faz música. E essa música é manifestação autêntica dessa cultura existente em nosso território. Quando se diz “tô ficando atoladinha” e os “intelectuóides” se mostram horrorizados com isso, esquecesse-se que muito mais putarias, e mais “horrendas” até, são praticadas por esses mesmos críticos, seja por debaixo dos panos ou não. Uma moral falida, uma concepção cultural ingênua, que não enxerga, por exemplo, que o samba, hoje louvado por tantos, teve seus tempos de “funk” até metade do século XX.
E é justamente esse Brasil (costura de tantos brasis) que a Tropicália fez questão de mostrar, e com a qual fez questão de dialogar e de se utilizar das suas qualidades pra construir um mosaico incrivelmente rico, onde o pobre daqui é muito diferente do de muitos países, desses que alimentam o ódio social entre classes.. o pobre daqui faz música também, porém com alegria e espontaneidade, que não deve ser renegada.
E é justamente desse Brasil que eu tenho orgulho de dizer que “TÔ FICANDO ATOLADINHA” foi importante para a concepção de Danç-Êh-Sá, disco de Tom Zé, que é tão aclamado pelos “pseudo-pop-cult-intelectuóides”. Essa eles vão ter que engolir!!!
E por isso que eu digo: “don’t call me no, please.. don’t call me no, I go.. come on! come on! Come on! come on!
P.S.: Além de tudo isso, esse post de hoje foi escrito ao som de Creep, do Radiohead. (sincrético pacas, não? hahahaha)
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leonardo vila nova
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21 novembro 2007
semeadura e a colheita – 3/3
Mas nem só de teorias, tratados filosóficos, conceitos musicais e CD demo (ou EP, hoje em dia) vive uma banda. Também é necessário muito trabalho, esforço e dedicação. Correr atrás de shows, divulgar, ensaiar, passar som, etc. E, antes de qualquer coisa, acreditar no que se faz, colocar todo o seu amor naquilo. Tudo isso para que o trabalho possa ser reconhecido e alcance o maior número de pessoas possível, e que possa estimular a sensibilidade de cada uma delas de alguma forma. Que nossa música instigue, agite, faça pensar, remexa por fora e por dentro, provoque catarses. Essas são conquistas bastante recompensadoras, são o propósito principal de se fazer arte.Nessa caminhada de dois anos juntos, considero que foram muitas as conquistas de Chocalhos e Badalos. A gente teve uma repercussão até razoável pra uma banda iniciante que era formada por meninos muito jovens (com idades que não passavam dos 25.. o mais novo, à época, tinha 18/19 anos). Muita gente nos conhecia, mesmo sem que tivéssemos uma noção muito nítida disso. É claro que não era nada estupendamente avassalador, mas dava pra sentir que nossa música estava até rolando por aí.
Apesar do curto período de tempo, nós vivemos alguns momentos interessantes que eu gostaria de relembrar, compartilhando dessas lembranças com quem ler essas próximas linhas. Shows, gravações (pra TV e rádio), ensaios, etc. Coisas que me vêm em mente e que me trazem boas recordações.
ÍNDIA MÃE DA LUA: O COMEÇO DE TUDO!!!
Poucos sabem, mas o nosso primeiro “show” (informalmente, informalmente) foi em Maracaípe, a convite da Índia Mãe da Lua.
Recebemos a notícia desse convite pelo nosso querido japonês, Juliano Muta (na época, Juliano era ainda um menino arredio, bicho-do-mato, alternativo em excesso, totalmente despreocupado com a “logística” das coisas). Era um evento em defesa da natureza, que iria contar com várias bandas, etc. Ficamos até empolgados com a idéia. Mal sabíamos nós que o esquema era a maior sujeira.. hahahaha.. e, realmente, foi.
Não tivemos direito a transporte.. o nosso “Bolsa-Família” foi algo em torno acho de R$ 1,50 a R$ 3,00 em alimentação pra cada um (um refri, uma coxinha e olhe lá..), quase não tínhamos onde dormir, tocamos num equipamento furreca, que nem pedestal pra microfone tinha.. tudo desorganizado.. num clima woodstock praieiro da porra.. vendo o dia nascer, tocando, bebendo e “tentando” ser feliz. Encontramos de tudo: hippies, surfistas, coroa dona de pousada dando em cima de Juliano, caseiro de pousada gago, TUDO!!! Tenho traumas dessa Índia Mãe da Lua até hoje (ela só quer saber de fumar maconha e ficar tocando aquela flautinha dela.. hahahaha). Mas, no fim das contas, foi uma experiência divertida essa de viajar com a banda, em seu primeiro show.
E mais divertido ainda era ver Rafael Duarte (nosso primeiro baixista, hoje no Rivotrill), com sua voz esganiçada, reclamando estressado com Juliano, por conta dessa “mega” produção. Tanto que me lembro que Rafael perturbava, dizendo que isso era obra de “JULIANO MUTA PRODUÇÕES”.. hahahaha.. eu NÃO agarantchio!!!
3.ª BIENAL DA UNE (13 de fevereiro de 2003)
A União Nacional dos Estudantes realizava sua 3.ª Bienal de Arte e Cultura em Recife (PE), no Centro de Convenções de Pernambuco, e nós fomos um das bandas escaladas pra se apresentar. Tocamos para um público de aproximadamente 8 mil pessoas, abrindo o show de Alceu Valença. Apesar da nossa apresentação ter sido cortada pela metade por conta da produção (que alegava que Alceu queria entrar, impreterivelmente, às 23h30 e “foda-se” quem não tocar no tempo devido pra ele entrar..), apesar de fazermos um show de apenas 30 minutos, foi tamanha a emoção e o respaldo do público, empolgado e empolgante, que nos abriu os braços, fazendo com que uma belíssima energia nos conduzisse a realizar um show vibrante e inesquecível. O ponto alto foi justamente a abertura, cantando Geraldinos e Arquibaldos, de Gonzaguinha, somente à capela, para o púbico extasiado. Lembro-me comovido daquela multidão.
A TRILOGIA DOS “CANTOS”
É também inesquecível a série de apresentações no Teatro Maurício de Nassau (na época, administrado por Serginho Altenkirch, grande camarada e incentivador do nosso grupo, que sempre esteve a postos, nos cedendo espaço pra apresentações), onde apresentamos, entre outros shows, a trilogia dos “Cantos”: 1) Canto de Ossanha (30 de abril de 2003); 2) Canto de Xangô (18 de junho de 2003); 3) Canto de
Iemanjá (30 de agosto de 2003). Todas as apresentações foram feitas juntamente com os amigos da Comuna (na época, Comuna Experimental) e do grupo de teatro Caixa de Pandora. Todos esses shows tinham um clima mágico, de interação ente os grupos que participavam e o público. Tudo começava no meio da rua, com o Caixa de Pandora realizando seus experimentos cênicos, suas intervenções teatrais/poéticas/musicais/dionisíacas. Em algumas dessas, nós participamos com a música. Do lado de fora até dentro do teatro, o publico era conduzido pelos atores, num clima de catarse bastante propício para o banquete musical que viria a seguir, servido por conta da Comuna e de Chocalhos e Badalos. O mais memorável desses encontros foi o primeiro, Canto de Ossanha, onde uma belíssima jam com todos os músicos rolou no final. Juliano utilizava um chapéu de bobo da corte, cantamos, todos juntos, a música título da festa e até eu cantei A Carne, composição de Seu Jorge e Marcelo Yuka, famosa na voz de Elza Soares. Arrebatador.
XIII FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS (13 de julho de 2003)
Esse momento representou uma grande realização pra todos nós. Estar ali, naquele grande evento, naquela cidade, apresentando-se para um público diferente (e também tão próximo, já que grande parte do povo de Recife vai pra
lá), tudo tinha um sabor diferente, marcante. A produção do festival foi de uma eficiência, profissionalismo e gentileza tamanha conosco. Transporte exclusivo, camarim decente, som impecável.. tudo isso contribuiu para uma apresentação também impecável, feliz, instigante, contagiante, que contou com a participação da paraibana Larissa Montenegro (da banda Chico Correa & Electronic Band), dividindo com Filipe BB os vocais em Pra Onde o Mar se Acaba. Tocamos para um público de, se não me engano, 15 mil pessoas, com direito a matérias elogiosas nos jornais do dia seguinte. Uma platéia também muito vibrante. Um show com direito a bis, a pedidos da produção do palco. Além de quê, a participação dos atores Júnior Aguiar e Asaías Lira (o Zaza) na introdução do show, com a música A Cara do Cara. Saímos de alma lavada, por termos feitos um bom trabalho nesse dia. Um dia muito especial.
CASA DA GLOBO / CARNAVAL ATERNATIVO DO RECIFE ANTIGO (24 de fevereiro de 2004)
Era o último dia do carnaval de 2004. E nos apresentamos no programa Casa da Globo, que é exibido anualmente, no período carnavalesco, onde artistas são chamados pra uma casa em Olinda (este ano, também no Recife Antigo), onde cantam e conversam sobre música e carnaval com os repórteres da Rede Globo Nordeste. Nesse mesmo programa que participamos, também passaram por lá Claudionor e Nonô Germano, SpokFrevo Orquestra, Lula Queiroga, Lenine e Silvério Pessoa (que cantou conosco Micróbio do Frevo e Me Dá um Cheirinho).
Além da visibilidade que a TV poderia nos dar a partir daquele programa, tivemos direito a um buffet da Rede Globo que, meu amiiiiigo, RESPEITE!!! hahahaha.. todo mundo lavou a burra!!! Então, bêbados, drogados e prostituídos (principalmente por conta do whisky) saíamos todos dali, rumo em direção ao Teatro Maurício de Nassau, onde nos apresentaríamos pela programação alternativa do carnaval do Recife Antigo (a cena mais bizarra, fruto dessa tarde etílica, foi a de Juliano, saindo desesperado pela janela da van, no meio do caminho, pra mijar no meio da rua, pois ele estava apertado.. hahahahaha).. o show no teatro foi bem carnavalesco, pelo clima de embriaguez que nos encontrávamos. O teatro estava lotado e o público caloroso. Formidável.
ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE HISTÓRIA – ENEH (12 de julho de 2004)
Esse dia, em especial, teve um clima mágico. Não sei explicar exatamente porque, mas dava pra sentir que a energia daquele lugar (Forte das Cinco Pontas) era linda, diferente, transcendental, propícia para a celebração da arte. Era de uma natureza cósmica que nos permitiu vivenciar intensamente na pele aquele show, com um público de estudantes de todos os lugares do país, curiosos, ávidos, que antes do shows nos perguntavam a todo o instante o que iríamos tocar, e que durante ele responderam positivamente à nossa intenção: envolvê-los com nossa música.
Eram belas meninas, dançando mística e sensualmente, contornando os espaços com pés e mãos, eram olhos atentos e brilhantes. Era gente com sede insaciável de música. E nos demos de beber reciprocamente.
Nesse dia, contamos com o amigo Yuri Pimentel (da Comuna) tocando contrabaixo conosco, já que Deco estava em viagem.
...
Abaixo, mais um vídeo gravado no Som da Sopa (em novembro de 2003). Dessa vez, tocando a música Pra Onde o Mar se Acaba. E como não poderia deixar de ser, a legenda no vídeo está errada. hahahaha:
Além desses, foram tantos os lugares por onde passamos e deixamos os sons de nossos acordes e batuques:
- Capibar (por diveeeeeeersas vezes)
- Unicap (por duas vezes)
- La Prensa
- Armazém 14 (para o programa de TV Som da Sopa, de Rogê, num especial, onde também participaram Sa Grama, Pindorama, Comadre Florzinha, Os Cachorros e Textículos de Mary)
- Comunidade da Ilha Santa Terezinha (Santo Amaro)
- Espaço Usina (onde fizemos um show incrível, por onde passaram, na mesma noite, Coco Raízes de Arcoverde, Eddie, Comadre Florzinha, Maciel Salú, Cila do Coco, Sa Grama, Batuque Usina, Coco Bongar, Cogu Blues, Bonsucesso Sambaclube, Mombojó, Aurinha do Coco, DJ’s Nego Nu e Gringo da Parada.. e lá também também fizemos um show especial de São João, junto com Comadre Fulozinha)
- Praia de Boa Viagem - na frente do Acaiaca (para o programa de rádio Cidade na Praia, também de Rogê).
- Fafire
- Garrafus (hoje, Toca da Joana)
- Mad Pub
- Canal das Artes (onde realizamos o último show da banda, no dia 4 de dezembro de 2004)
...Além disso, fizemos algumas aparições em programas de rádio e TV, como os já citados Som da Sopa e Cidade na Praia. Também fizemos participações em outros programas da Rádio Cidade (como o Cidade do Rock e o Torcida da Cidade, onde alguns dos meninos conversaram sobre música e futebol) e da Rádio Universitária AM (Coquetel Molotov).
Na TV, demos as caras no Bom Dia Pernambuco e no Jornal Hoje (programa exibido nacionalmente), onde gravamos, durante 4 horas, nas cidades de Recife e Olinda, para um quadro semanal do jornal, com bandas independentes de todos os cantos Brasil.
...
Por todas essas (e algumas outras) que eu percebia o quanto estávamos seguindo pelo caminho certo. Era o que me demonstravam as situações que vi e vivi durante esse tempo de banda.
Uma delas (a mais arrebatadora de todas, sem dúvida), foi quando fui
ao centro da cidade, fazer uma entrevista com Rogê, na época em que ele estava fazendo o programa Cidade de Andada, no qual ele ia com um estúdio móvel, semanalmente, apresentar o programa de um ponto diferente da cidade. Ao chegar lá, ele me pegou de surpresa e me perguntou, no ar, pela banda, e pediu a Jairo (que estava no estúdio) pra rolar uma música nossa, Velho Samba Novo (de Juliano Muta).. e no momento em que tocava a música, percebi que alguns jovens que ali estavam assistindo ao programa também cantavam-na. Isso foi muito interessante pra mim. Na época, a música fazia parte do “Cidade dá de 10”, que era o “top” das 10 músicas mais executadas na rádio.
Outras coisas que me pareceram interessantes foram declarações de Silvério e do Mombojó a respeito de Chocalhos e da nossa importância naquela nova safra musical que surgia. Silvério, inclusive, à época de uma de suas turnês ao exterior, falava à Folha de Pernambuco que um dos discos que ele levaria consigo para ouvir na viagem e durante a turnê era o nosso CD demo.
E no ano passado, conheci (através do soulseek) uma jornalista do RJ, chamada Kika Serra, que comanda um programa de rádio transmitido em Londres, o Caipirinha Apreciattion Society. Ao contar que eu tinha uma banda chamada Chocalhos e Badalos, ela me falou que já tinha tocado música nossa no programa, a mesma Velho Samba Novo. Vejam só: Chocalhos já tocou até em programa de rádio em Londres!!!
Além disso, por conta de alguns acidentes de percurso, QUASE chegamos a tocar, por duas vezes, no Abril Pro Rock, e uma vez no Rec Beat.
Também os comentários e críticas que sempre recebemos de pessoas próximas (e de algumas outras nem tão próximas assim, mas que chegavam até nós pra falar da banda) atestam o quanto era bom, importante e consistente o que a gente estava fazendo naquela época. Tudo isso reafirma sempre dentro de mim que fizemos o melhor de nós durante esse tempo, assim como me dá a certeza de que conseguimos colher bons frutos a partir disso.
E é exatamente por isso que eu gostaria de agradecer a MUITA GENTE por essa história que construímos ao longo desses 2 anos, essa história marcante que iremos relembrar neste dia 30 de novembro. Meus agradecimentos para: Filipe BB, Juliano Muta, Deco Nascimento, Thiago Suruagy, Guilherme Almeida, Eluizo Júnior, Yuri Queiroga, Fumato, Rafael Duarte, Thiago Brigídio, Comuna, Júnior Aguiar, Asaías Lira, Ângelo Fábio (e todo o pessoal que fazia parte do grupo Caixa de Pandora), Rogê, Sérgio Altenkirch , Larissa Montenegro, Raul Luna, Fernando Carvalho, Karina Ferreira, Pardal e Verde Lins, Che Guevara, Gonzaguinha, Chico Buarque, Clara Nunes, Silvério Pessoa, Melina Hickson (N.A.V.E. Produções), Dona Socorro (Capibar), Felipe Machado, e, PRINCIPALMENTE, aos grandes amigos do peito, aos familiares, que foram os nossos principais incentivadores.
Então, vamo que vamo!!! Todo mundo no Quintal do Lima no dia 30 de novembro, às 22h, nessa apresentação que será uma oportunidade ÚNICA de ver essa patota inteirinha reunida novamente; A banda estará completíííííssima.. os 7 em palco.. isso, se “Garrinchinha” não der o drible (alguns sabem do que estou falando.. hehehehe), tocando as músicas do repertório original, com novas roupagens, acrescido de mais algumas novidades.
Daqui pra lá, vou abastecendo a todos com mais informações.
Um beijo doce no coração e um abraço apertadíssimo na alma de todos.
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leonardo vila nova
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