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03 março 2008

ilha dos vícios


ATENÇÃO! ATENÇÃO! ATENÇÃO!

Em edição extraordinária e especialíssima!!!

POST N.º 50 DA CAIXINHA:

Essa postagem de número 50 ficou reservada para uma ocasião importante. E ela se chama ÍNSULA.

Muita gente, com certeza, já deve ter me ouvido falar sobre a ÍNSULA, que é uma das bandas da qual faço parte.

Até então, não chegamos a fazer nenhum show "OFICIAL "de estréia (apenas um pocket-show, no fim do ano passado, na festa de confraternização da Representação Regional do Ministério da Cultura). Isso por conta do tempo que as idéias, canções e arranjos levaram pra maturar. Sem contar o fato de que todos da banda têm muitos outros afazeres. Por isso, também foi um trabalho danado conciliar as agendas de todos.

Mas, até que enfim, chegou a hora. E neste mês de março, a ÍNSULA estréia, OFICIALMENTE, para o público em geral.

E pra quem quiser entender o que vem a ser ÍNSULA, segue o release da banda:

“Concreto e neblina cega. O homem moderno vive imerso em uma maquete de mundo que criou para se sentir seguro e nem conhece direito o planeta em que vive, que dirá o universo. Mas há algo que grita dentro de cada ser humano, silenciosamente, ao fechar os olhos ou meditar. Até onde o que existe é criado pelos sentidos? Qual o limite entre o real e a fantasia? E se tudo que vemos não passar da construção ancestral de uma linguagem viciada?

A resposta para a origem dos desejos está numa ilha dentro de nossas cabeças: Ínsula. Sua função cerebral é o controle de todos os vícios, os impulsos de vida. É ela a responsável por iludir nossos olhos, boca e ouvidos, sendo a fonte de nosso prazer e de nossa dor. Desatento, pode alguém passar pela vida e não vivê-la de fato, ludibriado pelos sentidos.

Nesse cenário, a música é libertadora. Ela tem o poder de nos levar além dos limites, fazendo-nos transcender o visível. Ao acompanhar uma harmonia e uma melodia bem construídas, a mente viaja por mundos nunca antes visitados. E é justamente essa a proposta do grupo: percorrer o universo musical com sensibilidade e ultrapassar a barreira do superficial.



No repertório, um projeto que se aventura na experimentação da composição própria, além de releituras da música seiscentista e setentista, com incursões pelo samba, baião, tropicalismo, jazz, valsa, dub, blues, através das mais diversas possibilidades, sem fronteiras geográficas ou estilísticas.

A partir de um formato pouco usual, o grupo sugere, através de suas canções, [re]combinações improváveis de situações musicais, trabalhando ritmo e poesia, arranjos e performances, numa simbiose de sensações, onde toda e qualquer forma de expressão musical é reprocessada e torna-se estimulante aos sentidos.

A idéia é ter liberdade para, por exemplo, fazer uma leitura de um standard do jazz norte-americano se utilizando de elementos tupiniquins ou executar um típico baião nordestino com o mesmo apuro e cuidado, sem preconceitos, pois música é universal. Há boa música em Bangladesh e na China, em Oklahoma ou no Sertão do Pajeú, basta estar aberto a ouvi-la.”


Imersos no vício, então:

Juliano Muta voz e violão
Demóstenes “Macaco” Jr. trompete, cavaquinho e voz
Fel Viana contrabaixo e voz
Leonardo Vila Nova percussão e voz
Manoel Cunha bateria
Luís Carlos Ribeiro violoncelo

O show de estréia da ÍNSULA irá rolar no dia 20/03 (véspera do feriado de Semana Santa), às 22h, no Quintal do Lima, junto com a banda Pé Preto.

E na semana seguinte, no dia 28/03 (última sexta-feira do mês), também às 22h, a ÍNSULA faz mais um show, dessa vez no Novo Pina, junto com a Comuna.

Mas, antes disso, nessa próxima sexta (07/03), a partir das 14h, a ÍNSULA irá participar do programa Pernambuco Cantando para o Mundo, na rádio Universitária AM (820 MHz). Em uma hora de programa, iremos falar um pouco sobre nosso som, nossas idéias, nossas canções e projetos futuros. Vai ser um bom papo.




Quem quiser conhecer mais sobre a ÍNSULA, é só acessar:

www.myspace.com/ilhadosvicios
www.youtube.com/ilhadosvicios
www.flickr.com/photos/ilhadosvicios

E entrar em contato conosco através do e-mail:

ilhadosvicios@gmail.com

Das 4 canções disponíveis no MySpace, 3 delas são um diálogo direto com a literatura:

4 Horas e 1 Minuto e Pecado Aceso Claro são textos originais do poeta recifense Miró, musicados por Juliano, pra fazer parte da trilha do documentário Onde Estará a Norma?, que fala justamente sobre a vida e a obra de Miró, e faz uma abordagem sobre sua relação com a poesia, a cidade, o cotidiano.

Átema, por Encanto é composição de Juliano e Yuri Pimentel (Comuna) sobre texto de Clarice Lispector, do livro Água Viva.

Além disso, essas gravações contam a participação de Lucas Araújo (Parafusa, Dibontom) nas baterias em Missa e Pecado Aceso Claro; Júnior Crato (Rivotrill) e sua audaciosa flauta dão o ar de sua graça também em Pecado Aceso Claro. Em Missa, o contrabaixo ficou por conta de Yuri Pimentel. Também presente nesse trabalho, a voz de Joana Velozo em Átema, por Encanto.

A música da ÍNSULA exala sensibilidade, apuro e também boas doses de bom humor. Além de possuir uma grande carga cênica. São músicas feitas não só pra ouvir, mas pra ver, dançar, sentir, cheirar, tocar, lamber. Sem falsa modéstia nenhuma, posso afirmar que, realmente, é essa a pretensão: fazer uma música que dialogue com os sentidos; uma música completamente humana, mas muitíssimo audível e compreensível pela alma e coração.

Mais uma vez, o serviço, pra todos ficarem atentos:

07/03 (sexta-feira), às 14h – Entrevista com a ÍNSULA no programa Pernambuco Cantando para o Mundo, da Rádio Universitária AM (820MHz).

20/03 (quinta-feira), às 22h – ÍNSULA (estréia) + Pé Preto, no Quintal do Lima. R$ 5,00 (cinco dinheiros)

28/03 (sexta-feira), às 22h – ÍNSULA + Comuna, no Novo Pina. R$ 5,00 (cinco dinheiros).

Náufragos, aproveitem para ancorar nessa ilha dos vícios e divirtam-se!!!

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04 dezembro 2007

tom zé e o funk carioca


O título acima é auto-explicativo.

Em 2005, quando conclui minha monografia, intitulada A Tropicália no século XXI: as reverberações do movimento tropicalista na contemporaneidade, eu afirmava, entre outras coisas, que a Tropicália, ou a sua intervenção estética, as suas atitudes como manifestação artística e cultural encontravam ecos nos tempos atuais a partir, também, do flerte que seus artífices sempre mantiveram com a cultura de massa, com o kitsch, com o tido como de “mal gosto” ou "inferior", e, também, erroneamente, classificado como “subcultura”.

Pois bem.. isso pode muito bem ser comprovado ao longo dos anos, quando, por exemplo, podemos observar Caetano e Gil em intenso e caloroso diálogo artístico com essas tendências tidas como “menores”: Caetano, no festival Phono 73, se apresentou cantando uma música com Odair José, o rei das empregadas, das prostitutas e contra a “pílula”. E também, além de outras coisas, sempre falou abertamente da sua paixão pela axé music, já gravou (no CD Noites do Norte ao vivo) o funk Tapinha não Dói, músicas de Peninha (Sonhos e Sozinho) e de Fernando Mendes (Você não me Ensinou a te Esquecer). O ministro Gilberto Gil já declarou da sua simpatia pela (ex)dupla Sandy e Júnior e já cantou com Ivete Sangalo o refrão “chupa toda”.

E por esses mesmos motivos, ao longo dos anos, muitas vezes eles foram achincalhados pela crítica, por grande parte dos “intelectuais” e até por muitos fãs, sendo atitudes como estas classificadas como grotescas, de “mercenários vendidos” e outros adjetivos não muito gentis. Porém, continuaram prosseguindo com essa prática tipicamente tropicalista, bastante conscientes, fiéis e coerentes às posturas defendidas por eles desde 1967.

Fico feliz em saber que essa minha tese continua firme, consistente e atual. Agora, com outro tropicalista dando mostras de que esse diálogo com a cultura de massa, além de verdadeiro, é assaz inspirador e produtivo.

Descobri ontem um vídeo no youtube em que, numa entrevista, Tom Zé fala da importância do funk carioca (em especial aquele do refrão “tô ficando atoladinha”) para a concepção do seu mais recente disco, o Danç-Êh-Sá – A Dança dos Herdeiros do Sacrifício.

E ele fala dessa importância pra ele com embasamentos teóricos, muitíssimo bem fundamentados tecnicamente, musicalmente falando. Classificando até esse refrão como “microtonal, pluri-semiótico e meta-refrão”. Nossa!!!

Eis o vídeo:



Bem.. já sei muito bem que os “pseudo-pop-cult-intelectuóides” de plantão serão complacentes e permissivos, por se tratar do nosso genial Tom Zé louvando a complexidade musical desse funk. Porém, se fossem Caetano ou Gil a dizer isso, estes seriam estrondosamente vaiados, sem dó nem piedade, quiçá até sem nem direito a se explicar. E sabe por quê? Muito menos pelo fato de esses “pseudo-pop, etc e tal” entenderem de fato a importância dessas palavras de Tom Zé, mas muitíssimo mais pelo fato de que Tom Zé sempre teve um caráter outsider e underground dentro do tropicalismo (entrou até em ostracismo durante anos) e, por isso mesmo, que desde a metade dos anos 90 pra cá que gostar de Tom Zé tornou-se algo cult. Gostar do que pouquíssimos gostam (ou seja, fazer parte de uma reduzida platéia seletiva) é cult.

Pois, então, coloquemos tudo isso no mesmo liquidificador: Peninha, Fernando Mendes, Odair José, o funk carioca, Ivete Sangalo, Tom Zé, Gil, Caetano, Beatles, Banda de Pífanos de Caruaru, música erudita e o que mais der na telha.

Cada ingrediente desses é uma faceta de um Brasil imenso, complexo e contraditório, que avança em idéias, em tecnologia, em cultura, porém ainda preso a moldes arcaicos (seja tradicionalmente, mercadologicamente, religiosamente, moralmente, etc.). E foi esse quadro extremamente conflituoso que a Tropicália escancarou no fim dos anos 60: um Brasil que não era só banquinho, violão, pandeiro e música de protesto. E sim um Brasil que, além disso, era samba, baião, afoxé, rock’n’roll, Chacrinha, Vicente Celestino, Carmen Miranda, carnaval, etc.

Esse tipo de música que se costuma dizer de baixo nível é parte também desse Brasil, mesmo que seja a parte que tentamos evitar, fechar os olhos perante ela. É a periferia, é o morro, a favela, que quando não tem educação, lazer, e por muitas vezes lhe é negada a dignidade, faz música. E essa música é manifestação autêntica dessa cultura existente em nosso território. Quando se diz “tô ficando atoladinha” e os “intelectuóides” se mostram horrorizados com isso, esquecesse-se que muito mais putarias, e mais “horrendas” até, são praticadas por esses mesmos críticos, seja por debaixo dos panos ou não. Uma moral falida, uma concepção cultural ingênua, que não enxerga, por exemplo, que o samba, hoje louvado por tantos, teve seus tempos de “funk” até metade do século XX.

E é justamente esse Brasil (costura de tantos brasis) que a Tropicália fez questão de mostrar, e com a qual fez questão de dialogar e de se utilizar das suas qualidades pra construir um mosaico incrivelmente rico, onde o pobre daqui é muito diferente do de muitos países, desses que alimentam o ódio social entre classes.. o pobre daqui faz música também, porém com alegria e espontaneidade, que não deve ser renegada.

E é justamente desse Brasil que eu tenho orgulho de dizer que “TÔ FICANDO ATOLADINHA” foi importante para a concepção de Danç-Êh-Sá, disco de Tom Zé, que é tão aclamado pelos “pseudo-pop-cult-intelectuóides”. Essa eles vão ter que engolir!!!

E por isso que eu digo: “don’t call me no, please.. don’t call me no, I go.. come on! come on! Come on! come on!

P.S.: Além de tudo isso, esse post de hoje foi escrito ao som de Creep, do Radiohead. (sincrético pacas, não? hahahaha)

25 abril 2007

coração nas nuvens.



Passei algumas semanas ausente da caixinha. Isso se deve ao turbilhão de vida que me atravessou nesses dias de Sol e chuva. O coração anda cheio de ternura. Entre goles de cerveja, sorrisos, brincadeiras, afinidade tamanha, milhares e milhões de sensações, tão belas e acolhedoras, o mundo me foi muito mais intenso e vivo em 24 horas (que se repetiram e vêm se repetindo por mais algumas outras horas e contatos sempre felizes) do que em grande parte de minha vida. Estou formando família nova (leofelmelecéu), com pessoas que me chegaram, me tocaram, me sorriram, me aceitaram, e que me querem assim como eu as quero. Muito, muito, muito intensamente. A sensação de vida foi tão forte, tão densa, que me exauriu um pouquinho. Começo agora a absorver e a entender de forma menos frenética, pouco a pouco, o significado de tudo isso, a beleza que nisso tudo reside. E quando eu digo que o coração está nas nuvens (vide o título de hoje), é porque ele está sim, tomado de assalto, nas nuvens de um céu estrelado do Oriente, tão zen céu, tão bonito. Esse céu me desperta ternura, poesia, alegria e sorrisos. E eu quero voar.

Disponibilizo hoje, para baixar, canção do Devendra Banhart, chamada Owl Eyes. A letra é meio estranha, mas a música em si, a sensação que as harmonias, melodias e a sensibilidade que elas me passam traduzem bem como me sinto. É ouvir e sentir, deixar-se flutuar.

link: http://rapidshare.com/files/27947187/Devendra_Banhart_-_14_-_Owl_Eyes.mp3.html

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Nas últimas semanas têm rolado as gravações de uma das minhas bandas, Ínsula. Hoje mesmo foi dia. Apesar da correria que foi pra se organizar, com pouquíssimo tempo pra se trabalhar as músicas (pois essas gravações caíram do céu pra nós, porém com prazo curtíssimo pra se cumprir), as músicas estão ficando muito, muito bonitas. Estamos em meio a percussões minhas, vozes e violões do meu fiel companheiro de música, poesia, vida e boemia, Juliano Muta; passeando por trompetes e cavaquinhos de Demóstenes Júnior (ou Macaco, para os chegados) e por uns cellos garbosos e encorpados de Luís Carlos Ribeiro, também nosso companheiro nessa empreitada.




É o processo sensível e intuitivo da alma do artista, que nessa horas se mostra muito, e muito mesmo, arquiteto da sua emoção. A construção de uma música, o encaixe das suas células de forma belamente agradável aos ouvidos e ao coração, requer um minucioso trabalho de observação constantes, de atenção redobrada, mas também de uma intensa entrega às sensações, aos sentidos que cada música lhe causa e por qual caminho ela te guia para seguir. Afinal de contas, é isso que ocorre: não é você quem guia pra onde música vai. É ela quem te conduz, é ela quem te faz deduzir por onde ela própria quer ir.

Hoje, tivemos duas presenças agradáveis e talentosas no estúdio. Gravando conosco, o baterista Lucas Araújo (Parafusa, Dibonton, SambaFino Groove e outros milhares de projetos). Sempre muito inteligente, sagaz e preciso, Lucas foi apresentado às músicas hoje, e hoje mesmo já as gravou, com uma maestria e tranqüilidade dignas de um excelente músico. A outra presença foi de Yuri Pimentel (Comuna), que veio conhecer uma das músicas em que irá participar, tocando baixo. Tenho certeza de que será outra participação impecável.

Têm sido um pouco trabalhoso e cansativo (pelo atropelo do exíguo tempo de que dispomos). Porém, tem sido, sim, de uma satisfação e felicidade que ninguém faz idéia. Já estou bastante ansioso pelo resultado final, mas o processo de gravação em si é magnífico, estimulante. Sentia muita falta disso.

Fiquem ligados: podem aguardar mais notícias sobre a Ínsula, que, em breve, estará dando as caras por aí.

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A caixinha também é serviço de utilidade pública. E venho aqui fazer uma divulgação mais do que justa de algo que merece E DEVE ter toda a nossa atenção.

O incentivo à leitura é uma das coisas mais válidas e coerentes nos dias de hoje e num país como o Brasil, onde o número de iletrados ainda é imenso. Portanto, divulguemos e também acessemos o site
www.dominiopublico.gov.br, disponibilizado pelo Ministério da Educação. Lá, pode se baixar GRATUITAMENTE milhares de obras em livros, nas mais diversas línguas, dos mais diversos autores e das mais diversas searas (filosofia, artes, poesia, política, romances, comunicação, matemática, astronomia, etc). No site, se encontram clássicos (e também os “não-clássicos”) de nomes nacionais e internacionais como Platão, Fernando Pessoa, Marx, Machado de Assis, entre outros, muuuuitos outros.

Além do acervo literário, há também arquivos de áudio, vídeo e software. Tudo disponibilizado, repito, GRATUITAMENTE.

Porém, o site corre o risco de sair do ar, por causa do ínfimo número de acessos. Portanto, tentemos reverter essa situação, divulgando essa maravilhosa fonte de conhecimento para amigos, conhecidos, parentes, colegas (além de também fazermos usufruto dela). Como em nosso país ainda não há o costume de se estimular a buscar pelo saber (que, sem dúvida alguma, é o que realmente amplia a percepção do mundo que nos cerca e nos torna cidadãos muito mais conscientes e atuantes) e nem de se divulgar sites como esse, que fazem a sua parte, disponibilizando tamanho acervo dessa natureza, então que o façamos nós. Passem essa mensagem pra frente, divulguem, acessem. Passando essa informação pra frente já é um grande passo de cidadania que nós estaremos dando.

No mais, boa leitura.

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vem chegando por aí. Caetano Veloso vem chegando por aí. E a fila AE do Teatro Guararapes espera por mim.

(ouvindo Owl Eyes, by Devendra Banhart).

03 fevereiro 2007

tuntz tuntz



Quem viu, viu. Quem não viu, só tenho a lamentar.

O show do “garoto gordo” levou cerca de 100 mil pessoas ao Marco Zero. Por volta das 20h já se via uma grande quantidade de gente chegando no local. Confesso que, inicialmente, fiquei meio temeroso, pela quantidade de “malas” que estavam circulando. Mas, ao mesmo tempo, muitíssimos PMs também transitavam pelo local, o que garantiu um clima de maior tranqüilidade, pois sabíamos que a segurança estava muito bem reforçada. E, realmente, nenhum incidente ocorreu, a noite e a madrugada transcorreram na maior tranqüilidade.

Fiquei de cara com a quantidade de gente presente no Marco Zero. Circular pelo Bairro do Recife era um transtorno, certas horas até impraticável. Mas a impressão que me deu é que quanto mais gente ia chegando mais intenso era o clima de alegria, de festa, de congraçamento, pois estavam todos ali com um único propósito: se divertir ao som do DJ inglês Norman Cook, o Fatboy Slim.

O evento foi maravilhoso. O Marco Zero virou uma grande pista de dança (sei muito bem que em todos os jornais isso já foi dito, mas é a mais pura realidade). Um cenário bonito de se ver, uma rave no ambiente mais lúdico de nossa cidade, e de graça. Tudo conspirava a favor de uma bela noite.

Fatboy não decepcionou. O som do inglês animou a todos, que esperavam ansiosos pela apresentação. Nem mesmo o “apagão” de quase 1 hora durante a sua apresentação, por conta de um problema num gerador, foi capaz de quebrar o clima. Acredito até que deu um charme maior, porque, resolvido o problema, Fatboy voltou triunfante ao palco e continuou a ferver o Marco Zero.

Eu, que não sou freqüentador de boates, nem sou um ouvinte assíduo de música eletrônica (conhecia o trabalho de Fatboy Slim mais pelos clipes do que exatamente pelos discos), adorei o evento, e acho que a Prefeitura deveria fazer mais festas como essa, pelo menos uma vez no ano, uma rave no Marco Zero. Adorei, adorei, adorei. E vou até avaliar a possibilidade de ir a uma boate, pra ver se a sensação é a mesma que tive nessa última quinta, 1.º de fevereiro, uma quinta memorável.

...

Vamos à feira?

Nesta semana que entra, de 7 a 11 de fevereiro, Recife terá a honra de receber a Feira Música Brasil.

Uma feira de negócios totalmente voltada ao mercado de música brasileira. Artistas, produtores, empresários, gente ligada à música de todos os cantos do Brasil e do mundo estarão em Recife, participando de rodada de negócios, palestras, debates, shows, com o fim de capacitar, integrar e estruturar todo um mercado de música voltado tanto para o mercado brasileiro como estrangeiro.

Na programação de shows, a diversidade é marca registrada. Apresentações no Marco Zero, Teatro de Santa Isabel e na Praça do Arsenal prometem agitar a cidade nessa próxima semana. Dentro da programação, a comemoração do aniversário de 100 anos do Frevo, com um baita festão. Vamos às atrações:

MARCO ZERO

07/02 (quarta-feira) – das 21h até 1h

Bongar

Clube do Balanço

Edvaldo Santana

Sandra de Sá


08/02 (quinta-feira) – das 21h até 1h

Isaar

Silvério Pessoa

Rita Ribeiro

Gabriel O Pensador


09/02 (sexta-feira – DIA DO FREVO) – das 20h até 1h

Chegada do arrastão de frevo com Antonio nóbrega e agremiações de frevo.

Show com Gilberto Gil, Alceu Valença, Lenine, Geraldo Azevedo, Luiz Melodia, Elba Ramalho, Maria Rita, Ney Matogrosso, Vanessa da Mata, Nena Queiroga, Claudionor Germano e Geraldo Maia.

Show da banda A Troça, com a cena musical de Pernambuco cantando frevo: Lula Queiroga, Spok, Silvério Pessoa, Canibal, Siba, Maciel Salú, Fred 04, Ortinho, Edilza, Pedro Quental (RJ), Rogerman e outros.


10/02 (sábado) – das 20h até 1h

Casuarina

Osvaldinho da Cuíca

Nelson Sargento

Mart´nália


11/02 (domingo) – das 19h às 23h

Encontro do forró: Azulão, Biliu de Campina, Maciel Melo, Xangai Moraes Moreira


TEATRO DE SANTA ISABEL

08/02 (quinta-feira) – das 20h às 23h

Quinteto Villa–Lobos

Arthur de Faria

Zé Meneses


09/02 (sexta-feira) – das 19h às 22h

Pianorquestra

Tira Poeira

Banda Paralela


10/02 (sábado) – das 20h às 23h

Lanny Gordin

Oswaldinho do Acordeon

Raul de Souza

11/02 (domingo) – das 20h às 23h

Antonio Nóbrega


PRAÇA DO ARSENAL

08/02 (quinta-feira) – das 20h às 0h30

Coletivo Radio Cipó

Deize Tigrona

Z’África Brasil

Axel Kryeger (ESP)


09/02 (sexta-feira) – das 19h às 23h

Cabruêra

Autoramas

Otto

La Kinky Beat


10/02 (sábado) – das 20h às 0h30

Axial

Vulgue Tostói

Bossacucanova

Nation Beat + Maracatu Nação Estrela Brilhante

Anis

11 outubro 2006

Parabéns, voinho!!!


“veja que beleza, em diversas cores.. veja que beleza.. em vários sabores, a burrice está na mesa (...)” (Tom Zé)

Tropicalista cuca boa e nova!!!

Salves, salves, salves!!!

Começamos hoje uma quarta-feira muito mais feliz, muito mais interessante para a música brasileira. Hoje, 11 de outubro, é aniversário de 70 anos de Antônio José Santana Martins, ou Tom Zé, como é conhecido no Brasil desde 1968, quando lançou-se de vez no mercado fonográfico brasileiro.

Confesso-me estar um pouco tenso ao escrever alguma coisa sobre este cidadão, uma das maiores (se não a maior) referência musical de criatividade, singularidade, genialidade, inventividade, irreverência, rebeldia e outros adjetivos mais que temos no Brasil. É uma responsabilidade muito grande, e creio também ser muito complexo, conseguir definir da forma mais adequada este baiano de Irará, que conseguiu transformar rapadura, farinha, seca e agrura em matéria-prima substanciosa para uma das músicas mais cosmopolitas e inteligentes de que se tem conhecimento hoje em dia.

Não é todo o dia que um senhor de 70 anos faz uma participação no novo CD do grupo Cake, ou já fez um show com o grupo Tortoise.

Tom Zé foi um dos alicerces fundamentais para o surgimento da Tropicália. Porém, foi ele o mais outsider do grupo. Porém, não no sentido de estar por fora, e sim de estar correndo por fora, por ser ele dotado de uma singularidade tamanha que chegou a ser (e ainda o é) o mais tropicalista de todos, no cerne da rebeldia que aquilo poderia significar, e o menos tropicalista deles, pois optou por seguir o sentido contrário da corrente, que era o da popularização/massificação e facilidade totais; ele seguiu um caminho não percorrido, tornando-se uma bela e inspirada aberração construída e edificada dentro das próprias deficiências (como ele próprio define), transformando-as em grandes idéias, em grandes obras, capazes de sair das amarras de qualquer convenção, conceito e definição, conservando ao longo de todos esses 70 anos um vigor infantil, uma rebeldia adolescente (sempre indignação) e uma sabedoria que a idade e a experiência de vida lhe puderam conferir.

Tom Zé disse que sua primeira experiência musical foi ao tentar tocar violão e cantar para uma moça, ainda em Irará, na juventude. Disse que foi traumatizante. Um bloqueio, uma travação o deixaram totalmente inerte, apático, entalado. Nunca teve beleza, talento para tocar ou voz bonita para ser consagrado como um grande cantor, daqueles que encantam belas moças. Foi daí que partiu para seguir o caminho de desconstruir-se e utilizar com destreza, vontade, inteligência e sensibilidade tudo o que poderia se tornar um obstáculo para seu progresso, usando a seu favor. E me parece que deu certo.

Estreou para o público brasileiro no IV Festival de MPB da TV Record, em 1968, cantando a música campeã São, São Paulo, meu Amor, de sua autoria.

Daí pra frente fez discos memoráveis, como Todos os Olhos (cuja capa era um ânus, com uma bola de gude introduzida, isso em pleno governo Médici, 1973) e Estudando o Samba, em 1976.

Apesar da inconteste genialidade, da metade dos anos 70 até o final dos anos 80, Tom Zé entra para o ostracismo, longo e doloroso, que duraria 17 anos de esquecimento e tristeza, para um artista que sempre viveu do exercitar de sua mente irrequieta (durante esse período, gravou, em 1986, um disco genialíssimo, chamado Nave Maria).

Foi redescoberto, já desenganado e quase que abandonando de vez o ofício, por David Byrne (ex-Talking Heads). É através do selo Luaka Bop, de David Byrne, que é lançado, em 1990, nos E.U.A., The Best of Tom Zé (ou "Tãn Zi", como é chamado lá), uma coletânea de sua obra. A partir daí passou a ser aclamado pela crítica ianque. Inclusive ganha um prêmio chamado “Prêmio de Criatividade”, em Colorado, do qual participam músicos eruditos e/ou de vanguarda do mundo todo.

No ano seguinte, grava o excelente The Hips of Tradition.

Em 1999, é consagrado pelo público brasileiro (e jovem) no Abril pro Rock, onde ele diz ter nascido novamente.

Em 2001, lança Jogos de Armar. Sempre inovando, traz dois CDs, um contendo as músicas, e o outro com fragmentos das músicas, espalhados, separados, sugerindo ao público que remonte esses pedaços e construa novas músicas, podendo se tornar, assim, um parceiro de Tom Zé.

Em 2002, três anos depois de ter renascido, no mesmo Abril pro Rock ele quase morre, ao ter um infarto após o seu show (eu estava presente nessa apresentação). Tom Zé passou em torno de uma semana internado em Recife, no Hospital Real Português.

Ano passado lançou o fantástico disco Estudando o Pagode – na Opereta Segregamulher e Amor, no qual faz uma interessante analogia entre a segregação cultural e social da mulher e a segregação de ritmos como o pagode.

Hoje, dia do seu aniversário, lança mais um disco (já estou doidinho pra ouvir), que se chama Danç-Êh-Sá – Dança dos Herdeiros do Sacrifício. Pelo que li no JC hoje, mais um trabalho conceitual, baseado na idéia da omissão dos intelectuais diante da política brasileira, da rejeição dos jovens por músicas de letras longas, e estabelecendo um diálogo com o passado e com o folclore. Palavras do "DJ Tão Zé" (como já se pode ver em foto no seu site, entremeado por fios, elementos de discotecagem – como um vinil - e colorido: “Esse disco tem três ou quatro influências. Uma delas foi o silêncio dos intelectuais diante do abismo causado pela decepção com a esquerda política. Outra influência foi uma pesquisa feita pela MTV que mostrou que os jovens não gostam de músicas com letras longas. O dicionário faliu, e as palavras não falam nada. Em função disso, eu decidi fazer um disco cheio de tartamudeios. É uma maneira de tentar chegar até eles. É um jeito de dizer para eles que o mundo é uma coisa de nossa responsabilidade. Peço que eles abandonem essa posição de irresponsabilidade. Ele é ousado, mas dialoga com o passado. Tudo que faço faz referência ao folclore e à música brasileira. Usei nas faixas células e ambientes musicais dos anos 40”.

Isto é Tom Zé. Será que ele chega aos 140?
















(ouvindo Ave Dor Maria, by Tom Zé)

20 setembro 2006

Faça!































De acordo com o dicionário Houaiss:

fazer
acepções:

■ verbo 1 produzir através de determinada ação; realizar, obrar transitivo direto

(...)

2 realizar (algo abstrato) transitivo direto e bitransitivo

(...)


Esses são apenas dois significados que a palavra fazer simboliza. Entre tantas outras acepções descritas nos dicionários da vida, gostaria eu de ousar dizer o que vem a ser, de acordo com o que o penso, o sentido de fazer.

O ato de fazer algo não implica necessariamente, e no(s) sentido(s) estrito(s), apenas a ação em si e por si só.

Fazer envolve escolhas, reflexões ou impulsividade, consciência ou pleno desconhecimento, vontade própria ou obrigação, cálculo prévio ou riscos incalculados, mobilização ou acaso, motivação, algumas vezes ousadia e rebeldia, segurança e insegurança, paixão, controle absoluto e descontrole total, necessidade ou capricho, condições favoráveis de atuação, apoio ou desaprovação, etc e tal.

Ou seja, o ato de realizar algo, um gesto, uma escolha, uma atitude, um empreendimento envolve uma série de fatores, muito harmônicos e tantos outros díspares, que se confrontam antes, durante e depois do fazer em si. Fazer algo envolve, algumas vezes, o simples desejo de fazê-lo, de colocar em prática, de realizar uma vontade. Porém, também envolve uma vastidão de conflitos e questionamentos, pelo simples fato de que um simples fazer algo pode nos afetar a vida (em vários âmbitos) e a vida de tantos outros.

O ideal seria que, no mínimo, nós soubéssemos equilibrar a razão e a emoção no momento de uma escolha. Porém, seres humanos imperfeitos que somos, sempre pendemos parcialmente ou totalmente para um único lado. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom pelo fato de que acaba nos ensinando a exercitar a nossa capacidade de empreendimento e posterior reflexão acerca das vantagens e desvantagens que aquela atitude acarretou, e de poder, então, buscando o equilíbrio, saber dosar as quantidades de amor e de razão que devem conter cada passo. E ruim pelo fato de que esse aprendizado nem sempre é absorvido de forma agradável. Muitas vezes (e na maioria dela) envolve grande sofrimento, dor e cobranças, tanto suas quanto, principalmente, dos que o cercam.

Há coisas que quero fazer.
Há coisas que dizem que eu devo fazer.
Há coisas que preciso fazer.
Há coisas que amo fazer.

Eu tenho o defeito (ou a virtude) de sempre pender para o lado do amor. Faço as coisas que me apaixonam, que me movem, que me dão sentido, realização e existência nesse mundo. E é justamente por isso que ando tendo uma série de crises, de conflitos, de angústias nos últimos tempos.

Ter feito jornalismo = profissão convencional, “rentável” (isso no pensamento de nossos pais, que acreditam que o cara se forma e vai direto pra Rede Globo, apresentar o Jornal Nacional). Temos que ter um diploma, né? Essa é uma obrigação e uma prestação de contas que devemos dar aos nossos educadores, nossos formadores e à nossa sociedade, tão vil, hipócrita e desrespeitosa com a nossa condição humana.

Fazer um mestrado = ampliação do meu campo de conhecimento. Aprender, conhecer, saber, pesquisar. Isso me interessa. Isso me faz bem. Porém, dentro dessa realidade: aprender mais. Muitas vezes levam para a melhoria das possibilidades de engendrar no mercado de trabalho (o acadêmico, no caso).

Ter que fazer um concurso público = ganhar dinheiro. Necessidade de sobrevivência. Sustento. Única e exclusivamente. É preciso (?).

Música = necessidade para a vida. Alimento. Alma. Dança cósmica. Felicidade. Prazer. Realização como ser humano. É isso que quero, que preciso, que amo. Porém, qual o respaldo que nossa família dá? Digo família de classe média-média, provinciana, machista, que tem uma “ovelha negra” entre si; família que se interessa e acredita ser apenas o essencial dar “casa, comida e plano de saúde” para os seus, e quer perpetuar essa pensamento pequeno-burguês por tantas outras gerações, não se importando com a real necessidade que este seu precisa para ter alegria de viver. Não digo a família classe média altíssima, que dá todos os subsídios para que os seus vivam de música sem se preocupar com cobranças ou com um futuro amargo.

Escrita = é o mesmo caso que a música. Só que ainda num campo mais restrito de ampliação da sua possibilidade de gerar ganhos com essa atividade. Mas me alimenta com a mesma intensidade que a música. É através dela que atravesso-me por completo, deixando vestígios indeléveis desse mundo em mim, e de mim no mundo, tocando, pesando a mão e o poder da alma e do coração no meu próprio pensamento e no de tantos outros. O poder da linguagem é o que nos (in)traduz nesse mundo tão estranho.

Abrir a guarda pelo sentimento que nutre por uma mulher = nesse caso, é um dos mais complicados “fazeres”, pois você se deixa levar ingenuamente pela possibilidade de que um dia essa relação seja recíproca, de que te trará felicidade. Quase nunca é assim, e você se fere, se deixa ficar ridículo, idiota, imbecil, fraco. Seria muito mais fácil que sentimentos tivessem bula, tudo escrito e descrito. Mas quem disse que sentir é fácil? E fico triste.

Morar só = as coisas se encaminham inevitavelmente dessa forma. Como ter condições psicológicas, emocionais, financeiras para isso quando você se recusou a fazer tudo o que lhe daria retorno financeiro para arriscar-se na vida a querer e tentar fazer o que te move, o que te alimenta de amor e felicidade?

Afinal, fazer também é se arriscar.
Viver é se arriscar. E eu prefiro fazer isso com amor.


(ouvindo Quilombo/Tiro de Misericórdia/Escadas da Penha – by Acústico MTV João Bosco)

08 agosto 2006

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..





É com essa frase que faço a minha homenagem ao cantor, compositor e pensador crítico contemporâneo Caetano Emanuel Viana Teles Velloso, ou Caetano Veloso, para os mais íntimos (no caso, o Brasil inteiro), que ontem (07 de agosto) completou 64 anos de vida. O leonino, nascido em Santo Amaro da Purificação (cidade pertencente ao Recôncavo Baiano) prepara-se para lançar mais um novo CD, intitulado , produzido pelo filho Moreno Veloso e pelo guitarrista Pedro Sá.

Caetano é daqueles que ou se ama ou se odeia (eu me enquadro na primeira opção). Tudo isso por causa do seu comportamento e opiniões críticas imprevisíveis (e nem sempre palatáveis) a respeito dos mais diversos assuntos: cultura, música, filosofia, política, etc. Por nem sempre estar alinhado com o lugar comum do que instituem os grandes “intelectuais” como, razoavelmente, ponderado e coerente com o que “deveria” pensar um intelectual residente num país de 3.º mundo, assim provocando (conscientemente ou não) polêmicas e, logo após, as diluindo no tempo e no espaço, é que Caetano foi ganhando seguidores e inimigos (confessos ou não) ao longo de 4 décadas de carreira. Caetano surpreende (não sei se hoje nem tanto, pois creio que todos já se acostumaram) quando diz gostar do grupo Nação Zumbi da mesma forma como também elogia o grupo de “pagodaxé” Harmonia do Samba.

Caetano, junto a tantos, como Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa, Rogério Duprat, Júlio Medaglia, Capinam, Torquato Neto, Jomard Muniz de Britto, Aristides Guimarães, Raul Córdula, Celso Marconi, etc, etc, etc, foi um dos artífices de um movimento musical, cultural, comportamental que sacudiu o final dos anos 60 e que colocou o Brasil diante das inúmeras possibilidades de “deglutição e reprocessamento” (adotando aqui um termo apropriado para a questão antropofágica) de seus vários “brasis”. Movimento esse que andou na contramão de tudo o que se fazia na época como movimento musical bem alimentado e bem nutrido intelectualmente e de forma engajada em relação ao regime ditatorial que vivia o país (o referencial na época eram as músicas de protestos, produzidas por artistas de esquerda, alinhados com a juventude “universotária” paulista), ao assimilar guitarras elétricas, sintetizadores, músicas de alto teor visual às batidas dos pandeiros, berimbaus, unindo o samba ao rock’n’roll, os Beatles à Banda de Pífanos de Caruaru, o que possibilitou uma reavaliação e abertura maior de possibilidades à música brasileira que passou a ser feita a partir daí. Por causa de todo esse rebuliço, ele e Gil foram “gentilmente convidados a darem o fora do país”, indo viver um Londres, num exílio que durou em torno de 2 anos. Desde antes daí, também após voltar da Inglaterra, como até hoje, Caetano vem mantendo embate frenético com crítica e público. Diante disso, entra e sai de todas as estruturas, de peito aberto, alma de artista, dando a cara pra bater e devolvendo o tapa sempre que acha necessário. Vai do rock’n’roll reprocessado (Come as You Are) à música brega (Você não me ensinou a te esquecer) como quem vai na esquina, comprar pão, e volta tranqüilo e sorridente pra casa.

Mesmo assim, despertando ódio de tantos, é inegável a importância desse homem para a nossa cultura. É justamente através suas “contradicções” (parafraseando o mestre Jomard Muniz de Britto) que Caetano alimenta o jogo das dialéticas, introjeta veneno nas veias onde só corre um leite manso, sacoleja a cabeça de tantos, seja para concordar como para fazer pensar nas suas opiniões, criticando-as.

É por essas e outras que Caetano Veloso é capa da Revista Cult desse mês. Numa entrevista que está disponível na Internet (segue o link abaixo), ele fala sobre racismo, Estados Unidos, “antiamericanismo”, crítica, intelecutalidade, literatura, entre outras amenidades.

Encerro essa “ODE” a Caetano Veloso com uma frase dita por ele nessa entrevista e com a qual concordo completamente:

“Já escrevi, e reafirmo agora, que o Brasil precisa tornar-se o mais diferente possível de si mesmo para poder se encontrar.”

Link da entrevista:
http://revistacult.uol.com.br/website/entrevista.asp?edtCode=5CE31EF8-D245-4ACF-8449-9F6C2C3ECC1F&nwsCode=DC91FA2E-0294-4245-9EC0-8D11CE37657A

(ouvindo Pássaro Proibido – by Doces Bárbaros)