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30 julho 2008

amo

Eu ainda consigo ter forças pra ser muito mais do que a vida me permite ser, mesmo que muitos seres nesse mundo quase que inanimado se esforcem pra me dizer que não, que não serei nada além do que se convencionalmente permite. As convenções estão aí, pra serem colocadas. Eu nasci pra desobedecê-las. Por isso, ainda teimo em ser mais. Muito mais, muito além. Acho que ganhei liberdade pra isso. A vida me deu essa liberdade.

É isso. Às 3h57 começando a escrever isso, completamente cheio de Martini circulando pelos vasos sangüíneos. Hoje, me permito escrever ébrio, sem os filtros habituais dos sóbrios, que aniquilam tantos versos, tantas poesias, tantas cores, tantos amores, tanto do tudo que nos coloca paixões nas veias. Hoje, eu preciso de poesia, de lágrimas, de risos escandalosos também, me mostrando que há pulsão suficiente pra eu me sentir vivo, tão mais vivo do que já me senti.

E por me permitir essa vida, me permito também dizer o que dela me vem naturalmente, sem me cercear, na beleza do que ouço agora (Depende, cantada por Amelinha e Fagner), na pureza das coisas que sinto, das coisas que desejo que repousem sobre mim.

Sabores dos mais deliciosamente apaixonantes. Eu me sinto exalando a tão interminável profundidade de ser/ter felicidade esborrando pelos poros. Eu tenho meus amigos, meus queridos amigos. Minha música, que também são eles e deles. As pessoas que estão por aqui me soam como música. Essas pessoas são música. E músicas. E singulares/plurais percepções do tudo à minha volta.

Nos últimos dias, mais do que nunca, desfrutei de uma intensidade nunca antes degustada. É na medida dessa intensidade (ou além dela) que as coisas se colocavam; e mais vida se pretendia. E, no final das contas, mais corpo, alma, coração e vigor se exigia. E isso, no final das contas, exige muito do físico de um ser humano. Só que, dentro desse contexto, dessa vivência única, a alma, em si, recebe um upgrade formidável. E sabe por quê? Porque ela recebe estímulos a todos os momentos. As artes te cercam por todos os lados. As emoções te remexem a todos os momentos. As paixões (efêmeras, por certo; ou até aquelas mais cheias de durabilidade) são uma constante. Essas são as motivações mais belas (e ao mesmo tempo ambíguas) que se podem ter nesses dias vividos dentro de uma outra esfera de realidade, dentro de um outro contexto, onde tudo está exacerbado. E é nessa realidade (tão fulgaz, mas intensamente verdadeira) que a vida cobre-se de tão instigante lidar, de tão instigante ser/perceber/sentir, e que qualquer coisa que se faça nesse ínterim (seja o mais sublime gesto de carinho até a mais idiota atitude louca e bêbada) vale a pena.

Amo.

Amo do maior tamanho das pequenas coisas. E da maior de todas elas também. Mas me instigo em falar muito mais sobre a intensidade dessas pequenas coisas. Sabe por quê? Pois elas, aparentemente, nos dão uma conotação de muito simplismo, quando, na realidade, mesmo sendo pequeninas, estão cheias de sua mais essencial totalidade.. isso, quando digo que amo do amor do maior tamanho delas. A totalidade está aí, muito além da superfície das coisas que são apenas resquícios. E eu continuo sem ter medo de coisa alguma. Amo na totalidade sempre. Sejam as coisas pequeninas, simples. E sejam elas mesmas as mais grandiosas. O que importa é viver no cerne do afeto. Do mais puro amor.

Hoje, eu quero falar sobre tudo isso, sobre os amores, sobre a delícia de se viver.

E eu digo: tenho muito mais paixão pela forma poética como podemos enxergar, perceber e conduzir a vida. Ela só vale a pena se formo, repito, no cerne do que dela podemos sugar ao máximo, sem dó nem piedade. Até porque o que encontramos quando mergulhamos nela desaforadamente somos nós mesmos, despidos de qualquer amarra, unicamente embebidos em suor e suavidade.

Tenhamos em nossas vidas objetivos a serem alcançados. Mais exatamente aqueles que nunca conseguiremos alcançar; pelos quais travaremos uma luta cega, apaixonada. Pois esses objetivos nos levarão, sem que percebamos, a lugares muito mais íntimos e amplos do que poderíamos chegar a imaginar sobre nós mesmos.Esses caminhos inatingíveis nos dão cada vez mais força a ir além. E eu quero colocar toda a minha força de existência, todo o meu amor e minha vida no caminho dessa busca. Estarei eu lá, mergulhado, voltando ao início de tudo o que disse: sendo mais do que a vida me permite ser.

Entendem?

Lembro-me de Jomard agora: não digam “amém, amém, amém”. [...] digam “AMEM, AMEM, AMEM”

03 dezembro 2006

?

"pois eu estou aqui.. sou esse ar que você vai respirar.. " (Nando Reis)


eu hoje sou um pobre moço. arrefecendo, se esvaindo. a cada sílaba do que digo, transbordando de ternura, e de um amor tímido, porém gigante; mas tendo que derramar toda a água fora, tudo o que sinto pelas pessoas; na fugacidade delas me perco, me desagrego, me desconstruo. causa-me profunda infelicidade perceber que não se pode sentir, que não se pode deixar-se sentir. será que é pecado fazê-lo (o sentir)? ousá-lo (o sentir)? será que é pecado deixá-lo (o sentir) passear pela pele, pela alma, por todas as possibilidades de estar feliz quando se está com alguém? há algo de errado nisso? não quero apenas minutos, ou algumas simples horas de trocas de beijos e carícias, conseqüências de apenas “um clima”. não quero ter que sempre ouvir isso. o mesmo discurso vazio de sentido, efêmero. não quero que sejamos atores de histórias fugazes, de relações descartáveis. queria que o término de um dia não fosse, simplesmente, o fim das coisas. queria que os pálidos sorrisos de mera simpatia não fossem apenas inevitável opção de reencontro forçado, quando, na realidade, o reencontro deveria ser sempre um recomeço de tudo, uma nova busca pelo outro, e não uma premeditada distância, por medo, por egoísmo, por incapacidade de amor, por racionalidade exacerbada. não queria ter que desencontrar os olhos, fingir solidez, frieza, austeridade.. e eu pergunto: qual o erro que existe em estar-se pleno e deixar-se sentir? será que há algo de errado em demonstrar o que se quer, se sente, se deseja e se tem vontade? por que coisas tão puras, tão simples, tão belas, devem ser omitidas, como forma de demonstrar uma falsa segurança, apenas por uma artimanha como parte de um jogo estúpido, idiota, que não diz respeito a nada do que eu procuro? por que as pessoas se escondem atrás de um muro instransponível de insensibilidade? quero, sim, sentir, encantar-me, apaixonar-me, amar, desejar, isso tudo sem medidas e sem medo de dizê-lo, de mostrá-lo ou fazê-lo, e sem ter que me adequar a jogos. quero poder abraçar.


o que há de errado comigo? estou cansado de sempre ter que ser saboreado como um deleite de um dia qualquer, tão mundano e efêmero. não quero ter que mendigar atenção, mas não quero também ter que mostrar uma força viril apenas para impressionar ou mostrar-me dono de uma situação. que danem-se todas essas regras. não quero banalizar isso. não quero banalizar esse jogo medíocre da mera conquista estimulada pela agitação dos ferormônios por um patético acaso da sorte ou pela possibilidade de ter que “me dar bem hoje, pelo menos hoje”. sinto uma revolta (e uma decepção enorme) em ver o quanto temos que aprender a nos adestrar, a nos adequar a isso. eu não me acostumo com essas regras espúrias desse jogo. e isso é um jogo? pois, no jogo, para um ganhar, outro deve perder. isso é justo? é justo ter perdedores? é justo cada ostentar para si mesmo tamanha vaidade de, no jogo da conquista, ter sempre que se sair bem? quanta tristeza há nisso. quantos corações se machucam quando seria muito mais fácil deixar-se tocar o rosto, tocar a alma. minha doçura se esfacela, perde o fôlego, não mais se sustenta. ela é, para grande maioria dos jogadores, uma idiotice sem cabimento, uma empolgação desmedida e insensata. se sou insensato por sentir plenamente (pois só assim acredito que a vida vale a pena) e dar-me o direito de viver isso, de me entregar como ser humano que sou, que essa minha insensatez faça sempre parte do cardápio de todo o dia, que seja saboroso, que agrade ao paladar de quem quiser, junto comigo, também se lambuzar do mel da vida, de arriscar-se, de se jogar afoitamente na tara do amor, da paixão, dos encantamentos, dos afetos. pois tudo isso é vida, é amor, é paixão, é encantamento, é afeto, não apenas um jogo. isso é vida.

ando vivendo emoções demais ao mesmo tempo. desculpem-me.

29 novembro 2006

palavras & amor



Para ler ouvindo Now That I Now, by Devendra Banhart
Download através do link:
http://rapidshare.com/files/5388730/01-devendra_banhart-now_that_i_know.mp3.html

.. e os poemas, todos, cicatrizaram em sua língua.nada mais eram a não ser feridas, túrgidas, acariciando sua pele, suas fúteis e libidinosas ousadias. sua volúpia multiplicava-se infinitamente por muitas mil; ele acreditava ser possível conquistar pessoas e mundos com míseras palavras. quão vil era o propósito, todos pensavam. Mal sabiam que através dessas palavras, através de cada uma delas, ele era um pouquinho mais feliz e distanciava-se cada vez mais do mundo e das pessoas, para poder morrer em paz, tranqüilo.



Cometi agora esse pequeno texto acima. Assim, de sopetão, de repente. Veio-me de uma vez só. Ando um tanto quanto à flor de pele. Talvez, se visse algum beijo na novela, choraria. Quem sabe eu até chorasse por um punhado de amor. Mas não. Mendigar sentimentos é para os fracos. Mas isso não quer dizer também que eu me basto. Não tenho essa empáfia. Não ainda. Fui aprendendo a não ser estúpido a ponto de acreditar que migalhas alimentam um coração tão voraz e sedento quanto o meu, e também aprendi a não me desesperar por tais migalhas. Se vier o amor (quando digo amor, refiro-me a todo e qualquer tipo de sentimento que denote afeto, respeito, carinho, bondade, etc.), que seja de forma natural, porque aí sim, é verdadeiro, é puro, é terno, pleno. Trocando em miúdos (e surrupiando o nick de uma conhecida minha): “não trate com prioridade quem te trata como opção”. Dizendo assim, de forma mais concisa, curta e grossa.

O texto lá de cima fala, em poucas linhas, de uma espécie de refúgio (e até de alívio) que busco nas palavras para poder ficar mais em paz comigo mesmo. Decepcionado com a forma como as pessoas vêem e levam a vida (principalmente no que diz respeito ao amor, amizade, respeito ao seu próximo), me entorpeço através do que escrevo. É uma sensação de torpor alegre, feliz, suave, satisfeito, felicidade intensa. Distante das pessoas e mais próximo de mim, amo cada vez mais, e fico mais tranqüilo. Aprendi a não chorar por migalhas, mas não perdi o que há de afeto voraz e sedento em mim. Quero amor 24 quilates, com pedigree... felicidade e, quem sabe, um pouco mais até.



momento literário, celebrando o amor:

LUGAR DE SE VER

ela trazia borboletas no nome,
e um traço que há muito não se via
1 nome de porcelana,
pintado de giz.

e eu, nas asas delas, borboletas
saboreava o cheiro, o torpor,
selecionava por entre os dedos [talvez eles,
, pequenos e tímidos,
fossem a única coisa que as tocavas nesse momento]
suas mucosas, que se delineavam
por mim,
e por elas mesmas;
quantas delas denotavam mais de mil sabores
por entre as papilas de minha língua?

ela, naquele lugar de se ver,
me abordava, sucintamente,
queria apenas 1 beijo
e eu só pude lhe dar
o meu pequeno amor.

...

mocinho de bons modos sou eu.

06 novembro 2006

Estou aqui de passagem...


"Eu não sou da sua rua.. eu não sou o seu vizinho.. eu moro muito longe, sozinho.. " (Branco Mello/Arnaldo Antunes)

De que tamanho é o tamanho do amor de um homem transitório? Será que isso pode ser mensurado? Até que ponto esse amor pode trazer-lhe felicidades, e, ao mesmo tempo, profunda tristeza? Ou será que além desse homem, os próprios momentos que ele vive também são transitórios, e não passam apenas de momentos?

Questionei-me isso nesses últimos dias depois de ter que experienciar novamente uma sensação de amor, mas que, ao mesmo tempo, me ardia em feridas aparentemente cicatrizadas. Senti mais uma vez aquele velho sabor das lágrimas que escorrem dos olhos e passa pelos lábios. O mesmo sabor daqueles dias em que eu vivi um grande amor, e também grandes dores (talvez as maiores que já senti em minha vida).

Diante disso, tomar uma decisão: enfrentar esse mesmo amor novamente, suscetível a despertar conflitos cada vez maiores, apenas pelo fato de ser um sentimento tão puro? ou prezar pela minha integridade emocional, sentimental e psicológica, afastando de uma vez por todas todos os fantasmas, todas as dores (o que significa afastar de mim esse amor), tentando fechar as cicatrizes?

Imaginem que essa decisão tinha que ser tomada numa conversa, algumas horas de confissões, lágrimas, tendo como trilha sonora um repentista que versava sobre o amor, tendo como ambiente aquele Recife Antigo, tão lindo e ao mesmo tempo tão sombrio, com a escuridão de sua noite, como esse velho amor. Eu resolvi abdicar dele por não agüentá-lo mais, por sofrer com esse sentimento tão lindo, mas que me fez chorar tanto. Uma resolução muito difícil, dolorosa, mas necessária.

Acreditem, meus amigos: a força do amor não é tão grande como assim a imaginamos. Digo isso com plena convicção (com uma certa ponta de decepção também). Mas juro que se isso fosse verdade, hoje eu seria alguém mais feliz. Ao lado de alguém que seria também feliz, caso quisesse.


Mas diante disso, acredito que, independente de toda a tristeza que esse passado possa ter causado, eu tenho hoje um coração ainda mais aberto para o hoje e o amanhã. E é isso que importa.

...

Amigos. Não se preocupem mais. A moça que falou comigo no show de Nando Reis se identificou. A minha campanha de busca logrou êxito rapidinho. No dia seguinte ao post eu já tinha a “revelação”.. hahahaha.. O nome dela é Adrielle. Chegou até o meu blog através do meu amigo Fábio Fernando Diniz, um moço muito alto, que o que tem de grande tem de bom coração.

Ela me deixou um comentário, que resolvi não publicar, por conta do e-mail
dela que ela colocou, para não expô-la. Porém, pedi autorização a ela para que eu pudesse postar o seu comentário aqui no blog (omitindo o e-mail no caso); ela aceitou.

Ela disse o seguinte:

Como de costume, uma leitora assídua vem ao blog, começa a fazer sua leitura, chega a entrar em plena catarse e quando os sentimentos estão borbulhando, acontece algo magnífico, de uma plenitude inigualável.


Confesso que fiquei fascinada com o que li, pois não esperava essa ‘campanha’. Não por duvidar de você, mas essa ‘busca’ estava partindo de mim. E afinal de contas, a sensação foi tão surpreendente como o fato de te reconhecer em meio a tantas pessoas e por fim, acabar me apresentando a ti

O episódio da sexta foi tão repentino, que nem pensamos numa possível troca de contatos. Acredito que no meu inconsciente estava guardada a possibilidade de ter o endereço do teu e-mail disponível no perfil. Tanto é, que essa foi a primeira atitude que tomei pra te encontrar, mas não foi bem sucedida. Logo após, tentei pelo nosso amigo em comum: Fábio (“aquele que é desse tamanho?” – de quem foram essas palavras?); mas não obtive resultado. Já tinha decidido deixar um comentário aqui no blog me identificando, mas você foi mais ágil e conseguiu um resultado instantâneo. Sua campanha foi bem sucedida, pois terei o maior prazer em manter contato com você!

O nome da sua leitora/fã/cidadã, tão procurada é Adrielle e o endereço do e-mail é: (----------)

Aguardo pelo contato!

=]"

Bonito, né, gente? Fico feliz com essas coisas.


Poréééééém, começo aqui outra campanha.. hahahaha.. uma moça chamada “Manu” já fez uns dois comentários nesse meu blog. Muito elogiosos também. Só que eu não sei quem é essa Manu. Das que eu conheço, duas afirmaram não ter comentado nada, e as outras nem sequer sabem da existência desse blog. Então, gostaria que essa Manu se identificasse. Dissesse quem é, através de que (ou de quem) conheceu o meu blog, etc e tal. Mesmo procedimento. Basta se identificar que eu entro em contato.

Bem, pessoas..

Por hoje é só.

(ouvindo Mingau de Cachorro, by Sa Grama)

23 outubro 2006

Quanto amor... quanta dor...

"deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que todo revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor " (Che Guevara)

Apaixono-me pelo que há lá dentro das pessoas...
Pela menor partícula de coisas lindas que nelas possam habitar...
Pela sutil camada de beleza delas (mesmo que tragada, esquartejada, jogada às traças, pelos seu próprios possuidores, por medo, indecisão, defesa ou mesmo desamor)...
Pelas suas palavras, pelos seus gestos, que fazem voltas, giram, rodopiam,
Desenham no vento, exalam perfumes, me absorvem
Apaixono-me pelas pessoas de forma a querer tudo e mais um pouco
Não me contentando com migalhas, com pequeníssimas coisículas
Seus sorrisos me seduzem, abraços e toques me deixam em pleno êxtase
Vivas! Vivas! Vivas!
Tudo assim, pipocando dentro do peito, latejando, ardendo
Queimando, se espalhando, da cabeça aos pés, do corpo à alma
E não precisa de muito tempo... o estalo é repentino...
Chega, se instala e se debate, de inquietude e ansiedade
Em mim é certeiro, violento, agressivo, visceral
Toma-me de rompantes, de poesia querendo se lançar, se jogar,
Sem medir conseqüências, querendo apenas externar-se
Desejo profundo, íntimo, terno, amoroso
Pra mim, é tudo muito normal
Mas o mundo está se esvaziando disso
Perdendo a respiração, o fôlego, não inflama mais
As pessoas estão ficando em preto-e-branco-e-cinza
E o vazio vai tomando forma
Forma de absolutamente tudo, preenchido por uma imensidão de nada
Fui aprendendo aos poucos, aos pouquinhos...
Fui sendo catequizado, devagarzinho, a habitar nesse mundo de sentimentos pequeninos
De gente miúda, que não rima, que não se destina, que se enche de empáfia
Que age agressivamente com a vida, que não ama, que não vê em nada a poesia
Parte de uma funcionalidade anestésica,
Que só tem como função primordial manter o ritmo da máquina
A máquina fria, objetiva, incisiva, pragmática
Eu quero mais é me arriscar, é a vida inteira,
Lambuzar-me completamente do seu mel, e do seu féu
Intervir em suas possibilidades, coexistir em todas elas
Só assim a vida vale a pena
Porém, sinto-me vítima de um certo deslocamento temporal da sensibilidade que trago em mim, na sua relação com os outros
Essa minha urgência em viver, essa minha vontade de tê-la por inteiro, a vida
Acaba me colocando em desaviso a respeito das malícias humanas,
Mesmo das malícias naturais, ingênuas, involuntárias
Mas, mesmo assim, malícias
Dessas que te deixam só, chorando ao ir dormir,
Encharcando o travesseiro...
O tanto que isso já me foi comum,
Amargor sem fim, que vai possuindo a alma, o coração
E mesmo tendo como vontade imperativa o amar,
O “desamar”, o desrespeito à condição humana desfere golpes violentos
Consolida marcas, cicatrizes horrendas,
E vai corroendo devagarzinho cada milímetro do que ainda resiste
Como forma essencial de amor...
O mundo está se esvaziando,
as pessoas também
E isso dói.

20 setembro 2006

Faça!































De acordo com o dicionário Houaiss:

fazer
acepções:

■ verbo 1 produzir através de determinada ação; realizar, obrar transitivo direto

(...)

2 realizar (algo abstrato) transitivo direto e bitransitivo

(...)


Esses são apenas dois significados que a palavra fazer simboliza. Entre tantas outras acepções descritas nos dicionários da vida, gostaria eu de ousar dizer o que vem a ser, de acordo com o que o penso, o sentido de fazer.

O ato de fazer algo não implica necessariamente, e no(s) sentido(s) estrito(s), apenas a ação em si e por si só.

Fazer envolve escolhas, reflexões ou impulsividade, consciência ou pleno desconhecimento, vontade própria ou obrigação, cálculo prévio ou riscos incalculados, mobilização ou acaso, motivação, algumas vezes ousadia e rebeldia, segurança e insegurança, paixão, controle absoluto e descontrole total, necessidade ou capricho, condições favoráveis de atuação, apoio ou desaprovação, etc e tal.

Ou seja, o ato de realizar algo, um gesto, uma escolha, uma atitude, um empreendimento envolve uma série de fatores, muito harmônicos e tantos outros díspares, que se confrontam antes, durante e depois do fazer em si. Fazer algo envolve, algumas vezes, o simples desejo de fazê-lo, de colocar em prática, de realizar uma vontade. Porém, também envolve uma vastidão de conflitos e questionamentos, pelo simples fato de que um simples fazer algo pode nos afetar a vida (em vários âmbitos) e a vida de tantos outros.

O ideal seria que, no mínimo, nós soubéssemos equilibrar a razão e a emoção no momento de uma escolha. Porém, seres humanos imperfeitos que somos, sempre pendemos parcialmente ou totalmente para um único lado. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom pelo fato de que acaba nos ensinando a exercitar a nossa capacidade de empreendimento e posterior reflexão acerca das vantagens e desvantagens que aquela atitude acarretou, e de poder, então, buscando o equilíbrio, saber dosar as quantidades de amor e de razão que devem conter cada passo. E ruim pelo fato de que esse aprendizado nem sempre é absorvido de forma agradável. Muitas vezes (e na maioria dela) envolve grande sofrimento, dor e cobranças, tanto suas quanto, principalmente, dos que o cercam.

Há coisas que quero fazer.
Há coisas que dizem que eu devo fazer.
Há coisas que preciso fazer.
Há coisas que amo fazer.

Eu tenho o defeito (ou a virtude) de sempre pender para o lado do amor. Faço as coisas que me apaixonam, que me movem, que me dão sentido, realização e existência nesse mundo. E é justamente por isso que ando tendo uma série de crises, de conflitos, de angústias nos últimos tempos.

Ter feito jornalismo = profissão convencional, “rentável” (isso no pensamento de nossos pais, que acreditam que o cara se forma e vai direto pra Rede Globo, apresentar o Jornal Nacional). Temos que ter um diploma, né? Essa é uma obrigação e uma prestação de contas que devemos dar aos nossos educadores, nossos formadores e à nossa sociedade, tão vil, hipócrita e desrespeitosa com a nossa condição humana.

Fazer um mestrado = ampliação do meu campo de conhecimento. Aprender, conhecer, saber, pesquisar. Isso me interessa. Isso me faz bem. Porém, dentro dessa realidade: aprender mais. Muitas vezes levam para a melhoria das possibilidades de engendrar no mercado de trabalho (o acadêmico, no caso).

Ter que fazer um concurso público = ganhar dinheiro. Necessidade de sobrevivência. Sustento. Única e exclusivamente. É preciso (?).

Música = necessidade para a vida. Alimento. Alma. Dança cósmica. Felicidade. Prazer. Realização como ser humano. É isso que quero, que preciso, que amo. Porém, qual o respaldo que nossa família dá? Digo família de classe média-média, provinciana, machista, que tem uma “ovelha negra” entre si; família que se interessa e acredita ser apenas o essencial dar “casa, comida e plano de saúde” para os seus, e quer perpetuar essa pensamento pequeno-burguês por tantas outras gerações, não se importando com a real necessidade que este seu precisa para ter alegria de viver. Não digo a família classe média altíssima, que dá todos os subsídios para que os seus vivam de música sem se preocupar com cobranças ou com um futuro amargo.

Escrita = é o mesmo caso que a música. Só que ainda num campo mais restrito de ampliação da sua possibilidade de gerar ganhos com essa atividade. Mas me alimenta com a mesma intensidade que a música. É através dela que atravesso-me por completo, deixando vestígios indeléveis desse mundo em mim, e de mim no mundo, tocando, pesando a mão e o poder da alma e do coração no meu próprio pensamento e no de tantos outros. O poder da linguagem é o que nos (in)traduz nesse mundo tão estranho.

Abrir a guarda pelo sentimento que nutre por uma mulher = nesse caso, é um dos mais complicados “fazeres”, pois você se deixa levar ingenuamente pela possibilidade de que um dia essa relação seja recíproca, de que te trará felicidade. Quase nunca é assim, e você se fere, se deixa ficar ridículo, idiota, imbecil, fraco. Seria muito mais fácil que sentimentos tivessem bula, tudo escrito e descrito. Mas quem disse que sentir é fácil? E fico triste.

Morar só = as coisas se encaminham inevitavelmente dessa forma. Como ter condições psicológicas, emocionais, financeiras para isso quando você se recusou a fazer tudo o que lhe daria retorno financeiro para arriscar-se na vida a querer e tentar fazer o que te move, o que te alimenta de amor e felicidade?

Afinal, fazer também é se arriscar.
Viver é se arriscar. E eu prefiro fazer isso com amor.


(ouvindo Quilombo/Tiro de Misericórdia/Escadas da Penha – by Acústico MTV João Bosco)

16 julho 2006

uma água cercada de terra por todos os lados

Experienciar as sensações, todas elas, convergindo em mim, perambulando, trafegando, remexendo, encantando tudo ao meu redor e também me dilacerando, esmigalhando toda as minhas possibilidades de ver felicidade na vida. Talvez seja esse o meu defeito; ou talvez não, talvez não seja um defeito, apenas uma forma peculiar (e bota peculiar nisso) de sentir o mundo, as pessoas, os sentimentos. Eu me permito viver tudo, da forma mais plena e visceral, apaixonada, “sem economias” (como me disse uma vez Fernanda Santos, num depoimento pra mim, no orkut).

É essa minha relação passional com o mundo que acaba encantando algumas pessoas, fazendo outras temerem pela minha integridade emocional, e outras até se assustarem com isso. Na opinião dessas duas últimas eu me entrego demais, eu me apego fácil, eu vivo tudo de forma muitíssimo exacerbada, o que causa certo estranhamento. Eu já vejo de outra forma: acho que as pessoas é que vivem de menos, sentem de menos, se apaixonam de menos. Eu apenas vivo na medida e no limite que a vida me dá como brechas; se isso é um erro, eu sou o cara mais errado do mundo.

Eu amo, amo demais, tudo e mais um pouco. E sei que no mundo em que vivemos hoje, cada vez mais desumanizado, frio, individualista, onde as pessoas têm medo e relutância em SENTIR, esse meu comportamento é, no mínimo, kamikaze. E eu me apaixono por um toque, um olhar, uma palavra, um cheiro, uma essência, uma energia, um abraço, um beijo.. enfim, eu me apaixono por tudo que possa me provocar sensações carnais, espirituais, afetivas, etc. E é nesse ponto que vejo o quanto a efemeridade das coisas, a fugacidade tão agressivamente volátil delas se revela por inteiro, nessas experiências com os outros, ditos “seres humanos”, nessas relações interpessoais, nesse vazio de sensações e na total indiferença que se manifestava no segundo seguinte ao do amor.

Muitas dessas moças que passaram pela minha vida despertaram coisas bonitas, agradáveis, interessantes (cada uma delas sabe muito bem seu valor na minha vida). Só que, geralmente, não passava de um ou dois encontros.. o comportamento refratário vinha logo em seguida, aliado a uma frieza, evitando-me, fugindo de mim.. E a tristeza, desordeira, se instalava por completo, por eu sentir que não fui capaz de despertar beleza nelas, as moças. Ultimamente, tenho me incomodado profundamente com isso.. com essa inconstâncias e com a velocidade com que essas relações são descartáveis e fenecem, se diluem, pulverizadas, num simples "tchau", num desencontro de almas.. meu corpo, minha alma e meu coração andam se cansando dessa repulsa em querer viver que há nas outras pessoas, ou da “não-doação” às possibilidades de sentir que elas poderiam me dar, para que eu mostrasse o quanto seres humanos lindos querem/precisam viver em harmonia, amando, na poesia do abraço, do beijo, do sexo e de um amor absurdamente belo. Será que eu estou errado? E mesmo que eu esteja, sou teimoso, insisto e acredito que ainda há muito de ser humano nessas pessoas que eu freqüento/freqüentei/freqüentarei. Ainda acredito muito que vou provar um pouco do sabor de felicidade nessas relações passionais. Não quero perder minha capacidade de sentir o lúdico nas coisas da vida. Esse lúdico que tanto tem me acariciado como também me atormentado, quando percebo que converso com pessoas o dia inteiro, sobre os mais diversos assuntos, e no final das contas sou eu, na multidão de prazeres e regozijos efêmeros, buscando essência onde só restam ossos e ferrugem.

Essa postagem é para todas as mulheres que passaram pela minha vida, e para todas que ainda virão.

aahhh, se ela soubesse que eu estou aqui, por inteiro.