Como é orgasmático o sexo entre a música e a poesia. Provam, se lambuzam, se deleitam desse tesão os que tem ousadia de se permitirem essa lascívia, além de também se respigarem desse gozo por todos os poros da alma e do coração. É o caso de Jomard Muniz de Britto e a Comuna.
No site www.mp3magazine.com.br foi lançado o disco JMB em Comuna, parceria coesa, estimulante, provocadora e também inquietante entre a poesia de Jomard e a música dos integrantes da Comuna (ex-Experimental). Não há como sair ileso das sensações (boas ou ruins) que o disco pode causar.
São 10 faixas em que os “atentados poéticos” de Jomard entram em consonância com as dissonâncias da música densa e de incômoda profundidade da Comuna.
A Comuna, composta por Ricardo Maia Jr., que produziu o disco, Glauco Segundo, Bruno Freire e Amaro Mendonça, concebeu as faixas de duas formas: procurando encaixar composições musicais já existentes aos atentados poéticos de Jomard, percebendo (trabalho que denota uma sensibilidade aguçada) o que mais aproximava uma ponta da outra (música e poesia), provocando, então, a osmose. E a segunda forma foi criando improvisos em cima dos poemas de Jomard.
Um casamento perfeito entre a poesia caótica, pop-filosófica de Jomard Muniz de Britto, um verdadeiro emaranhado de “pós-tudos”, contradicções, onde tudo percorre linhas tênues entre o entendimento e a semântica de uma coisa e outra, onde uma coisa e outra se percorrem: a música, o cinema, a metalinguagem, a psicanálise, a política, o cotidiano, e tudo o mais que possibilite tangenciar o extremo absurdo mergulhado na mais absoluta razão, com doses intencionais de uma ironia “tropicalisticamente” correta, e a música intimista, reflexiva e, repito, inquietante da Comuna, repleta de texturas, de momentos brancos e negros, profundamente forte na sua intenção e reação.
No site, todas as faixas estão disponíveis para download, além de uma matéria sobre a feitura do disco e uma entrevista exclusiva com Jomard Muniz de Britto, que comenta sobre sua obra e, mais especificamente, sobre esse trabalho em parceria com a Comuna.
Esse que vos fala também participa virtualmente do trabalho, com sua percussão nervosa (nesse caso, nem tão nervosa assim) em 4 das faixas que compõem o disco.
Cuidado para não perder o fio da meada das palavras de Jomard, entremeadas pelos acordes da Comuna.
.....
Outra dica para se ouvir e sentir é o som do Rivotrill.
Composto por Rafael Duarte (contrabaixo), Eluizo Júnior (flauta transversal, sax e teclado) e Lucas dos Prazeres (percussão), o Rivotrill tem 1 ano de vida e tem como mote “fazer música instrumental com bom humor e qualidade”. A partir das influências dos três jovens músicos (26, 22 e 21 anos), enovelam-se de forma coesa e belamente emotiva elementos que vão da mais alta liberdade jazzística, trafegando pelo latino, regional, pitadas de algo árabe rondando, tudo isso composto a partir do “triálogo” entre a esperteza e sagacidade da flauta de Eluizo, da instigação percussiva de Lucas e da precisão, leveza e balanço do contrabaixo de Rafael.
Ao se ouvir o Rivotrill, percebe-se ali uma profusão de sons, que permitem a quem ouve viajar pelos mais diversos ambientes, sem se perder da condução e do destino a que essas músicas se arvoram, que é produzir um estado de intenso bem estar. É como se cada compasso fosse composto de tons diferentes, de cores que se alternam em seu sentido e em sua amplidão, em sua possibilidade de se misturarem numa fração de segundos; um degradê tão sutil de intenções, de tempos, de pegadas, de ritmos, que nos põe a respirar diferente a cada momento da música, que nos faz sentir instigações e profunda letargia a cada instante ou ao mesmo instante de cada uma das músicas.
Acredito que essa sensação seja mais propícia e mais acertada ainda pelo fato de eles produzirem música instrumental, que necessita uma maior atenção do ouvinte, ao mesmo tempo que também tem um quê de liberdade grandiosa, seja pela formação musical dos meninos como pelas possibilidades que a música que eles optaram por fazer permite.
Pra quem não conhece ainda, recomendo ver, ouvir, prestigiar, viajar. O trio está preparando o seu primeiro espetáculo, intitulado Curva de Vento. Fiquem atentos!
Na rede estão disponíveis:
Comunidade no orkut - http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25314371
no site RecifeBlues (onde você pode encontrar mp3 e vídeos da banda) - http://www.recifeblues.com.br/bandas.rivotrill.html
no site da Trama Virtual - http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=59204
Um grande abraço a todos e um fim de semana musical e poético.
23 dezembro 2006
música, jazz e pop-filosofia
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13 dezembro 2006
O futebol, a majestade e o funk
Sonhar não custa nada, meu povo. Que o diga Ricardo Teixeira, Presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Hoje, ele assinou a candidatura oficial do Brasil à sede da Copa do Mundo de 2014. O Brasil é um candidato fortíssimo (afinal, é o único). Mas o que acho um disparate, até mesmo uma insolência, digamos assim, é acreditar que o Brasil tenha condições de sediar uma Copa do Mundo. E quando digo isso, não me refiro apenas à condição financeira, afinal, para se sediar um evento desse porte é preciso despender uma enorme quantia de dólares, mobilizar a iniciativa privada e pública (acredito que esse nem seja um problema tão grande assim), ter-se estrutura física para tal (como bem sabemos, não temos estádios de futebol tão bem organizados e tecnologicamente tão bem aparelhados pra esse intento). Refiro-me também à questão cultural mesmo. Educação, pra ser mais exato. Um país onde a paixão nacional é o futebol, mas que tem um público de futebol completamente mal educado, violento. Podemos observar, vez por outra, o “espetáculo” de violência que as torcidas organizadas (ou alguns indivíduos isoladamente) promovem de tempos em tempos. Um povo que não sabe assistir a uma partida de futebol sem partir para o vandalismo, em alguns casos culminando na morte de torcedores. Onde a polícia tem, muitas vezes, trabalho pra conter a turba ensandecida de fanáticos imbecis que não sabem simplesmente torcer.
Daí, podemos partir pra parte da segurança propriamente dita. Qual a segurança que o Brasil poderá assegurar para visitantes do mundo inteiro que virão assistir a um dos maiores espetáculos esportivos do planeta? O Estado não consegue prestar o devido serviço a nós, seus compatriotas, quem dirá pros pobres gringos. Já estou vendo gringo sendo seqüestrado, assaltado, tendo carro roubado, e outros mimos mais. E voltando à questão da educação (mirando agora no que podemos classificar como caráter ou o desvio dele), chegamos aos cambistas. Um país onde essa prática é mais do que comum, banal (é uma lástima ter que reconhecer isso). Acredito (assim como quase todos, eu creio) que o esquema é de convênio. Os clubes destinam determinada porcentagem de ingressos para que os cambistas vendam mais caro, cada um tendo sua parte nos lucros adicionais.
Diante de tudo isso, eu pergunto: qual a moral que o Brasil tem pra sediar uma Copa do Mundo? Logo o Brasil, que é o “país do futebol”. Eu hein.
....Gente. Tô curiosíssimo pra ver o especial do Roberto Carlos, no próximo sábado. Única e exclusivamente por um motivo, apenas: a participação especialíssima do meu xará, MC Leozinho. Imaginem só o REI cantando: “.. se ela dança, eu danço (...) ela só quer beijar, beijar, beijar, beijar.. (...).. FALEI COM O DJ..”. Pois é, pra quem não acredita, é isso mesmo que ele irá cantar com o MC. Pra comprovar, basta assistir ao especial neste sábado, na Globo. Será que o Roberto vai fazer os passinhos de funk? É o REI cada vez mais pós-moderno, dialogando com todas a vertentes da música brasileira, da música de massa. Esse é O REI, não abandonando nenhum de seus súditos.
Mas por favor, gente. Sem preconceitos. Há quem reprove esse tipo de música, ou por ser funk, ou por causa da letra e tal. Mas quem recrimina uma música que diz “ela só quer beijar, beijar, beijar..”, deveria também recriminar o “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, quando cantava “ela só quer, só pensa em namorar..”. Dá na meeeeeesma, meu povo. É tudo moça fogosa!!! O que muda é apenas a linguagem musical, o estilo, mas o que se diz é a mesma coisa. E antes que falem mal do Roberto por estar cantando com o Leozinho, atentem para o que há de mais importante (porém, mais implícito) nisso: a música de massa, essa que vemos aí, essa música de periferia (seja a periferia que nos remete às favelas, ou seja a periferia intelectual), é que mais dialoga com o povo, com esse povo grande, brasileiro, iletrado. Estabelecer esse diálogo com essa camada da população (que os cabeçóides tentam ignorar, mas ela existe) é dizer NÃO a um apartheid cultural/intelectual que muitas vezes vigora nesse mundo artístico. Viva o funk de periferia, abaixo a hipocrisia (e também a baixaria).
É isso, meu povo. Por hoje é só.
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03 dezembro 2006
?
"pois eu estou aqui.. sou esse ar que você vai respirar.. " (Nando Reis) eu hoje sou um pobre moço. arrefecendo, se esvaindo. a cada sílaba do que digo, transbordando de ternura, e de um amor tímido, porém gigante; mas tendo que derramar toda a água fora, tudo o que sinto pelas pessoas; na fugacidade delas me perco, me desagrego, me desconstruo. causa-me profunda infelicidade perceber que não se pode sentir, que não se pode deixar-se sentir. será que é pecado fazê-lo (o sentir)? ousá-lo (o sentir)? será que é pecado deixá-lo (o sentir) passear pela pele, pela alma, por todas as possibilidades de estar feliz quando se está com alguém? há algo de errado nisso? não quero apenas minutos, ou algumas simples horas de trocas de beijos e carícias, conseqüências de apenas “um clima”. não quero ter que sempre ouvir isso. o mesmo discurso vazio de sentido, efêmero. não quero que sejamos atores de histórias fugazes, de relações descartáveis. queria que o término de um dia não fosse, simplesmente, o fim das coisas. queria que os pálidos sorrisos de mera simpatia não fossem apenas inevitável opção de reencontro forçado, quando, na realidade, o reencontro deveria ser sempre um recomeço de tudo, uma nova busca pelo outro, e não uma premeditada distância, por medo, por egoísmo, por incapacidade de amor, por racionalidade exacerbada. não queria ter que desencontrar os olhos, fingir solidez, frieza, austeridade.. e eu pergunto: qual o erro que existe em estar-se pleno e deixar-se sentir? será que há algo de errado em demonstrar o que se quer, se sente, se deseja e se tem vontade? por que coisas tão puras, tão simples, tão belas, devem ser omitidas, como forma de demonstrar uma falsa segurança, apenas por uma artimanha como parte de um jogo estúpido, idiota, que não diz respeito a nada do que eu procuro? por que as pessoas se escondem atrás de um muro instransponível de insensibilidade? quero, sim, sentir, encantar-me, apaixonar-me, amar, desejar, isso tudo sem medidas e sem medo de dizê-lo, de mostrá-lo ou fazê-lo, e sem ter que me adequar a jogos. quero poder abraçar.
o que há de errado comigo? estou cansado de sempre ter que ser saboreado como um deleite de um dia qualquer, tão mundano e efêmero. não quero ter que mendigar atenção, mas não quero também ter que mostrar uma força viril apenas para impressionar ou mostrar-me dono de uma situação. que danem-se todas essas regras. não quero banalizar isso. não quero banalizar esse jogo medíocre da mera conquista estimulada pela agitação dos ferormônios por um patético acaso da sorte ou pela possibilidade de ter que “me dar bem hoje, pelo menos hoje”. sinto uma revolta (e uma decepção enorme) em ver o quanto temos que aprender a nos adestrar, a nos adequar a isso. eu não me acostumo com essas regras espúrias desse jogo. e isso é um jogo? pois, no jogo, para um ganhar, outro deve perder. isso é justo? é justo ter perdedores? é justo cada ostentar para si mesmo tamanha vaidade de, no jogo da conquista, ter sempre que se sair bem? quanta tristeza há nisso. quantos corações se machucam quando seria muito mais fácil deixar-se tocar o rosto, tocar a alma. minha doçura se esfacela, perde o fôlego, não mais se sustenta. ela é, para grande maioria dos jogadores, uma idiotice sem cabimento, uma empolgação desmedida e insensata. se sou insensato por sentir plenamente (pois só assim acredito que a vida vale a pena) e dar-me o direito de viver isso, de me entregar como ser humano que sou, que essa minha insensatez faça sempre parte do cardápio de todo o dia, que seja saboroso, que agrade ao paladar de quem quiser, junto comigo, também se lambuzar do mel da vida, de arriscar-se, de se jogar afoitamente na tara do amor, da paixão, dos encantamentos, dos afetos. pois tudo isso é vida, é amor, é paixão, é encantamento, é afeto, não apenas um jogo. isso é vida.
ando vivendo emoções demais ao mesmo tempo. desculpem-me.
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29 novembro 2006
palavras & amor
Para ler ouvindo Now That I Now, by Devendra Banhart
Download através do link: http://rapidshare.com/files/5388730/01-devendra_banhart-now_that_i_know.mp3.html .. e os poemas, todos, cicatrizaram em sua língua.nada mais eram a não ser feridas, túrgidas, acariciando sua pele, suas fúteis e libidinosas ousadias. sua volúpia multiplicava-se infinitamente por muitas mil; ele acreditava ser possível conquistar pessoas e mundos com míseras palavras. quão vil era o propósito, todos pensavam. Mal sabiam que através dessas palavras, através de cada uma delas, ele era um pouquinho mais feliz e distanciava-se cada vez mais do mundo e das pessoas, para poder morrer em paz, tranqüilo.
Cometi agora esse pequeno texto acima. Assim, de sopetão, de repente. Veio-me de uma vez só. Ando um tanto quanto à flor de pele. Talvez, se visse algum beijo na novela, choraria. Quem sabe eu até chorasse por um punhado de amor. Mas não. Mendigar sentimentos é para os fracos. Mas isso não quer dizer também que eu me basto. Não tenho essa empáfia. Não ainda. Fui aprendendo a não ser estúpido a ponto de acreditar que migalhas alimentam um coração tão voraz e sedento quanto o meu, e também aprendi a não me desesperar por tais migalhas. Se vier o amor (quando digo amor, refiro-me a todo e qualquer tipo de sentimento que denote afeto, respeito, carinho, bondade, etc.), que seja de forma natural, porque aí sim, é verdadeiro, é puro, é terno, pleno. Trocando em miúdos (e surrupiando o nick de uma conhecida minha): “não trate com prioridade quem te trata como opção”. Dizendo assim, de forma mais concisa, curta e grossa.
O texto lá de cima fala, em poucas linhas, de uma espécie de refúgio (e até de alívio) que busco nas palavras para poder ficar mais em paz comigo mesmo. Decepcionado com a forma como as pessoas vêem e levam a vida (principalmente no que diz respeito ao amor, amizade, respeito ao seu próximo), me entorpeço através do que escrevo. É uma sensação de torpor alegre, feliz, suave, satisfeito, felicidade intensa. Distante das pessoas e mais próximo de mim, amo cada vez mais, e fico mais tranqüilo. Aprendi a não chorar por migalhas, mas não perdi o que há de afeto voraz e sedento em mim. Quero amor 24 quilates, com pedigree... felicidade e, quem sabe, um pouco mais até.
momento literário, celebrando o amor:
LUGAR DE SE VER
ela trazia borboletas no nome,
e um traço que há muito não se via
1 nome de porcelana,
pintado de giz.
e eu, nas asas delas, borboletas
saboreava o cheiro, o torpor,
selecionava por entre os dedos [talvez eles,
, pequenos e tímidos,
fossem a única coisa que as tocavas nesse momento]
suas mucosas, que se delineavam
por mim,
e por elas mesmas;
quantas delas denotavam mais de mil sabores
por entre as papilas de minha língua?
ela, naquele lugar de se ver,
me abordava, sucintamente,
queria apenas 1 beijo
e eu só pude lhe dar
o meu pequeno amor.
...
mocinho de bons modos sou eu.
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20 novembro 2006
Sabe-se lá, Deus..
“eu sou o herói, só deus e eu sabemos como dói” (Caetano Veloso) .. ou o diabo até!!! Tudo de mim e mais um pouco. Agora dá pra falar, agora sim.
Meus queridos.. mudar de casa é mudar de mundo, sabia? Mas fugindo um pouco desse sentido concreto, geográfico da coisa, pensemos um pouco mais profundamente sobre isso. A gente muda de mundo o tempo todo. Mudamos de freqüência, de vibe, de sentido, de percepção. Somos [in]constante mutação a todo tempo e a toda vista. Basta perceber-se todos os dias. A luz que bate na nossa cara de manhã cedo muda, passa o dia mudando, até virar escuridão. A nossa respiração muda, no descanso, no cansaço, no sexo, na masturbação (isso é solidão ou não?). Nossa intenção com cada coisa do mundo muda a todo instante. Nossa vista avista cada coisa diferente a todo instante, e se debruça sobre cada mínima molécula de tudo de um jeito diferente, novo. Nunca nada será a mesma coisa daqui a 1 segundo. Até o amor e o ódio se interceptam, em osmose, e trocam de lugar o tempo inteiro. Mudar de casa, gente, é apenas mais um movimento desses bruscos que fazemos durante nossa vida, por isso é mais perceptível e menos compreensível, pelo menos pra mim o foi. Estou de casa nova, agora (meu coração ainda mora em todos os lugares onde me sinto bem.. apenas meu corpo habita novo espaço geográfico agora). A semana foi uma correria. Arrumando, organizando, resolvendo pendências de mudança.
Quero deixar aqui um agradecimento muitíssimo especial a uma moça linda e querida de minha vida: Luciana Cardoso, minha luz de luz de luz de luz que me ilumina; que me ligou durante toda a semana pra saber como estavam indo as coisas comigo. Sempre atenciosa, preocupada, amiga, linda! Fico feliz de ter você na minha vida, viu, minha amiga? Tem dias que eu penso o quanto respirar o mesmo ar que você me deixa mais alegre.
Depois disso, uma sexta-feira em que consegui desopilar.. fui ao meu querido e famigerado Bigode, sozinho. E, sem planejar nada, tive uma noite de ótimas surpresas e bastante agradável. Conheci gente nova, o que me faz bem. As pessoas me fazem bem, as pessoas que gosto de cara me fazem muuuuuito bem. Freqüentar pessoas e ser freqüentado por elas, na medida da nossa sensibilidade, isso é o que mais me dá tesão nesse mundo. E é isso que me faz respirar melhor. E existe uma comunicação bela nisso tudo. Sem pretensões, sem que se peça nada, a gente sorri e pronto, tá feito. O resto, o mundo nos permite de forma delicada.
Depois disso, também sem planejar, ligo para os amigos Lucas e Larissa (papai e mamãe da linda Gabriela) e proponho uma visita minha a eles.. isso em plenas 23h e alguns minutos.. eu falo com Larissa: “e aí? Rola eu ir ver vocês?” ela: “claro que sim”.. eu: “e se tiver cerveja?” ela: “melhor ainda”.. aí fui.. assistindo DVD de Lenine, João Bosco (imitando ele cantar, interessantíssimo, novíssimo.. hehehehe).. tirando fotos, tomando cerveja, comendo tira-gostos fenomenais que Larissa fez pra todos nós e conversando muito com Lucas (imaginem só.. dois músicos conversando, o que sai, né? O papo é música, música, música, música.. o tempo inteiro.. hehehehe). A noite foi tão boa que passou rápido: amanheceu e eu ainda estava por lá....
Amiguinhos, momento divulgação: VILA NOVA TAMBÉM ESTÁ NO YOUTUBE!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!! Os moços da Comuna têm feito um trabalho interessante com o “pós-tudo-tropicalista”, Jomard Muniz de Britto. Bricolagens de vídeos do dito cujo, com a voz do próprio recitando textos seus, estão entrando no ar no youtube, com produção de Ricardo Maia Jr. No segundo vídeo, JMB em Comuna 2, uma percussão feita por esse que vos fala, Leonardo Vila Nova, dá o ar de sua graça. É um derbak que surge por duas vezes no vídeo (olhem nos créditos finais, meu nome está lá).. Estou negociando com Ricardo mais alguns batuques meus nos próximos trabalhos (inclusive, estou fazendo isso agora.. hehehehe).. Como eu disse a ele mesmo, já me ofereci todinho, abri as pernas que nem uma puta, basta agora a “gang” da Comuna se sensibilizar com o meu pedido e a gente dialogar com essas coisas de novo.. e mais dedinhos nervosos de Vila Nova em parceria com a Comuna poderão surgir por aí.
Aí vai o link do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=o7JDzjLf_JE
Divirtam-se com as ousadias “semânticas-visuais-astrais-pré-e-pós-e-ultra-tropicalistas” de Jomard Muniz de Britto.
(ouvindo Uai-Uai (Revolta Queto-Xambá 1832), by Tom Zé)
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12 novembro 2006
Mudança
o rouxinol sai de um ninho para o outro
aquele antes, donde tudo dele estava,
se desfazendo, vai ficando para trás
com tudo o mais que ele viveu..
restos de plumas, alimentos,
e também um pouco da pueril nostalgia;
o rouxinol, que era tão pequenino,
um dia teria que ir-se
para, sozinho, voar mais alto
as pernas bambas, vôo desengonçado
nem parece mais aquele rouxinol tão valente
que inflava o peito e cantava liberdade
agora, tímido, titubeia, ressente-se por medo
por não conhecer ainda o mundo que há do lado de fora
um salto apenas
para o futuro, para esse gigantesco tudo
superfícies impalpáveis de vida,
uma vida, assim, tão nova
cada instante tão intenso
movimentos contínuos de asas,
vontade de ir mais longe,
envergaduras que o sustentam no ar
esse ar que agora respira tem outro sabor
um misto de receio e novidade
e tudo muda ao redor
tudo se molda em conformidade com a vida
contra a qual sempre se rebelou, com tanta doçura
e também tão arredio, como bicho do mato
tão escondidinho no seu ninho
vida nova, ninho novo
vôo alto, ar tão denso
respiração agitada
e o rouxinol, sem pressa,
prepara as asas e a coragem
para voar ao outro ninho
e cantar cada vez mais alto
o canto da vida inteira.
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06 novembro 2006
Estou aqui de passagem...
"Eu não sou da sua rua.. eu não sou o seu vizinho.. eu moro muito longe, sozinho.. " (Branco Mello/Arnaldo Antunes)
De que tamanho é o tamanho do amor de um homem transitório? Será que isso pode ser mensurado? Até que ponto esse amor pode trazer-lhe felicidades, e, ao mesmo tempo, profunda tristeza? Ou será que além desse homem, os próprios momentos que ele vive também são transitórios, e não passam apenas de momentos?
Questionei-me isso nesses últimos dias depois de ter que experienciar novamente uma sensação de amor, mas que, ao mesmo tempo, me ardia em feridas aparentemente cicatrizadas. Senti mais uma vez aquele velho sabor das lágrimas que escorrem dos olhos e passa pelos lábios. O mesmo sabor daqueles dias em que eu vivi um grande amor, e também grandes dores (talvez as maiores que já senti em minha vida). Diante disso, tomar uma decisão: enfrentar esse mesmo amor novamente, suscetível a despertar conflitos cada vez maiores, apenas pelo fato de ser um sentimento tão puro? ou prezar pela minha integridade emocional, sentimental e psicológica, afastando de uma vez por todas todos os fantasmas, todas as dores (o que significa afastar de mim esse amor), tentando fechar as cicatrizes?
Imaginem que essa decisão tinha que ser tomada numa conversa, algumas horas de confissões, lágrimas, tendo como trilha sonora um repentista que versava sobre o amor, tendo como ambiente aquele Recife Antigo, tão lindo e ao mesmo tempo tão sombrio, com a escuridão de sua noite, como esse velho amor. Eu resolvi abdicar dele por não agüentá-lo mais, por sofrer com esse sentimento tão lindo, mas que me fez chorar tanto. Uma resolução muito difícil, dolorosa, mas necessária.
Acreditem, meus amigos: a força do amor não é tão grande como assim a imaginamos. Digo isso com plena convicção (com uma certa ponta de decepção também). Mas juro que se isso fosse verdade, hoje eu seria alguém mais feliz. Ao lado de alguém que seria também feliz, caso quisesse. Mas diante disso, acredito que, independente de toda a tristeza que esse passado possa ter causado, eu tenho hoje um coração ainda mais aberto para o hoje e o amanhã. E é isso que importa.
...
Amigos. Não se preocupem mais. A moça que falou comigo no show de Nando Reis se identificou. A minha campanha de busca logrou êxito rapidinho. No dia seguinte ao post eu já tinha a “revelação”.. hahahaha.. O nome dela é Adrielle. Chegou até o meu blog através do meu amigo Fábio Fernando Diniz, um moço muito alto, que o que tem de grande tem de bom coração.
Ela me deixou um comentário, que resolvi não publicar, por conta do e-mail
dela que ela colocou, para não expô-la. Porém, pedi autorização a ela para que eu pudesse postar o seu comentário aqui no blog (omitindo o e-mail no caso); ela aceitou.
Ela disse o seguinte:
“Como de costume, uma leitora assídua vem ao blog, começa a fazer sua leitura, chega a entrar em plena catarse e quando os sentimentos estão borbulhando, acontece algo magnífico, de uma plenitude inigualável.
Confesso que fiquei fascinada com o que li, pois não esperava essa ‘campanha’. Não por duvidar de você, mas essa ‘busca’ estava partindo de mim. E afinal de contas, a sensação foi tão surpreendente como o fato de te reconhecer em meio a tantas pessoas e por fim, acabar me apresentando a ti
O episódio da sexta foi tão repentino, que nem pensamos numa possível troca de contatos. Acredito que no meu inconsciente estava guardada a possibilidade de ter o endereço do teu e-mail disponível no perfil. Tanto é, que essa foi a primeira atitude que tomei pra te encontrar, mas não foi bem sucedida. Logo após, tentei pelo nosso amigo em comum: Fábio (“aquele que é desse tamanho?” – de quem foram essas palavras?); mas não obtive resultado. Já tinha decidido deixar um comentário aqui no blog me identificando, mas você foi mais ágil e conseguiu um resultado instantâneo. Sua campanha foi bem sucedida, pois terei o maior prazer em manter contato com você!
O nome da sua leitora/fã/cidadã, tão procurada é Adrielle e o endereço do e-mail é: (----------)
Aguardo pelo contato!
=]"
Bonito, né, gente? Fico feliz com essas coisas.
Poréééééém, começo aqui outra campanha.. hahahaha.. uma moça chamada “Manu” já fez uns dois comentários nesse meu blog. Muito elogiosos também. Só que eu não sei quem é essa Manu. Das que eu conheço, duas afirmaram não ter comentado nada, e as outras nem sequer sabem da existência desse blog. Então, gostaria que essa Manu se identificasse. Dissesse quem é, através de que (ou de quem) conheceu o meu blog, etc e tal. Mesmo procedimento. Basta se identificar que eu entro em contato.
Bem, pessoas..
Por hoje é só.
(ouvindo Mingau de Cachorro, by Sa Grama)
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31 outubro 2006
Aonde estão as flores da sua cabeça?
Esse título (apesar do pequeno equívoco, pois o correto seria “onde”.. mas vá lá.. licença poética pra tudo nesse mundo) é de uma música chamada As Flores, composição de Ortinho e Lula Côrtes (dois doidões de plantão), que está no disco Somos, do Ortinho. Ela embelezou minha madrugada de ontem/hoje ao chegar do jantar da casa de Filipe BB (o moço “verbete-mamute”).
Eu já tinha ouvido a canção certa vez no Abril Pro Rock do ano passado, numa versão bem rock’n’roll, cantada por Daniel Belleza & os Corações em Fúria (uma das pouquíssimas bandas que me agrada em relação ao rock brasileiro de hoje em dia), com participação do supracitado Ortinho, num modelito impagável e numa performance bárbara. Quem viu, viu. Aliás, essa música também foi gravada pelo próprio Daniel Belleza.
Essa versão cantada por Ortinho é suave (apesar da aspereza da voz do cidadão), repleta de uma lúdica sensação, tão poética como um belíssimo arranjo de flores sobre sua mesa (ou mesmo sobre sua cabeça). Um arranjo simples (e por isso bastante bonito), com violão, bandolim, flauta, etc e tal. Apesar de a letra parecer denotar uma aparente tristeza, me parece bem viva, de natureza sutil e sorridente. Portanto, peço a todos que nunca esqueçam, por favor, de regar as tão belas flores de suas cabeças.
Quem quiser baixar a música, clica nesse link aqui: http://rapidshare.com/files/1464291/08._Ortinho_-_As_Flores.mp3.html
(instruções: ao abrir a janela, desça um pouco a tela, clique em "Free" - que estará no canto inferior direito de uma tabela - , depois que abrir outra janela, começará uma contagem regressiva; ao término dessa contagem, aparecerá um código de três caracteres, para confirmar o download. É só digitar o código, e mandar ver; escolher o lugar pra salvar a música e pronto. Basta aguardar a conclusão do download).
Aí vai a letra:AS FLORES
Ortinho/Lula Côrtes
Aonde estão as flores
Da sua cabeça?
Murcharam, secaram
Só restaram os caules e espinhos
Ressecados de tristeza
Estão em qualquer vaso
Jogado, rachado, quebrado
Enfeitando qualquer mesa
Estão nos arranjos
Mandados, estão estampadas
Na blusa que você me deu
E lá permanecem bem vivas
E tão coloridas
Só que você esqueceu
...
A 85% de sexo. Lascívia. Tesão. Libido. Vontade. Desejo. Paixão.
Ando explodindo muito de tudo isso. Por quem? (alguém pode perguntar, creio eu). E respondo: apenas pela vida (se é que alguém esperava por uma resposta menos abstrata). Ouvindo a música supracitada e me vendo hoje em dia (no meio de um turbilhão de emoções, sensações, mudanças) é como se eu quisesse ver todas essas flores, com uma vontade intensa de tocá-las, todas, cheirá-las, espalhá-las pelas ruas e costurá-las em todas as minha roupas. As flores de hoje em dia estão secando (queixa antiga minha). Eu não caibo mais em mim. Sentir demais pode se tornar perigoso. E na impossibilidade de atingir um grau de emoção tão intenso o quanto desejo (por “n” fatores “humanos”), passo a aderir ao freqüente entorpecimento (via substâncias insólitas). Isso às vezes chega a me dar ápices e picos de sensações magníficas, como ver, cheirar, sentir e ouvir tudo muito mais amplo e mais próximo a (ou dentro de) mim. Vontade de abraçar o mundo.
DETALHE: Continuarei essa campanha de busca a cada post meu ou até que eu me canse de fazê-lo.. hahahahahahaha..
E eu continuo a perguntar: Aonde estão as flores de vossas cabeças?
(ouvindo As Flores, by Ortinho).
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leonardo vila nova
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27 outubro 2006
A Banda Tropicalista do Duprat
"porque é made, made, made.. made in brazil" (Tom Zé) a banda era boa
com duprat na batuta
; que tropicália era essa?
eram hippies orquestrações
& intermezzos
dissonâncias “pop-cretas”
e antropofágicas disjunções
de um Brasil semi-analfabeto
, ingenuamente cosmopolita
& mais que tudo isso:
era subverter-se em notas, acordes
rock’n’bossa’n’roll e baiões,
frevos na ponta dos dedos
e toda aquela parafernália
que se chamava
aquela banda
de beatles e de pifes
de cacos e "descanções"
da menina ruiva (os meninos de mutações),
à black power
do magricelo
ao tabaréu
e também do pretinho
todos tocavam chiclete com banana
na banda, aquela,
a tropicalista,
sob a batuta
do duprat.
(eu quero bem mais peidos alucinógenos)
Texto em homenagem ao maestro tropicalista, Rogério Duprat, falecido ontem (26/10), em São Paulo, aos 74 anos.
Matéria da UOL a respeito do falecimentro de Duprat:
Morreu por volta das 17h desta quinta-feira (26), em São Paulo, o maestro Rogério Duprat. O músico de 74 anos estava internado desde o dia 10 de outubro no hospital Premier, na zona sul de São Paulo, onde recebia cuidados paliativos.
Duprat sofria do mal de Alzheimer e também tinha câncer na bexiga, que nos últimos dias acabou causando insuficiência renal, de acordo com a médica Maria Goretti Maciel, diretora clínica do hospital.
O maestro será velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), na região dos Jardins. Seu corpo será cremado na sexta-feira no crematório da Vila Alpina, zona leste de São Paulo.
Duprat é conhecido principalmente por seu trabalho nas orquestrações do disco Tropicália, de 1968, que contava com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Os Mutantes e Nara Leão.
Nascido no Rio de Janeiro em 1932, Duprat mudou-se para São Paulo em 1955. Ainda jovem estudou violão e cavaquinho além de tocar gaita. Mais tarde entrou no meio erudito e foi um dos fundadores da Orquestra de Câmara de São Paulo. Nos anos 60, o maestro se aproximou de artistas populares, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, para quem compôs o arranjo da música "Domingo no Parque".
Também trabalhou com nomes como Chico Buarque e Jorge Ben Jor, mas uma de suas parcerias mais conhecidas foi com a banda Os Mutantes, para quem arranjou diversos discos.
Depois de um período longe da música, devido a problemas de audição, o maestro voltou a trabalhar com arranjos na década de 90.
Música Nova
Ideólogo responsável por um dos poucos manifestos musicais autênticos realizados na América Latina, Rogério Duprat utilizou métodos radicais para criar uma nova frente cultural no país. O movimento batizado como "Música Nova Brasileira" resgatava os ideais da Semana de Arte Moderna de 1922 e pretendia "internacionalizar a vanguarda brasileira". Duprat vinha acompanhado pelos músicos intelectuais Gilberto Mendes, Júlio Medaglia, Régis Duprat, Damiano Cozzella e Sandino Hohagen.
"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária" é a citação que termina o manifesto publicado em 1963. Desde então eles se empenharam em quebrar as amarras acadêmicas na cultura e unir o erudito ao popular, como Duprat fez durante sua vida, o que fez dele um dos principais personagens da MPB.
(ouvindo Canção para Inglês ver/Chiquita Bacana, by A Banda Tropicalista do Duprat, com Os Mutantes)
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leonardo vila nova
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23 outubro 2006
Quanto amor... quanta dor...
"deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que todo revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor " (Che Guevara)
Apaixono-me pelo que há lá dentro das pessoas...
Pela menor partícula de coisas lindas que nelas possam habitar...
Pela sutil camada de beleza delas (mesmo que tragada, esquartejada, jogada às traças, pelos seu próprios possuidores, por medo, indecisão, defesa ou mesmo desamor)...
Pelas suas palavras, pelos seus gestos, que fazem voltas, giram, rodopiam,
Desenham no vento, exalam perfumes, me absorvem
Apaixono-me pelas pessoas de forma a querer tudo e mais um pouco
Não me contentando com migalhas, com pequeníssimas coisículas
Seus sorrisos me seduzem, abraços e toques me deixam em pleno êxtase
Vivas! Vivas! Vivas!
Tudo assim, pipocando dentro do peito, latejando, ardendo
Queimando, se espalhando, da cabeça aos pés, do corpo à alma
E não precisa de muito tempo... o estalo é repentino...
Chega, se instala e se debate, de inquietude e ansiedade
Em mim é certeiro, violento, agressivo, visceral
Toma-me de rompantes, de poesia querendo se lançar, se jogar,
Sem medir conseqüências, querendo apenas externar-se
Desejo profundo, íntimo, terno, amoroso
Pra mim, é tudo muito normal
Mas o mundo está se esvaziando disso
Perdendo a respiração, o fôlego, não inflama mais
As pessoas estão ficando em preto-e-branco-e-cinza
E o vazio vai tomando forma
Forma de absolutamente tudo, preenchido por uma imensidão de nada
Fui aprendendo aos poucos, aos pouquinhos...
Fui sendo catequizado, devagarzinho, a habitar nesse mundo de sentimentos pequeninos
De gente miúda, que não rima, que não se destina, que se enche de empáfia
Que age agressivamente com a vida, que não ama, que não vê em nada a poesia
Parte de uma funcionalidade anestésica,
Que só tem como função primordial manter o ritmo da máquina
A máquina fria, objetiva, incisiva, pragmática
Eu quero mais é me arriscar, é a vida inteira,
Lambuzar-me completamente do seu mel, e do seu féu
Intervir em suas possibilidades, coexistir em todas elas
Só assim a vida vale a pena
Porém, sinto-me vítima de um certo deslocamento temporal da sensibilidade que trago em mim, na sua relação com os outros
Essa minha urgência em viver, essa minha vontade de tê-la por inteiro, a vida
Acaba me colocando em desaviso a respeito das malícias humanas,
Mesmo das malícias naturais, ingênuas, involuntárias
Mas, mesmo assim, malícias
Dessas que te deixam só, chorando ao ir dormir,
Encharcando o travesseiro...
O tanto que isso já me foi comum,
Amargor sem fim, que vai possuindo a alma, o coração
E mesmo tendo como vontade imperativa o amar,
O “desamar”, o desrespeito à condição humana desfere golpes violentos
Consolida marcas, cicatrizes horrendas,
E vai corroendo devagarzinho cada milímetro do que ainda resiste
Como forma essencial de amor...
O mundo está se esvaziando,
as pessoas também
E isso dói.
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leonardo vila nova
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