"deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que todo revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor " (Che Guevara)
Apaixono-me pelo que há lá dentro das pessoas...
Pela menor partícula de coisas lindas que nelas possam habitar...
Pela sutil camada de beleza delas (mesmo que tragada, esquartejada, jogada às traças, pelos seu próprios possuidores, por medo, indecisão, defesa ou mesmo desamor)...
Pelas suas palavras, pelos seus gestos, que fazem voltas, giram, rodopiam,
Desenham no vento, exalam perfumes, me absorvem
Apaixono-me pelas pessoas de forma a querer tudo e mais um pouco
Não me contentando com migalhas, com pequeníssimas coisículas
Seus sorrisos me seduzem, abraços e toques me deixam em pleno êxtase
Vivas! Vivas! Vivas!
Tudo assim, pipocando dentro do peito, latejando, ardendo
Queimando, se espalhando, da cabeça aos pés, do corpo à alma
E não precisa de muito tempo... o estalo é repentino...
Chega, se instala e se debate, de inquietude e ansiedade
Em mim é certeiro, violento, agressivo, visceral
Toma-me de rompantes, de poesia querendo se lançar, se jogar,
Sem medir conseqüências, querendo apenas externar-se
Desejo profundo, íntimo, terno, amoroso
Pra mim, é tudo muito normal
Mas o mundo está se esvaziando disso
Perdendo a respiração, o fôlego, não inflama mais
As pessoas estão ficando em preto-e-branco-e-cinza
E o vazio vai tomando forma
Forma de absolutamente tudo, preenchido por uma imensidão de nada
Fui aprendendo aos poucos, aos pouquinhos...
Fui sendo catequizado, devagarzinho, a habitar nesse mundo de sentimentos pequeninos
De gente miúda, que não rima, que não se destina, que se enche de empáfia
Que age agressivamente com a vida, que não ama, que não vê em nada a poesia
Parte de uma funcionalidade anestésica,
Que só tem como função primordial manter o ritmo da máquina
A máquina fria, objetiva, incisiva, pragmática
Eu quero mais é me arriscar, é a vida inteira,
Lambuzar-me completamente do seu mel, e do seu féu
Intervir em suas possibilidades, coexistir em todas elas
Só assim a vida vale a pena
Porém, sinto-me vítima de um certo deslocamento temporal da sensibilidade que trago em mim, na sua relação com os outros
Essa minha urgência em viver, essa minha vontade de tê-la por inteiro, a vida
Acaba me colocando em desaviso a respeito das malícias humanas,
Mesmo das malícias naturais, ingênuas, involuntárias
Mas, mesmo assim, malícias
Dessas que te deixam só, chorando ao ir dormir,
Encharcando o travesseiro...
O tanto que isso já me foi comum,
Amargor sem fim, que vai possuindo a alma, o coração
E mesmo tendo como vontade imperativa o amar,
O “desamar”, o desrespeito à condição humana desfere golpes violentos
Consolida marcas, cicatrizes horrendas,
E vai corroendo devagarzinho cada milímetro do que ainda resiste
Como forma essencial de amor...
O mundo está se esvaziando,
as pessoas também
E isso dói.
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23 outubro 2006
Quanto amor... quanta dor...
Postado por
leonardo vila nova
às
21:29
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Marcadores: amor, dor, paixão, sensações, sentimentos
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