26 setembro 2006

Invasão de quê?

Um bom dia, boa tarde, boa noite pra você (dependendo da hora que você esteja lendo).

Como não poderia deixar de ser, vamos falar do assunto do momento: CICARELLI DANDO O RÁDIO!!! Mas eu nem quero falar sobre a polêmica desse vídeo, o sucesso que ele fez ou coisa do tipo. Eu quero é perguntar uma coisa: alguém acha REALMENTE, DE VERDADE VERDADEIRA, DO FUNDO DO CORAÇÃO, que ela tem o direito de processar youtube, Globo.com, iG, por danos morais, materiais, alegando invasão de privacidade? Tenho conversado com alguns amigos a respeito. Um deles disse que ela estaria no pleno direito de fazê-lo. Essa afirmação dele foi um pouco sem argumentos consistentes. Ele disse apenas que ela deve estar se sentindo constrangida e incomodada, por estar sendo exposta de tal forma, e isso seria motivo suficiente para ela se achar no direito de evocar esse direito. Eu tenho lá minhas dúvidas.

Acredito eu que a partir do momento em que ela está em local PÚBLICO (uma praia, onde circulavam muitas pessoas, inclusive crianças) e faz algo do tipo, acredito que ela perde todo o direito de reivindicar que sua privacidade foi invadida, pois é exatamente o contrário, ela que foi violentamente invasiva e desrespeitosa em relação a quem estava na praia. E nem venham me dizer que o que ela fez foi dentro da água, porque eu digo o seguinte: as preliminares foram muito mais agressivas do que o ato sendo consumado, ou não? Acho que ela deveria, antes de mais nada, ter sossegado um pouco aquela piriquita e ter ido para um motel dos mais caros (afinal, ela tem dinheiro até pra comprar uma ilha só pra ela trepar o resto da vida, em cima do coqueiro, dentro dos matos, na casinha de sapê, etc.), pois ela não é tão inocente (não é mesmo) a ponto de acreditar que numa praia PÚBLICA ela poderia ter feito o que fez e achar que não seria, no mínimo, bisbilhotada. Está na chuva é pra se molhar, Cicarelli!!! Deveria ter atentado para as conseqüências disso, antes de vir se achar no direito de reivindicar alguma coisa. Agora me diz só.. ela quer processar somente essa galera? Porque ela não processa, então, todo o mundo que disponibilizou, divulgou, repassou, comentou esse vídeo (creio que o comentário mais ameno a respeito dela foi o do sugestivo nome de “rapariga”). Garanto que ela ficaria trilhardária se ganhasse todos esses processos, em tribunais de todo o planeta. Tenta Cicarelli? Quem sabe você consegue, né? E aí, depois de ficar mais cheia da grana ainda, sua honra voltará a ser imaculada e impoluta, né não? hahahahahaha.. E eu digo às criancinhas: façam isso EM CASA (ou no motel), viu?

......

E o Hugo Chávez, hein? Sou fã desse cara. É o Chefe de Estado mais desaforado que tem. Tá cagando e andando pros conservadores, pras elites, pra burguesia, pros direitistas, capitalistas, pros outros governos que pensam diferente. Não mede as palavras quando o assunto é emitir opiniões sem a diplomacia protocolar.































Semana passada, na ONU, em discurso, disse que George DJIABO Bush é um demônio e que o púlpito ainda estava cheirando a enxofre exalado pelo presidente ianque (Bush esteve lá na véspera).

E dia desses (mesmo apoiando as decisões bolivianas a respeito da Petrobrás, ou seja, que lascam o Brasil) disse que a sede da ONU deveria ser transferida de Nova Iorque para Brasília (fonte: JC, 25 de setembro de 2006, página9).

O bicho é doido mesmo!

.....

poeminha novo, meio por acaso, para uma linda pessoa (é bem simples, tá?):

PARA LELÊ


lê-ver-
lê-te
lê-é
lê-tão
lê-lindo,
lê-me
lê-traz
lê-sonhos
lê-de
lê-felicidade
lê-e
lê-alegria

ler-te,
de cima abaixo,
de fora adentro,
e por dentro da alma,
é tão bela poesia

essa moça sorri
do tamanho de tudo
e colore esse mundo
com as cores do dia.

(ouvindo Menina rica, by Samba de Coco Raízes de Arcorverde)

20 setembro 2006

Faça!































De acordo com o dicionário Houaiss:

fazer
acepções:

■ verbo 1 produzir através de determinada ação; realizar, obrar transitivo direto

(...)

2 realizar (algo abstrato) transitivo direto e bitransitivo

(...)


Esses são apenas dois significados que a palavra fazer simboliza. Entre tantas outras acepções descritas nos dicionários da vida, gostaria eu de ousar dizer o que vem a ser, de acordo com o que o penso, o sentido de fazer.

O ato de fazer algo não implica necessariamente, e no(s) sentido(s) estrito(s), apenas a ação em si e por si só.

Fazer envolve escolhas, reflexões ou impulsividade, consciência ou pleno desconhecimento, vontade própria ou obrigação, cálculo prévio ou riscos incalculados, mobilização ou acaso, motivação, algumas vezes ousadia e rebeldia, segurança e insegurança, paixão, controle absoluto e descontrole total, necessidade ou capricho, condições favoráveis de atuação, apoio ou desaprovação, etc e tal.

Ou seja, o ato de realizar algo, um gesto, uma escolha, uma atitude, um empreendimento envolve uma série de fatores, muito harmônicos e tantos outros díspares, que se confrontam antes, durante e depois do fazer em si. Fazer algo envolve, algumas vezes, o simples desejo de fazê-lo, de colocar em prática, de realizar uma vontade. Porém, também envolve uma vastidão de conflitos e questionamentos, pelo simples fato de que um simples fazer algo pode nos afetar a vida (em vários âmbitos) e a vida de tantos outros.

O ideal seria que, no mínimo, nós soubéssemos equilibrar a razão e a emoção no momento de uma escolha. Porém, seres humanos imperfeitos que somos, sempre pendemos parcialmente ou totalmente para um único lado. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom pelo fato de que acaba nos ensinando a exercitar a nossa capacidade de empreendimento e posterior reflexão acerca das vantagens e desvantagens que aquela atitude acarretou, e de poder, então, buscando o equilíbrio, saber dosar as quantidades de amor e de razão que devem conter cada passo. E ruim pelo fato de que esse aprendizado nem sempre é absorvido de forma agradável. Muitas vezes (e na maioria dela) envolve grande sofrimento, dor e cobranças, tanto suas quanto, principalmente, dos que o cercam.

Há coisas que quero fazer.
Há coisas que dizem que eu devo fazer.
Há coisas que preciso fazer.
Há coisas que amo fazer.

Eu tenho o defeito (ou a virtude) de sempre pender para o lado do amor. Faço as coisas que me apaixonam, que me movem, que me dão sentido, realização e existência nesse mundo. E é justamente por isso que ando tendo uma série de crises, de conflitos, de angústias nos últimos tempos.

Ter feito jornalismo = profissão convencional, “rentável” (isso no pensamento de nossos pais, que acreditam que o cara se forma e vai direto pra Rede Globo, apresentar o Jornal Nacional). Temos que ter um diploma, né? Essa é uma obrigação e uma prestação de contas que devemos dar aos nossos educadores, nossos formadores e à nossa sociedade, tão vil, hipócrita e desrespeitosa com a nossa condição humana.

Fazer um mestrado = ampliação do meu campo de conhecimento. Aprender, conhecer, saber, pesquisar. Isso me interessa. Isso me faz bem. Porém, dentro dessa realidade: aprender mais. Muitas vezes levam para a melhoria das possibilidades de engendrar no mercado de trabalho (o acadêmico, no caso).

Ter que fazer um concurso público = ganhar dinheiro. Necessidade de sobrevivência. Sustento. Única e exclusivamente. É preciso (?).

Música = necessidade para a vida. Alimento. Alma. Dança cósmica. Felicidade. Prazer. Realização como ser humano. É isso que quero, que preciso, que amo. Porém, qual o respaldo que nossa família dá? Digo família de classe média-média, provinciana, machista, que tem uma “ovelha negra” entre si; família que se interessa e acredita ser apenas o essencial dar “casa, comida e plano de saúde” para os seus, e quer perpetuar essa pensamento pequeno-burguês por tantas outras gerações, não se importando com a real necessidade que este seu precisa para ter alegria de viver. Não digo a família classe média altíssima, que dá todos os subsídios para que os seus vivam de música sem se preocupar com cobranças ou com um futuro amargo.

Escrita = é o mesmo caso que a música. Só que ainda num campo mais restrito de ampliação da sua possibilidade de gerar ganhos com essa atividade. Mas me alimenta com a mesma intensidade que a música. É através dela que atravesso-me por completo, deixando vestígios indeléveis desse mundo em mim, e de mim no mundo, tocando, pesando a mão e o poder da alma e do coração no meu próprio pensamento e no de tantos outros. O poder da linguagem é o que nos (in)traduz nesse mundo tão estranho.

Abrir a guarda pelo sentimento que nutre por uma mulher = nesse caso, é um dos mais complicados “fazeres”, pois você se deixa levar ingenuamente pela possibilidade de que um dia essa relação seja recíproca, de que te trará felicidade. Quase nunca é assim, e você se fere, se deixa ficar ridículo, idiota, imbecil, fraco. Seria muito mais fácil que sentimentos tivessem bula, tudo escrito e descrito. Mas quem disse que sentir é fácil? E fico triste.

Morar só = as coisas se encaminham inevitavelmente dessa forma. Como ter condições psicológicas, emocionais, financeiras para isso quando você se recusou a fazer tudo o que lhe daria retorno financeiro para arriscar-se na vida a querer e tentar fazer o que te move, o que te alimenta de amor e felicidade?

Afinal, fazer também é se arriscar.
Viver é se arriscar. E eu prefiro fazer isso com amor.


(ouvindo Quilombo/Tiro de Misericórdia/Escadas da Penha – by Acústico MTV João Bosco)

11 setembro 2006

Ferver é preciso!

Próximos que estamos dos 100 anos do frevo (a completar-se no dia 9 de fevereiro de 2007), os festejos são muitos, as expectativas também, e os projetos em torno do mais genuíno ritmo pernambucano não deixam por menos.

Na próxima quinta (14/09), estréia no Teatro Apolo o espetáculo FERVO, da jornalista e bailarina Valéria Vicente. Um projeto de pesquisa e dança que revisita o frevo em suas origens e faz suas conexões com o presente, porém, abordando-o a partir de um viés nunca antes explorado: a violência no/do frevo. Calma! Não se assustem. O espetáculo não vai fazer uma esculhambação nem reclamar que o frevo é violento ou coisa do tipo. O lance é que se voltarmos no tempo, às origens do ritmo, iremos tomar conhecimento de que a dança e os seus primeiros passos começaram a surgir através do embate entre os capoeiras (os negros) e a polícia, no século XIX. A capoeira, que era misto de luta e dança, era utilizada nesse embate dos negros ao fugirem da polícia. Ou seja, o frevo teve seu nascedouro nessa espécie de tensão social urbana.

O espetáculo retoma o passado constantemente para remeter ao presente, observando as suas influências e características marcantes nesses tempos de hoje. Tanto que há cenas representando rodas de pogo no Galo da Madrugada, ou até mesmo um boneco sendo espancado, linchado, pelos bailarinos. Não é exatamente um espetáculo convencional. Ou seja, não esperem encontrar uma profusão de cores ou de sombrinhas saracoteando pra lá e pra cá, ao som de Vassourinhas. Os bailarinos vestem preto, branco e cinza e a expressão do corpo ao delinear essa violência, essa força, essa pancada, é que conduzirá a tônica do espetáculo.

E para um espetáculo “não-convencional”, a trilha sonora também não deveria ser nada clichê ou lugar-comum. Ao contrário, essa constante conexão entre passado e presente, (vislumbrando o futuro a partir do que se constrói hoje), tradição e (pós)modernidade, típica dos nossos tempos e da nossa veia pulsante de povo antropofágico e criativo, não deveria ter um acompanhamento musical melhor: O coletivo DERRUBAJAZZ.


O DERRUBAJAZZ é uma invenção dos “buliçosos” Silvério Pessoa e Yuri Queiroga. Os dois músicos resolveram se juntar para, a partir de um aparato eletrônico, (re)criar o orgânico, lançando mão dele também para compor suas músicas, ou, como queiram entender melhor, suas astúcias musicais (ou seja, além dos elementos eletrônicos, podemos ouvir instrumentos como bandolins, cellos, cavaquinhos, percussões, violões, etc.). E eu digo “buliçosos” porque todos já sabem, por exemplo, da aptidão do moço Silvério Pessoa para a deglutição e reprocessamento da nossa singularidade nordestina (seja via frevo, forró, coco, embolada, etc) através da tecnologia presente em tempos que dão ao nosso sotaque um ar cada vez mais cibernético, cosmopolita, sem que seja preciso, no entanto, “desfincar” as raízes do chão.

Já o moço Yuri Queiroga, jovem músico e produtor, astucioso e inteligente, é o parceiro de Silvério no DERRUBAJAZZ e na concepção e produção da trilha sonora do espetáculo FERVO.

Com apenas 19 anos, Yuri já tem profícua participação e colaboração na música que se produz aqui em Pernambuco. Além de participar, como produtor, na concepção de faixas de diversos projetos e coletâneas com os mais variados artistas, como músico ele acompanhou (e ainda acompanha alguns deles) Ortinho, Josildo Sá, Lula Queiroga, o próprio Silvério Pessoa, e também fez parte da minha saudosa banda Chocalhos e Badalos (ê, saudade..). Participou numa das faixas da trilha do filme A pessoa é para o que nasce (acompanhando Lenine), além de outras trilhas para documentários. Em participações, deu uma chegada nos discos de China, André Rio, San B, e está participando da produção do próximo disco de Lula Queiroga, Tudo Enzima (isso é apenas um resumo enxutíssimo, pois o currículo do rapaz é extenso).


























Dia desses, conversando via MSN, Yuri me contou como foi o processo de criação da trilha sonora do espetáculo FERVO. No bate-papo, eu sou viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com e Yuri é Tudo de mais tem limite (CONDE)

Aí vão trechos da nossa conversa:

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
as músicas do derrubajazz tão prontas.

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
jajá a gente tá indo buscar

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
são quantas (faixas)?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
10

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
mas vcs fizeram como? desenvolveram temas? pegaram músicas que já existiam? ou fizeram composições novas?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
composições novas

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
baseadas nos ensaios que a gente assistiu

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
a maioria instrumental

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
se vcs viram os ensaios para criar as músicas.. então, esses ensaios eram como, se ainda não tinha música?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
eles usavam outras músicas

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
tipo de antônio nóbrega, uma batida de macumba lá

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
e tinha coisas que eles faziam no silêncio e a gente teve a sacada de botar trilha

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
e tinham as coreografias já prontinhas, né?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
mais ou menos

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
é tudo meio improvisado

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
é experimental

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
só uma música que eles usavam é que continuamos usando

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
que foi MEXE COM TUDO da spokfrevo (SpokFrevo Orquestra)

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
mas aí, nesse caso, vocês recriaram a música ou mantiveram a original?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
a original

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
só essa

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
e nem foi ela inteira

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
foi só um pedaço

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
o resto foi tudo criado

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
esse processo durou, no total, quanto tempo? (contando aí desde o primeiro dia acompanhando os ensaios até hoje, em que a trilha estará pronta).

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
uns dois meses

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
vocês criaram as músicas já observando os ensaios? já anotavam de lá as idéias? ou foi TUDO feito no estúdio?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
anotávamos de lá

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
filmamos dois ensaios

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
e assistiram às filmagens juntos, pra poder ir observando e revendo mais atentamente determinadas partes, pra ir desenvolvendo, né isso?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
é

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
tem uma valsa que silvério compôs no meio do ensaio

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
enquanto ia filmando e os dançarinos desenvolviam os passos (esses em silêncio) silvério cantou a melodia de uma valsa na gravação da câmera

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
e o desenvolvimento dos elementos eletrônicos das músicas foi feito no estúdio ou alguém já começou a criar algo em casa?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
no estúdio, eu fiz algumas coisas antes e já levei prontas pro estúdio.

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
então me conta como foi pra você essa experiência peculiar de trabalhar como músico e produtor já de uma trilha sonora de um espetáculo de pesquisa/dança.. você que é um cara novo e tal.. e já ter essas responsabilidades musicais nas mãos.. o que você tirou dessa experiência?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
eu sempre quis trabalhar com isso, nunca me dediquei a um instrumento só, e sempre me dediquei a ouvir o conjunto todo, daí vi que queria mesmo ser produtor, esse convite pra fazer essa trilha soou pra mim também como um prêmio de tudo que eu vinha pesquisando ouvindo e estudando pra exercer a profissão de produtor musical

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
tirei muita coisa dessa experiência, sempre aprendo muito, e pela primeira vez fiz dez faixas de uma mesma produção, até então só tinha feito coisas pequenas, como uma ou duas faixas pra coletâneas

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
e foi legal também trabalhar com outros músicos, (pra) cada um tenho (um) jeito melhor de se produzir, pro cara se soltar mais e tal..

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
e com silvério também, que tem idéias ótimas, é um bom matador de charadas das músicas

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
adorei trabalhar assim com ele

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
ele tem o fieling apurado de produtor, né?

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
é

Tudo de mais tem limite (CONDE) diz:
ele adivinha fácil o que tava faltando nas músicas

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
ok, meu filho.

viLa Nova, L. http://umacaixinhadecoisas.blogspot.com diz:
é isso aê!!!!

...

Yuri também me contou que as faixas serão disponibilizadas para o público em geral (provalmente, via internet).

Além de Silvério Pessoa e Yuri Queiroga, participaram das gravações da trilha sonora do espetáculo FERVO os músicos Maíra Macedo (bambolim), Elias Paulino (cavaquinho), André Julião (acordeom), Israel Silva (baixo), Renato Bandeira (violão), Eduardo Braga (guitarra), Fabiano Menezez (violoncelo), Pi-R (piano e efeitos), Wilson Farias (percussão) e Luís Carlos (percussão).

O espetáculo, que estréia nessa quinta (14/09), poderá ser visto todas as quintas e sextas, até o dia 29 deste mês.

Agora, é só ir conferir:

ESPETÁCULO FERVO (com trilha sonora do coletivo DERRUBA JAZZ)
De 14 a 29 de setembro de 2006 quintas - 20h / sextas - 21h
Teatro Apolo – rua do Apolo, n.º 121 – Bairro de Recife

Preço: R$ 10,00 (inteira) – R$ 5,00 (estudante)

09 setembro 2006

Cê transfigura?



Há tempos que ando meio ausente da caixinha. Por “n” motivos: preguiça acho que foi o principal deles. Dei-me o direito da preguiça de escrever.. hehehehehe.. afinal, ninguém quer saber o tempo todo o que eu ando pensando, né? Então, entramos num acordo tácito. Fechado!

Além disso, nessa última semana e meia foi que se manifestou uma imensidão de coisas, de viver muito mais o mundo. Coisas mil pra pensar, fazer, chorar, sorrir, curtir. Aí, nem tive tempo direito de raciocinar e materializar (ou digitalizar) em letras as coisas que estavam se passando.

Mas adianto que teremos coisas boas por aí: muita música e poesia pro meu povo. Projetos que darão seu pontapé inicial a partir de agora. A semeadura começa daqui a pouco.. a colheita virá ano que vem. Depois conto mais.

Enquanto isso, vamos de informação:

O Cordel do Fogo Encantado está lançando novo CD, que se chama Transfiguração. O terceiro álbum da banda (produzido por Carlos Eduardo Miranda), segundo confirma o vocalista, Lirinha, vem ponteado por um maior apuro no aspecto melódico das canções, diminuindo um pouco o peso da percussão, assim como da conseqüente utilização da forte presença da umbanda nas letras e também da marcante característica de poesias recitadas. As canções (literalmente “cantadas”) ganham maior destaque.


Partindo disso, os instrumentistas (como o violonista Clayton Barros, por exemplo) ganharam uma maior liberdade para a utilização de instrumentos antes nunca utilizados no som da banda, como um órgão Hammond.

Em Recife, o Cordel faz show de lançamento do CD Transfiguração no dia 6 de outubro, no Clube Português.

...

Caetano Veloso também vem de CD novo. é o nome do 40.º disco do baiano. Com 12 músicas inéditas, tem como mote estético o rock. É rock mesmo. No estado de espírito que o rock sugere. A princípio, Caetano tinha como projeto, além de gravar um disco só de sambas inéditos de sua autoria, também unir-se ao guitarrista Pedro Sá para gravar um disco heterônimo, no qual ele teria a voz modificada, pra não ser reconhecido como CAETANO VELOSO (algo meio Gorilazz). Mas aí, ambos os projetos acabaram não se concretizando, e tudo virou “rocha”.

O cantor e compositor também fala que nunca esteve tão satisfeito com o resultado de um disco seu, tanto no acabamento do CD como com a impressão a respeito da voz dele, gravada.

(que foi produzido por Moreno Veloso e Pedro Sá) é um disco enxuto (com apenas bateria, guitarra e baixo – além de um pequena participação de um teclado), que traz à tona um Caetano cada mais pessoal e impessoal.

...

Eu tentei colocar o link das matérias que saíram no JC sobre os discos supracitados, mas como é conteúdo exclusivo pra assinantes da UOL, exigia login e senha. Eu ainda não sei como burlar estas coisas, pra poder mantê-los melhor informados. Desculpem-me!!! Mas se não houver problema para as pessoas lerem, posso postá-las (as matérias) no corpo do texto posteriormente, ok?

...

VOVÓ, VENHA VER: NÃO QUERO SER BUROCRÁTICO!!!

“... um pouco de sol, de ar...”

(ouvindo Arrête là, Menina – by Cibelle e Seu Jorge)

27 agosto 2006

Tudo errado




"como estar sozinho,
ficar sozinho,
e só"
(Arnaldo Antunes)

...

porque nunca ando em sincronia com o tempo
porque esse mesmo tempo me joga fora do tempo de outras pessoas
porque essas mesmas pessoas saberiam me sentir mais e melhor se fosse em outro tempo
a pessoa certa
a hora errada
o fio da navalha
cortando, rasgando, esmigalhando
o que ainda me restam de migalhas de sentimentos
e eu quero um colo, e somente aquele
pra não deixar que o mundo me apodreça
me degenere, me seque
e todos os beats, beats, beats, beats
di cuores, di cuores
soam como dores,
cascas de feridas de amores
que o tempo, todo errado, não me deixou viver

...

apenas ela, e nada mais..
aahhh, se fossem tantos e tantos meses e meses e meses atrás
esse post nem mesmo existiria.

22 agosto 2006

eu, de ti, levo tanto..



era uma vez: entorpecido dela,
numa beleza só,
era por dentro, e tão mais por fora
era ela, numa mesa.
apareceu-me de tamanho sorriso,
e me abraçou, feito ao mundo,
e me beijou, como se beija o absurdo.
era um sabor denso,
era doçura impalpável por dentro
e ácida beleza por fora,
de quem já não era mais si mesma
seja pelo beijo, seja pela vida,
pela poesia de estar ali,
entregue a quem não sabia,
e depois estando em outros braços.

eram duas vezes: inevitável sorriso
o meu, o dela,
rostos nus,
despidos,
corações sem ter porque.
era lascívia?
não, era sentimento que não se sabia,
enfim, era tudo e mais um pouco
espalhado, desordenadamente, pela mesa
encharcado de nós o tempo inteiro
era o tempo do seu desvelo
sorver um ao outro, sem nenhum segredo
e na inquietude de pensar:
tudo que acontece duas vezes,
terá de ser três.

eram três vezes: e era querer,
eu a ela, ela e eu
mais uma vez, inteiros.
por mais uma vez, apenas.
não se sabia ainda,
e era noite última
em que as almas,
mais uma vez inquietas,
se freqüentavam,
e, mesmo que envergonhadas,
permitiram-se,
derramaram-se no tempo,
a esquecer que a poesia
e a beleza de tudo que girava em torno,
teria fim um dia.

éramos, eu e ela,
errantes...

por fim,
éramos...

21 agosto 2006

Depois da tempestade, sempre vem a bonança





Depois de algumas semanas de contradições, desencontros, luminescências, inspirações, sugestões, discussões e outras adjacências mais, habemus nome: RADIOLA DE CORDA. Esse é o nome em definitivo que foi usado para batizar minha nova banda. Nome esse consagrado e sacramentado neste último sábado (19/08), no momento de intervalo do nosso ensaio.

Para quem ainda não conhece, fazem parte da RADIOLA DE CORDA esse que vos fala, que se chama Leonardo Vila Nova (percussão e vocais), Juliano Muta (voz e violão – o nipônico com umas das mais belas vozes que eu conheço, diga-se de passagem), Patrícia Mello (voz e vocais – o toque feminino da banda), Walter Maymone (guitarra – nem sei se esse é o sobrenome dele mesmo.. hahahaha), Ricardo Gonçalves (bateria – o magro mais destruidor da face da Terra) e Koala (baixo – o marsupial, mestre das cordas graves). Até então, a gente vem fazendo algumas apresentações no bar Novo Pina (o que poderíamos chamar de “temporada”), com um repertório que vem de Caetano Veloso, Mutantes, Tim Maia, Elis Regina, Gilberto Gil, etc. Mas a partir dos próximos ensaios, pretendemos já começar a incluir – em doses homeopáticas – músicas próprias no repertório.

Nesse último show, que foi sábado, em comemoração aos 6 meses de funcionamento do Novo Pina, o clima era de festa!!! Casa cheia, aquele calor infernal (mas, de certa forma, agradável), suor, muita gente sambando, muita gente tentando sambar, luzes negras dando um tom “agridoce-sombrio” ao ambiente, varanda cheirando a cachimbo da paz, e cervejas compondo a “lírica-etílica” da celebração. Uma moça de entusiasmo subindo no balcão de venda das bebidas, após surrupiar o chapelão do duende, e roubando a cena por alguns instantes. Em certo momento, ela tornou-se a atração principal no lugar do Trio Pouca Chinfra, ao dançar loucamente livre e divertidamente libidinosa. O Show da ex-Lado Z (Agora RADIOLA DE CORDA) bem pauleira. Quem ainda não viu a versão “drum’n’bass-hardcore” que a gente faz de Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), não sabe o que está perdendo. Esse é um dos pontos altos do show.. assim como o “sci-fi caipira”, típico de 2001 (Rita Lee e Tom Zé).. apareçam nas próximas vezes. Garanto que vão gostar.

Aguardo contatos imediatos de 79º grau.

P.S.: Por enqüanto, sem polêmicas.

17 agosto 2006

Dando a cara pra bater

Eu acho ótimo esse lance do feedback em relação às coisas que você escreve. PRINCIPALMENTE quando vai de encontro à sua opinião. Isso é sinal de que as pessoas estão lendo o que você anda escrevendo, e, ainda mais, de que estão lendo com atenção, e que você está conseguindo, de alguma forma, dar uma remexida nessas pessoas. GRAÇAS A DEUS eu tive o primeiro comentário ESCULHAMBATIVO neste blog. E eu sabia que isso iria acontecer, justamente em relação ao último post (a "emetevê"). E estava esperando ansiosamente por isso. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto desses debates acalorados. Mas bem.. vamos ao comentário que me deixaram. Eu não vou colocá-lo lá na postagem de comentários, mas vou reproduzi-lo aqui, no próprio corpo do blog, pra que todos saibam dele. Quem assina é a curiosíssima figura chamada Caetano Buarque Monte Gil do Nascimento.. hahahahaha.. no mínimo, engraçado, né? Aí vai o comentário dessa "excêntrica figura". Depois eu faço o meu. Leiam:

"Caetano Buarque Monte Gil do Nascimento

Leo acho melhor vc procurar o que fazer, é melhor do que perder um tempo precioso da sua vida escrevendo artigos que não vão mudar em nada a sociedade como hoje vive, opinião boa agente guarda pra si.E sim! A MTV é uma merda. E vê quem quer. E graças a deus eu não vejo. Só acho que atacar o gosto (pra mim tb é desgosto) só pq vc só gosta dessas suas merdas é foda! Mas o jovem brasileiro é um merda então fazer o q? A MTV é só um espelho fica chateado não!! critica é assim mesmo."

Pronto. É isso aí, meu povo!!! Vamos aos meus comentários:

1) Rapaaaaz (ou moça), porque não assinou? Seria tão mais interessante colocar o debate em ação se, no mínimo, a gente soubesse quem é que está falando, né não? E eu não entendo o motivo do "anonimato". Medo? Falta de coragem de dar a cara pra bater de volta (assim como eu o fiz no último post)? De passar vergonha por escrever tamanha bobagem? Ou sem-vergonhice mesmo? Acho que esse blog é justamente para que eu exponha minha opiniões acerca dos mais diversos assuntos, do que me der na telha, e, PRINCIPALMENTE, para que as pessoas façam suas considerações a respeito do que escrevi. E como eu bem disse quando inaugurei essa caixinha, avisei que iria falar sobre os mais diversos temas, desde coisas mais sérias, como sobre as maiores besteiras do universo, pois acho que falar merda de vez em quando é bom (assim como você também fez no seu comentário), sabe? Ser sério o tempo todo envelhece, provoca rugas irreversíveis e causa mal humor crônico.. hahahaha.. como diria Tom Zé, na música Complexo de Épico: "por que então esta mania danada, esta preocupação de falar tão sério? de sorrir tão sério? de amar tão sério? e de chorar tão sério? Aaaahhh, meu Deus do céu, vá ser sério assim no inferno!!!" E outra.. eu não vou fazer nada de mal a quem se colocar contrário ao que eu digo. No máximo, vou devolver a esculhambação.. hahahaha.. Então, por que se esconder? Então, da próxima vez, honre as calças (ou as calçolas) que veste e seja menos covarde ao se esconder atrás do nome de um monte de gente boa. Que lástima.

2) "Leo acho melhor vc procurar o que fazer".. mas eu já estou fazendo.. escrevendo na minha boa e velha caixinha. Assim como você está lendo. Se eu perdi meu precioso tempo escrevendo, você perdeu o seu lendo e, MELHOR AINDA, comentando sobre o tempo que eu perdi.

3) "escrevendo artigos que não vão mudar em nada a sociedade como hoje vive". Bem.. eu nunca disse que meu objetivo aqui era mudar a sociedade, nem nada disso. Apenas escrever o que penso. Mas acredito que se alguém que lê isso e começa a pensar um pouco mais sobre essas questões, pelo menos UMA pessoa já é de bom tamanho pra que se possa movimentar uma pequena mudança (que pode, com certeza, ir se perpetuando por aí). Claro que existem aquelas pessoas acomodadas, derrotistas, que nada fazem pela sociedade e que também nem pelo menos escrevem o que pensam.. que nada produzem, que nada fazem.. uns verdadeiros INÚTEIS.. e que quando escrevem, se escondem, como você, né não? Mas só o fato de já despertar uma opinião contrária me deixa satisfeitíssimo. É sinal de que o mundo está se movendo.

4) "opinião boa agente guarda pra si". Que pensamento mais egoísta. Opinião boa a gente ("a gente" é separado.. pois "agente" parece coisa da FBI.. agente da FBI.. hahahaha).. mas voltando: opinião boa a gente divide, a gente reparte e (paradoxalmente ou não) a gente multiplica, a gente espalha para todos. Se você pensa em mudança ou se pensa em melhor viver, só se constrói isso a partir da coletividade. Já estou convencido de que você (quem quer que seja) realmente não pensa nem em sociedade, nem em nada, nem em ninguém, e vai morrer admirando o seu próprio umbigo, guardando todas as suas ÓTIMAS OPINIÕES pra si. Que belo produto da humanidade esse, hein?

5) "Só acho que atacar o gosto (pra mim tb é desgosto) só pq vc só gosta dessas suas merdas é foda!" Mas eu lá ataquei o gosto de alguém?! Eu critiquei o mecanismo de alienação cultural produzido pela MTV. Não disse "isso é ruim", "isso não presta".. em momento algum. Você foi quem utilizou a palavra "desgosto", falando um "tb" antes como se eu tivesse dito isso. Por favor, tenha suas próprias opiniões, mas não utilize minha palavras (nem mesmo palavras que não usei) de forma destorcida. E quem atacou aí foi você, meu caro (minha cara) anônimo(a).

6) "fica chateado não!! critica é assim mesmo." Eu não estou chateado. Estou feliz porque consegui provocar alguém. Isso dá um estímulo pra gente poder escrever mais e mais.. Porém, estaria bem mais feliz se você não fosse tão covarde a ponto de se esconder, e que tivesse, no mínimo, argumentos de verdade e realmente convincentes pra me provar o contrário de tudo o que eu disse. Mas a única coisa que fez foi falar besteira da primeira à última letra. É uma pena que entre o meu círculo de "amigos" exista gente que pense dessa forma, se expresse dessa forma, e o pior de tudo: que não tem, pelo menos, coragem de, assim como eu, dar a cara pra bater também. Afinal, "crítica é assim mesmo". DEMOCRACIA é assim mesmo.

Aaaahhh.. outra coisa: é tanta raiva enrustida assim de mim, é? Tanta raiva que só consegue expressar através da internet e pelo anonimato, né? Nossa, como eu sou odiado.. hahahahaha

Tenho dito.

Obrigado.

(ouvindo 2001 - by Rita Lee)

15 agosto 2006

A “emetevê”





A cada ano venho percebendo o quanto a MTV é uma emissora que promove tendências indiscriminadamente.

Enquanto se fala tanto que a Rede Globo é uma emissora manipuladora, etc e tal.. esquece-se também de que a MTV é assistida por grande parte dos adolescentes desse país, e talvez seja até por isso que ela não é tão levada a sério, pois o que se pensa é que ela é apenas uma TV que se comporta como TV de “aborrescente” com conteúdo “aborrescente” pra “aborrescente” assistir. “Aborrescentes” esses inofensivos.. inofensivos pelo menos por enquanto.

Não quero nem entrar no mérito da polêmica em torno da campanha publicitária que ela promoveu em torno da suposta apologia ao voto nulo, até porque concordo e defendo o direito de veiculação de qualquer tipo de campanha que suscite polêmicas e faça as pessoas discutirem, pensarem, que gere rebuliços.. mesmo eu concordando ou não.. nesse caso, eu concordo em partes, pois acho que uma certa dose de rebeldia é válida, mas não vejo a emissora oferecer outra alternativa (esse é o problema).

E é aí que entro no “xis” da questão: alienação. Só que vou tomar esse viés, pra entrar numa questão que, para muitos, pode parecer banal, pra mim não é de forma alguma: a questão da expressão artística e cultural produzida no Brasil.

Como bem se sabe, cultura (no sentido estrito de manifestação artística de uma sociedade) também faz parte do processo de tomada de consciência e da formação do cidadão, seja como indivíduo consciente de seu papel dentro dessa realidade cultural, seja como transformador da mesma e etc.. E digo que a MTV, nesse sentido, é apenas uma “confraria de comadres da música pop”, e que vai introjetando tendências na cabeça desses nossos jovenzinhos, que se tornarão os “construtores” da nossa pátria amanhã.. eles irão cuidar de nós.. Imagine só.

A MTV, que se diz uma emissora voltada para a produção musical do país, e também internacional, não corresponde à real demanda do que é produzido (seja de bom ou de ruim) no Brasil, pelo menos. Por mais que os jovenzinhos de hoje achem legal, inteligente e rebelde assistir MTV, não percebem que ela cria tendências, explora audiência entre os jovens, pra vender produtos da Motorola, Colcci, etc, etc, etc.. E todo um clima de “legítima audiência” é criada. E vêm-se as comadres, perpetuando-se por entre anos e anos e anos, aclamadas pelo jovens, que acham tê-las escolhido como SEUS ídolos, mas nem imaginam que foi a MTV que, certo dia, percebeu que naquela Pitty, naquele CPM 22, naquele Dead Fish existia uma mina de ouro e disse: “Aê, galera.. agora um clipe de uma banda super legal, que tá fazendo o maior sucesso e blá-blá-blá..”; Os olhos dos adolescentes começam a brilhar diante da possibilidade de fazer parte dessa parcela de pessoas que gosta da banda do momento. Pronto.. e aí se cometeu a lavagem cerebral, de forma simples e prática.

Jovens de cérebros reduzidos a pasta de inhame.. nossa mãe.. não, de inhame, não.. de cérebros dissolvidos em milk shake e Mc Lanche Feliz.. é mais pop, né?

Essa criação de tendências é explícita na GRANDE PREMIAÇÃO DO VIDEOCLIPE NACIONAL, QUE ACONTECE TODOS OS ANOS NA “emetevê”: O VMB. Os indicados acabaram de ser anunciados. E quem está entre os vários indicados??? Adivinhem.. o de sempre: Pitty, CPM 22, Detonautas Roque Clube, O Rappa (que já deixou de ser uma grande banda criadora faz tempo.. e que vai viver de passado, que nem Chiclete com Banana), Chorão (que ainda acredita ser um Charlie Brown Jr. e que só faz música igual)..

Existe uma categoria chamada Banda dos Sonhos, em que o público (que vota pela Internet) escolhe um vocalista, um baixista, um guitarrista e um baterista, para formar a sua “banda dos sonhos”. Não me admira nada que entre os “agraciados” estejam pessoas das supracitadas bandas. Meu sonho nunca vai se tornar realidade: Marisa Monte (vocal), Domenico Lancellotti (bateria), Rodrigo Amarante (guitarra) e Kassin (baixo).. hahahahahaha

Será que o Armadinho ganha como Melhor Performance Ao Vivo, com a música mais PORRE da temporada ("quando Deus te desenhou, ele tava COCHILANDO...")?! Acho muito mais tocante o lance do Barão Vermelho, em Codinome Beija-Flor, com inserções da voz, e imagens no telão, do Cazuza.

A categoria MPB é interessante, porque eu gostaria de saber qual o critério utilizado para escolher os concorrentes. Entrando, de raspão, na questão da sigla MPB, que, por si só, já é muito polêmica, pois não se encontrou um consenso até agora, poderíamos perceber, pelos concorrentes escolhidos (Los Hermanos, Negra Li, Mombojó, Max de Castro e Marisa Monte), que a MTV toma a sigla MPB como qualquer tipo de música feita no Brasil, seja ela pop, rock, experimental, rap, rithm’n’blues, etc.. só que aí está o “xis” da questão: então por que não abolir esta categoria, já que, de qualquer forma, ela engloba tudo? Por que não ser ela a única categoria de todas e ser escolhido um único campeão, de MPB, de Música Popular (ou “Pra Pular”, ou “Pop” – aí, num sentido mais PLOC mesmo) Brasileira? Ou, então, ser conservador ao extremo e colocar somente pra concorrer artistas como Adriana Calcanhotto (que tem um clipe lindo do Adriana Partimpim, que ficou de fora), Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Bosco, Chico Buarque, etc? Música brasileira ainda é muito recalcada.. ninguém sabe o que quer.. aliás, todo mundo sabe: DINHEIRO, FAMA E PRESTÍGIO. Somos Brasil, somos tudo, MPB é tudo: é rock, é rap, é pop, é axé, é brega. Se for segmentar, ou segmenta de vez, ou não segmenta mais porra nenhuma. Agora querer dar prêmio de consolação pra quem não conseguiu entrar nas outras categorias, é foda!

Eita.. e Mombojó, hein? Quero ver caravanas de “mombojetes” ensandecidas (meninas que gostam de ir no Burburinho e no Garagem) pra ir ver a premiação, dar um apoio pros meninos. Quero ver Bolinha ir pra cavarana também. Cada qual com seus babadores. Mas, faça-se justiça: achei muuuuito mais interessante esse novo CD, Homem-Espuma. Eles exploram muito mais vigorosamente e substancialmente sonoridades e texturas distintas, além do que o trabalho com as inserções eletrônicas (coisas que até parecem musiquinha de Atari) caiu bem, de forma suave (assim como os arranjos de sopros) dentro do contexto desse trabalho, e pra ver eles se saíam de uma vez por todas daquele tipo de música que mais aludia a um bando de “playboyzinhos metido a doidões depressivos, que conquistavam as gurias que gostam de ir no Burburinho e no Garagem”.

Na categoria Banda Revelação, eu acho que merecia ganhar Cansei de ser Sexy, maaaaaaaas com certeza ganha alguém dessa turma: For Fun, Hateen, NX Zero; Pois essas bandas vêm mais alinhadas à tendência criada pela própria MTV, a do “Dead Fish way of Life”.

PÔ!!!!! Melhor Videoclipe de Rock, hein? Puta merda.. vocês já viram o trabalho bárbaro (seguindo o conceito de psicodelia em preto-e-branco) de Hoje, Amanhã e Depois, da Nação Zumbi?! É um clipe cheio de sugestões visuais, algo que, não sei se é só impressão minha, mas me remete aos quadros de Salvador Dalí. Ele me enche muito a vista e a concatenação de uma inteligência visual astuta. Espero que ganhe, mas quem vai ganhar, com certeza, não é Nação Zumbi.. deve ser o CPM 22.. pois MTV é sempre MTV e público de MTV é sempre público de MTV, né? Fazer o quê?

Por mais banal que possa parecer essa minha preocupação, eu ainda acho que se os nossos jovens se acostumam a uma emissora cujo cardápio é sempre composto pelas mesmas comadres, que cria uma paradigma na cabeça desses mesmos jovens, e em torno dela, de TV independente, moderna e rebelde (quando na verdade ela é tão mergulhada numa fossa capitalista do mesmo jeito, ou até mais, que uma Rede Globo), que, em vez de oferecer uma visão mais panorâmica e ampla de nossa produção musical como um todo (afinal, quer queira quer não, ela é vista em massa por maior parte dos adolescentes, deveria ter uma responsabilidade na formação do conhecimento desses jovens a respeito disso).. acho que, diante disso tudo, a nossa cultura, que é composta por diversos elementos culturais, dos mais variados, uma pluralidade jamais vista em lugar algum do mundo, mas que ainda não têm por parte de nossa mesma mídia uma cobertura e difusão mais ampla possível de um tudo que existe em nosso país (o que não é pouco, nem ruim), ou se esfacela na mais miserável síndrome de Terceiro Mundo, sempre querendo imitar o que é de fora, ou cai na mais bela graça de Denny Oliveira e suas bandas de brega, como uma vez eu vi Rogê dizendo, lá na Católica (em relação a programação de TV que o jovem assiste hoje em dia, dividida entre MTV e programas de brega): “ou a menina vira Pitty, ou vira puta!!!”

E tenho dito.

P.S.: Pronto.. agora podem me xingar à vontade: tanto os intelectuóides de plantão, que ouvem Chico Buarque, como os MTVmaníacos (conheço muitos).

08 agosto 2006

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..





É com essa frase que faço a minha homenagem ao cantor, compositor e pensador crítico contemporâneo Caetano Emanuel Viana Teles Velloso, ou Caetano Veloso, para os mais íntimos (no caso, o Brasil inteiro), que ontem (07 de agosto) completou 64 anos de vida. O leonino, nascido em Santo Amaro da Purificação (cidade pertencente ao Recôncavo Baiano) prepara-se para lançar mais um novo CD, intitulado , produzido pelo filho Moreno Veloso e pelo guitarrista Pedro Sá.

Caetano é daqueles que ou se ama ou se odeia (eu me enquadro na primeira opção). Tudo isso por causa do seu comportamento e opiniões críticas imprevisíveis (e nem sempre palatáveis) a respeito dos mais diversos assuntos: cultura, música, filosofia, política, etc. Por nem sempre estar alinhado com o lugar comum do que instituem os grandes “intelectuais” como, razoavelmente, ponderado e coerente com o que “deveria” pensar um intelectual residente num país de 3.º mundo, assim provocando (conscientemente ou não) polêmicas e, logo após, as diluindo no tempo e no espaço, é que Caetano foi ganhando seguidores e inimigos (confessos ou não) ao longo de 4 décadas de carreira. Caetano surpreende (não sei se hoje nem tanto, pois creio que todos já se acostumaram) quando diz gostar do grupo Nação Zumbi da mesma forma como também elogia o grupo de “pagodaxé” Harmonia do Samba.

Caetano, junto a tantos, como Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa, Rogério Duprat, Júlio Medaglia, Capinam, Torquato Neto, Jomard Muniz de Britto, Aristides Guimarães, Raul Córdula, Celso Marconi, etc, etc, etc, foi um dos artífices de um movimento musical, cultural, comportamental que sacudiu o final dos anos 60 e que colocou o Brasil diante das inúmeras possibilidades de “deglutição e reprocessamento” (adotando aqui um termo apropriado para a questão antropofágica) de seus vários “brasis”. Movimento esse que andou na contramão de tudo o que se fazia na época como movimento musical bem alimentado e bem nutrido intelectualmente e de forma engajada em relação ao regime ditatorial que vivia o país (o referencial na época eram as músicas de protestos, produzidas por artistas de esquerda, alinhados com a juventude “universotária” paulista), ao assimilar guitarras elétricas, sintetizadores, músicas de alto teor visual às batidas dos pandeiros, berimbaus, unindo o samba ao rock’n’roll, os Beatles à Banda de Pífanos de Caruaru, o que possibilitou uma reavaliação e abertura maior de possibilidades à música brasileira que passou a ser feita a partir daí. Por causa de todo esse rebuliço, ele e Gil foram “gentilmente convidados a darem o fora do país”, indo viver um Londres, num exílio que durou em torno de 2 anos. Desde antes daí, também após voltar da Inglaterra, como até hoje, Caetano vem mantendo embate frenético com crítica e público. Diante disso, entra e sai de todas as estruturas, de peito aberto, alma de artista, dando a cara pra bater e devolvendo o tapa sempre que acha necessário. Vai do rock’n’roll reprocessado (Come as You Are) à música brega (Você não me ensinou a te esquecer) como quem vai na esquina, comprar pão, e volta tranqüilo e sorridente pra casa.

Mesmo assim, despertando ódio de tantos, é inegável a importância desse homem para a nossa cultura. É justamente através suas “contradicções” (parafraseando o mestre Jomard Muniz de Britto) que Caetano alimenta o jogo das dialéticas, introjeta veneno nas veias onde só corre um leite manso, sacoleja a cabeça de tantos, seja para concordar como para fazer pensar nas suas opiniões, criticando-as.

É por essas e outras que Caetano Veloso é capa da Revista Cult desse mês. Numa entrevista que está disponível na Internet (segue o link abaixo), ele fala sobre racismo, Estados Unidos, “antiamericanismo”, crítica, intelecutalidade, literatura, entre outras amenidades.

Encerro essa “ODE” a Caetano Veloso com uma frase dita por ele nessa entrevista e com a qual concordo completamente:

“Já escrevi, e reafirmo agora, que o Brasil precisa tornar-se o mais diferente possível de si mesmo para poder se encontrar.”

Link da entrevista:
http://revistacult.uol.com.br/website/entrevista.asp?edtCode=5CE31EF8-D245-4ACF-8449-9F6C2C3ECC1F&nwsCode=DC91FA2E-0294-4245-9EC0-8D11CE37657A

(ouvindo Pássaro Proibido – by Doces Bárbaros)