19 março 2008

o pecado antes da reza


Meus queridos,



eis que amanhã (quinta, 20/03), véspera do feriado de Semana Santa, vai rolar uma festa bacana, pra quem tiver afim de curtir um bom som..





O Pecado Antes da Reza. Esse será o show de estréia da Ínsula, que há quase 1 ano vem se reunindo, tendo idéias, costurando sons, colocando amor e energias em suas canções, para, enfim, apresentar seu repertório ao público. Repertório que inclui músicas próprias e releituras de artistas como Beatles, The Doors, Moreira da Silva, Tom Zé, com um quê de autoralidade, fazendo com que tais obras tenham a cara da Ínsula.


Esse show, na realidade, vai ser um passeio pelas mais diversas nuances, sensações, timbres e cores, da música insólita e imprevisível que escolhemos por fazer, onde cada compasso se transforma em algo absolutamente diferente e inesperado, onde o diálogo entre elementos tão diferentes entre si (como um cavaquinho e um violoncelo, por exemplo) traduz justamente essa nossa vontade de querer sempre fazer um som que se possa ouvir, sentir, cheirar, lamber, tocar, fazer reverberar dentro de todos os cantos da cabeça, do coração e da alma.




Além da Ínsula, quem também se apresenta amanhã é a banda Pé Preto, uma turma da mais alta qualidade, que traz na bagagem muito groove, black music, soul, funk, com um repertório que vai de composições próprias, passando por Tim Maia (da fase "Racional"), até versões de artistas como Caetano Veloso, Lula Côrtes, The Beatles, etc.. Enfim, tudo é "funkeado" (e muito bem) por essa galera.

E no intervalo entre as bandas, entra em ação o DJ Justino Passos.

A quem interessar possa, O Pecado Antes da Reza vai rolar a partir das 22h, no Quintal do Lima, que fica na Rua do Lima, nº 100, em Santo Amaro (próximo à TV Jornal).

A entrada vai custar R$ 5,00 (cinco dinheiros).

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E pra quem quiser sacar sobre a Ínsula, eis as vias de acesso:

ilhadosvicios@gmail.com
www.myspace.com/ilhadosvicios
www.youtube.com/ilhadosvicios
www.flickr.com/photos/ilhadosvicios

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Um grande abraço a todos.. E VAMOS PECAR AMANHÃ!!! DEPOIS A GENTE REZA, PEDINDO PERDÃO (OU NÃO)..

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Apreciem sem nenhuma espécie de moderação.

15 março 2008

É ROCK E É SAMBA!!!!

Meus queridos,

vamos a uma agendinha básica pra esse fim/começo de semana.

A NOITE DO DESBUNDE ELÉTRICO II

Nessa noite de hoje (sábado, 15/03), a partir das 21h, o Armazém 14 será o local onde será celebrado o mais puro rock'n'roll.

É a segunda edição do festival A Noite do Desbunde Elétrico, que irá reunir bandas que têm em comum a influência do rock dos anos 60 e 70.



A programação conta com as seguintes atrações:

- Os Insites
- Canivetes
- Malvados Azuis
- Lula Côrtes e Má Companhia
- Cabelo de Sapo
- Dunas do Barato

A entrada custa R$ 5,00 (cinco dinheiros).

ATENÇÃO: Eu estou sabendo (através da comunidade do show) que as moças não pagam até as 22h. Além disso, Lula Côrtes e Má Companhia será a primeira atração da noite, começando EM PONTO. Então,quem tiver afim de ir, não se demore muito a chegar lá.

Aaaahh.. também vale frisar que eu farei uma participação no show dOs Insites, na música Sem Fazer Média, da qual participo também no EP homônimo que está sendo lançado por eles.

Quem quiser sacar a música, pode baixar por esse link aqui:

http://rapidshare.com/files/99632787/09._Os_Insites_-_Sem_Fazer_M_dia.mp3.html

E por falar nOs Insites, eles estão concorrendo a uma das duas vagas do Abril Rock deste ano. Rolou uma pré-seleção em que foram escolhidas 10 bandas (5 de Pernambuco e 5 de outros estados do Nordeste), pra serem submetidas ao voto popular.

Portanto, gostaria de pedir a todos que acessem o link (www.linkmusical.com.br/abril) e votem nOs Insites, ok?

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QUINTETO ALVORADA NO UK PUB

E nessa terça-feira (18/03), a partir das 21h, o UK Pub recebe o grupo Quinteto Alvorada.

O Quinteto Alvorada (ex-Estúdio Samba) é um grupo do qual faço parte, junto com os queridos companheiros Juliano Muta (voz e violão), Deco Nascimento (contrabaixo), Jeremie Moussaïd (guitarra) e Manel Cunha (bateria).

A proposta é desconstruir, reprocessar o samba e REdizê-lo através de outras vertentes musicais, como, por exemplo, o reggae, a salsa, o rock, o tango, o jazz, o xote, etc.


No repertório, músicas de Chico Buarque, João Bosco, Vinicius de Morais, João Donato, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, entre outros, são reinterpretadas através de releituras bastante originais, e até mesmo inusitadas, não se predendo ao tradicionalismo, e permitindo a experimentação de novas nuances e possibilidades musicais.

O UK Pub fica na rua Francisco da Cunha, nº 165 - Boa Viagem.

O couvert custa R$ 5,00 (cinco dinheiros)

ATENÇÃO: Vai rolar ladie's free até as 22h e clone de chopp até as 0h.

Portanto, aproveitem pra curtir um bom som e encher a timba (com moderação, claro).

E levem suas parêias!!!

03 março 2008

ilha dos vícios


ATENÇÃO! ATENÇÃO! ATENÇÃO!

Em edição extraordinária e especialíssima!!!

POST N.º 50 DA CAIXINHA:

Essa postagem de número 50 ficou reservada para uma ocasião importante. E ela se chama ÍNSULA.

Muita gente, com certeza, já deve ter me ouvido falar sobre a ÍNSULA, que é uma das bandas da qual faço parte.

Até então, não chegamos a fazer nenhum show "OFICIAL "de estréia (apenas um pocket-show, no fim do ano passado, na festa de confraternização da Representação Regional do Ministério da Cultura). Isso por conta do tempo que as idéias, canções e arranjos levaram pra maturar. Sem contar o fato de que todos da banda têm muitos outros afazeres. Por isso, também foi um trabalho danado conciliar as agendas de todos.

Mas, até que enfim, chegou a hora. E neste mês de março, a ÍNSULA estréia, OFICIALMENTE, para o público em geral.

E pra quem quiser entender o que vem a ser ÍNSULA, segue o release da banda:

“Concreto e neblina cega. O homem moderno vive imerso em uma maquete de mundo que criou para se sentir seguro e nem conhece direito o planeta em que vive, que dirá o universo. Mas há algo que grita dentro de cada ser humano, silenciosamente, ao fechar os olhos ou meditar. Até onde o que existe é criado pelos sentidos? Qual o limite entre o real e a fantasia? E se tudo que vemos não passar da construção ancestral de uma linguagem viciada?

A resposta para a origem dos desejos está numa ilha dentro de nossas cabeças: Ínsula. Sua função cerebral é o controle de todos os vícios, os impulsos de vida. É ela a responsável por iludir nossos olhos, boca e ouvidos, sendo a fonte de nosso prazer e de nossa dor. Desatento, pode alguém passar pela vida e não vivê-la de fato, ludibriado pelos sentidos.

Nesse cenário, a música é libertadora. Ela tem o poder de nos levar além dos limites, fazendo-nos transcender o visível. Ao acompanhar uma harmonia e uma melodia bem construídas, a mente viaja por mundos nunca antes visitados. E é justamente essa a proposta do grupo: percorrer o universo musical com sensibilidade e ultrapassar a barreira do superficial.



No repertório, um projeto que se aventura na experimentação da composição própria, além de releituras da música seiscentista e setentista, com incursões pelo samba, baião, tropicalismo, jazz, valsa, dub, blues, através das mais diversas possibilidades, sem fronteiras geográficas ou estilísticas.

A partir de um formato pouco usual, o grupo sugere, através de suas canções, [re]combinações improváveis de situações musicais, trabalhando ritmo e poesia, arranjos e performances, numa simbiose de sensações, onde toda e qualquer forma de expressão musical é reprocessada e torna-se estimulante aos sentidos.

A idéia é ter liberdade para, por exemplo, fazer uma leitura de um standard do jazz norte-americano se utilizando de elementos tupiniquins ou executar um típico baião nordestino com o mesmo apuro e cuidado, sem preconceitos, pois música é universal. Há boa música em Bangladesh e na China, em Oklahoma ou no Sertão do Pajeú, basta estar aberto a ouvi-la.”


Imersos no vício, então:

Juliano Muta voz e violão
Demóstenes “Macaco” Jr. trompete, cavaquinho e voz
Fel Viana contrabaixo e voz
Leonardo Vila Nova percussão e voz
Manoel Cunha bateria
Luís Carlos Ribeiro violoncelo

O show de estréia da ÍNSULA irá rolar no dia 20/03 (véspera do feriado de Semana Santa), às 22h, no Quintal do Lima, junto com a banda Pé Preto.

E na semana seguinte, no dia 28/03 (última sexta-feira do mês), também às 22h, a ÍNSULA faz mais um show, dessa vez no Novo Pina, junto com a Comuna.

Mas, antes disso, nessa próxima sexta (07/03), a partir das 14h, a ÍNSULA irá participar do programa Pernambuco Cantando para o Mundo, na rádio Universitária AM (820 MHz). Em uma hora de programa, iremos falar um pouco sobre nosso som, nossas idéias, nossas canções e projetos futuros. Vai ser um bom papo.




Quem quiser conhecer mais sobre a ÍNSULA, é só acessar:

www.myspace.com/ilhadosvicios
www.youtube.com/ilhadosvicios
www.flickr.com/photos/ilhadosvicios

E entrar em contato conosco através do e-mail:

ilhadosvicios@gmail.com

Das 4 canções disponíveis no MySpace, 3 delas são um diálogo direto com a literatura:

4 Horas e 1 Minuto e Pecado Aceso Claro são textos originais do poeta recifense Miró, musicados por Juliano, pra fazer parte da trilha do documentário Onde Estará a Norma?, que fala justamente sobre a vida e a obra de Miró, e faz uma abordagem sobre sua relação com a poesia, a cidade, o cotidiano.

Átema, por Encanto é composição de Juliano e Yuri Pimentel (Comuna) sobre texto de Clarice Lispector, do livro Água Viva.

Além disso, essas gravações contam a participação de Lucas Araújo (Parafusa, Dibontom) nas baterias em Missa e Pecado Aceso Claro; Júnior Crato (Rivotrill) e sua audaciosa flauta dão o ar de sua graça também em Pecado Aceso Claro. Em Missa, o contrabaixo ficou por conta de Yuri Pimentel. Também presente nesse trabalho, a voz de Joana Velozo em Átema, por Encanto.

A música da ÍNSULA exala sensibilidade, apuro e também boas doses de bom humor. Além de possuir uma grande carga cênica. São músicas feitas não só pra ouvir, mas pra ver, dançar, sentir, cheirar, tocar, lamber. Sem falsa modéstia nenhuma, posso afirmar que, realmente, é essa a pretensão: fazer uma música que dialogue com os sentidos; uma música completamente humana, mas muitíssimo audível e compreensível pela alma e coração.

Mais uma vez, o serviço, pra todos ficarem atentos:

07/03 (sexta-feira), às 14h – Entrevista com a ÍNSULA no programa Pernambuco Cantando para o Mundo, da Rádio Universitária AM (820MHz).

20/03 (quinta-feira), às 22h – ÍNSULA (estréia) + Pé Preto, no Quintal do Lima. R$ 5,00 (cinco dinheiros)

28/03 (sexta-feira), às 22h – ÍNSULA + Comuna, no Novo Pina. R$ 5,00 (cinco dinheiros).

Náufragos, aproveitem para ancorar nessa ilha dos vícios e divirtam-se!!!

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04 dezembro 2007

tom zé e o funk carioca


O título acima é auto-explicativo.

Em 2005, quando conclui minha monografia, intitulada A Tropicália no século XXI: as reverberações do movimento tropicalista na contemporaneidade, eu afirmava, entre outras coisas, que a Tropicália, ou a sua intervenção estética, as suas atitudes como manifestação artística e cultural encontravam ecos nos tempos atuais a partir, também, do flerte que seus artífices sempre mantiveram com a cultura de massa, com o kitsch, com o tido como de “mal gosto” ou "inferior", e, também, erroneamente, classificado como “subcultura”.

Pois bem.. isso pode muito bem ser comprovado ao longo dos anos, quando, por exemplo, podemos observar Caetano e Gil em intenso e caloroso diálogo artístico com essas tendências tidas como “menores”: Caetano, no festival Phono 73, se apresentou cantando uma música com Odair José, o rei das empregadas, das prostitutas e contra a “pílula”. E também, além de outras coisas, sempre falou abertamente da sua paixão pela axé music, já gravou (no CD Noites do Norte ao vivo) o funk Tapinha não Dói, músicas de Peninha (Sonhos e Sozinho) e de Fernando Mendes (Você não me Ensinou a te Esquecer). O ministro Gilberto Gil já declarou da sua simpatia pela (ex)dupla Sandy e Júnior e já cantou com Ivete Sangalo o refrão “chupa toda”.

E por esses mesmos motivos, ao longo dos anos, muitas vezes eles foram achincalhados pela crítica, por grande parte dos “intelectuais” e até por muitos fãs, sendo atitudes como estas classificadas como grotescas, de “mercenários vendidos” e outros adjetivos não muito gentis. Porém, continuaram prosseguindo com essa prática tipicamente tropicalista, bastante conscientes, fiéis e coerentes às posturas defendidas por eles desde 1967.

Fico feliz em saber que essa minha tese continua firme, consistente e atual. Agora, com outro tropicalista dando mostras de que esse diálogo com a cultura de massa, além de verdadeiro, é assaz inspirador e produtivo.

Descobri ontem um vídeo no youtube em que, numa entrevista, Tom Zé fala da importância do funk carioca (em especial aquele do refrão “tô ficando atoladinha”) para a concepção do seu mais recente disco, o Danç-Êh-Sá – A Dança dos Herdeiros do Sacrifício.

E ele fala dessa importância pra ele com embasamentos teóricos, muitíssimo bem fundamentados tecnicamente, musicalmente falando. Classificando até esse refrão como “microtonal, pluri-semiótico e meta-refrão”. Nossa!!!

Eis o vídeo:



Bem.. já sei muito bem que os “pseudo-pop-cult-intelectuóides” de plantão serão complacentes e permissivos, por se tratar do nosso genial Tom Zé louvando a complexidade musical desse funk. Porém, se fossem Caetano ou Gil a dizer isso, estes seriam estrondosamente vaiados, sem dó nem piedade, quiçá até sem nem direito a se explicar. E sabe por quê? Muito menos pelo fato de esses “pseudo-pop, etc e tal” entenderem de fato a importância dessas palavras de Tom Zé, mas muitíssimo mais pelo fato de que Tom Zé sempre teve um caráter outsider e underground dentro do tropicalismo (entrou até em ostracismo durante anos) e, por isso mesmo, que desde a metade dos anos 90 pra cá que gostar de Tom Zé tornou-se algo cult. Gostar do que pouquíssimos gostam (ou seja, fazer parte de uma reduzida platéia seletiva) é cult.

Pois, então, coloquemos tudo isso no mesmo liquidificador: Peninha, Fernando Mendes, Odair José, o funk carioca, Ivete Sangalo, Tom Zé, Gil, Caetano, Beatles, Banda de Pífanos de Caruaru, música erudita e o que mais der na telha.

Cada ingrediente desses é uma faceta de um Brasil imenso, complexo e contraditório, que avança em idéias, em tecnologia, em cultura, porém ainda preso a moldes arcaicos (seja tradicionalmente, mercadologicamente, religiosamente, moralmente, etc.). E foi esse quadro extremamente conflituoso que a Tropicália escancarou no fim dos anos 60: um Brasil que não era só banquinho, violão, pandeiro e música de protesto. E sim um Brasil que, além disso, era samba, baião, afoxé, rock’n’roll, Chacrinha, Vicente Celestino, Carmen Miranda, carnaval, etc.

Esse tipo de música que se costuma dizer de baixo nível é parte também desse Brasil, mesmo que seja a parte que tentamos evitar, fechar os olhos perante ela. É a periferia, é o morro, a favela, que quando não tem educação, lazer, e por muitas vezes lhe é negada a dignidade, faz música. E essa música é manifestação autêntica dessa cultura existente em nosso território. Quando se diz “tô ficando atoladinha” e os “intelectuóides” se mostram horrorizados com isso, esquecesse-se que muito mais putarias, e mais “horrendas” até, são praticadas por esses mesmos críticos, seja por debaixo dos panos ou não. Uma moral falida, uma concepção cultural ingênua, que não enxerga, por exemplo, que o samba, hoje louvado por tantos, teve seus tempos de “funk” até metade do século XX.

E é justamente esse Brasil (costura de tantos brasis) que a Tropicália fez questão de mostrar, e com a qual fez questão de dialogar e de se utilizar das suas qualidades pra construir um mosaico incrivelmente rico, onde o pobre daqui é muito diferente do de muitos países, desses que alimentam o ódio social entre classes.. o pobre daqui faz música também, porém com alegria e espontaneidade, que não deve ser renegada.

E é justamente desse Brasil que eu tenho orgulho de dizer que “TÔ FICANDO ATOLADINHA” foi importante para a concepção de Danç-Êh-Sá, disco de Tom Zé, que é tão aclamado pelos “pseudo-pop-cult-intelectuóides”. Essa eles vão ter que engolir!!!

E por isso que eu digo: “don’t call me no, please.. don’t call me no, I go.. come on! come on! Come on! come on!

P.S.: Além de tudo isso, esse post de hoje foi escrito ao som de Creep, do Radiohead. (sincrético pacas, não? hahahaha)

21 novembro 2007

semeadura e a colheita – 3/3



Mas nem só de teorias, tratados filosóficos, conceitos musicais e CD demo (ou EP, hoje em dia) vive uma banda. Também é necessário muito trabalho, esforço e dedicação. Correr atrás de shows, divulgar, ensaiar, passar som, etc. E, antes de qualquer coisa, acreditar no que se faz, colocar todo o seu amor naquilo. Tudo isso para que o trabalho possa ser reconhecido e alcance o maior número de pessoas possível, e que possa estimular a sensibilidade de cada uma delas de alguma forma. Que nossa música instigue, agite, faça pensar, remexa por fora e por dentro, provoque catarses. Essas são conquistas bastante recompensadoras, são o propósito principal de se fazer arte.

Nessa caminhada de dois anos juntos, considero que foram muitas as conquistas de Chocalhos e Badalos. A gente teve uma repercussão até razoável pra uma banda iniciante que era formada por meninos muito jovens (com idades que não passavam dos 25.. o mais novo, à época, tinha 18/19 anos). Muita gente nos conhecia, mesmo sem que tivéssemos uma noção muito nítida disso. É claro que não era nada estupendamente avassalador, mas dava pra sentir que nossa música estava até rolando por aí.

Apesar do curto período de tempo, nós vivemos alguns momentos interessantes que eu gostaria de relembrar, compartilhando dessas lembranças com quem ler essas próximas linhas. Shows, gravações (pra TV e rádio), ensaios, etc. Coisas que me vêm em mente e que me trazem boas recordações.

ÍNDIA MÃE DA LUA: O COMEÇO DE TUDO!!!

Poucos sabem, mas o nosso primeiro “show” (informalmente, informalmente) foi em Maracaípe, a convite da Índia Mãe da Lua.

Recebemos a notícia desse convite pelo nosso querido japonês, Juliano Muta (na época, Juliano era ainda um menino arredio, bicho-do-mato, alternativo em excesso, totalmente despreocupado com a “logística” das coisas). Era um evento em defesa da natureza, que iria contar com várias bandas, etc. Ficamos até empolgados com a idéia. Mal sabíamos nós que o esquema era a maior sujeira.. hahahaha.. e, realmente, foi.

Não tivemos direito a transporte.. o nosso “Bolsa-Família” foi algo em torno acho de R$ 1,50 a R$ 3,00 em alimentação pra cada um (um refri, uma coxinha e olhe lá..), quase não tínhamos onde dormir, tocamos num equipamento furreca, que nem pedestal pra microfone tinha.. tudo desorganizado.. num clima woodstock praieiro da porra.. vendo o dia nascer, tocando, bebendo e “tentando” ser feliz. Encontramos de tudo: hippies, surfistas, coroa dona de pousada dando em cima de Juliano, caseiro de pousada gago, TUDO!!! Tenho traumas dessa Índia Mãe da Lua até hoje (ela só quer saber de fumar maconha e ficar tocando aquela flautinha dela.. hahahaha). Mas, no fim das contas, foi uma experiência divertida essa de viajar com a banda, em seu primeiro show.

E mais divertido ainda era ver Rafael Duarte (nosso primeiro baixista, hoje no Rivotrill), com sua voz esganiçada, reclamando estressado com Juliano, por conta dessa “mega” produção. Tanto que me lembro que Rafael perturbava, dizendo que isso era obra de “JULIANO MUTA PRODUÇÕES”.. hahahaha.. eu NÃO agarantchio!!!

3.ª BIENAL DA UNE (13 de fevereiro de 2003)

A União Nacional dos Estudantes realizava sua 3.ª Bienal de Arte e Cultura em Recife (PE), no Centro de Convenções de Pernambuco, e nós fomos um das bandas escaladas pra se apresentar. Tocamos para um público de aproximadamente 8 mil pessoas, abrindo o show de Alceu Valença. Apesar da nossa apresentação ter sido cortada pela metade por conta da produção (que alegava que Alceu queria entrar, impreterivelmente, às 23h30 e “foda-se” quem não tocar no tempo devido pra ele entrar..), apesar de fazermos um show de apenas 30 minutos, foi tamanha a emoção e o respaldo do público, empolgado e empolgante, que nos abriu os braços, fazendo com que uma belíssima energia nos conduzisse a realizar um show vibrante e inesquecível. O ponto alto foi justamente a abertura, cantando Geraldinos e Arquibaldos, de Gonzaguinha, somente à capela, para o púbico extasiado. Lembro-me comovido daquela multidão.

A TRILOGIA DOS “CANTOS”

É também inesquecível a série de apresentações no Teatro Maurício de Nassau (na época, administrado por Serginho Altenkirch, grande camarada e incentivador do nosso grupo, que sempre esteve a postos, nos cedendo espaço pra apresentações), onde apresentamos, entre outros shows, a trilogia dos “Cantos”: 1) Canto de Ossanha (30 de abril de 2003); 2) Canto de Xangô (18 de junho de 2003); 3) Canto de Iemanjá (30 de agosto de 2003). Todas as apresentações foram feitas juntamente com os amigos da Comuna (na época, Comuna Experimental) e do grupo de teatro Caixa de Pandora. Todos esses shows tinham um clima mágico, de interação ente os grupos que participavam e o público. Tudo começava no meio da rua, com o Caixa de Pandora realizando seus experimentos cênicos, suas intervenções teatrais/poéticas/musicais/dionisíacas. Em algumas dessas, nós participamos com a música. Do lado de fora até dentro do teatro, o publico era conduzido pelos atores, num clima de catarse bastante propício para o banquete musical que viria a seguir, servido por conta da Comuna e de Chocalhos e Badalos. O mais memorável desses encontros foi o primeiro, Canto de Ossanha, onde uma belíssima jam com todos os músicos rolou no final. Juliano utilizava um chapéu de bobo da corte, cantamos, todos juntos, a música título da festa e até eu cantei A Carne, composição de Seu Jorge e Marcelo Yuka, famosa na voz de Elza Soares. Arrebatador.

XIII FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS (13 de julho de 2003)

Esse momento representou uma grande realização pra todos nós. Estar ali, naquele grande evento, naquela cidade, apresentando-se para um público diferente (e também tão próximo, já que grande parte do povo de Recife vai pra lá), tudo tinha um sabor diferente, marcante. A produção do festival foi de uma eficiência, profissionalismo e gentileza tamanha conosco. Transporte exclusivo, camarim decente, som impecável.. tudo isso contribuiu para uma apresentação também impecável, feliz, instigante, contagiante, que contou com a participação da paraibana Larissa Montenegro (da banda Chico Correa & Electronic Band), dividindo com Filipe BB os vocais em Pra Onde o Mar se Acaba. Tocamos para um público de, se não me engano, 15 mil pessoas, com direito a matérias elogiosas nos jornais do dia seguinte. Uma platéia também muito vibrante. Um show com direito a bis, a pedidos da produção do palco. Além de quê, a participação dos atores Júnior Aguiar e Asaías Lira (o Zaza) na introdução do show, com a música A Cara do Cara. Saímos de alma lavada, por termos feitos um bom trabalho nesse dia. Um dia muito especial.

CASA DA GLOBO / CARNAVAL ATERNATIVO DO RECIFE ANTIGO (24 de fevereiro de 2004)

Era o último dia do carnaval de 2004. E nos apresentamos no programa Casa da Globo, que é exibido anualmente, no período carnavalesco, onde artistas são chamados pra uma casa em Olinda (este ano, também no Recife Antigo), onde cantam e conversam sobre música e carnaval com os repórteres da Rede Globo Nordeste. Nesse mesmo programa que participamos, também passaram por lá Claudionor e Nonô Germano, SpokFrevo Orquestra, Lula Queiroga, Lenine e Silvério Pessoa (que cantou conosco Micróbio do Frevo e Me Dá um Cheirinho).

Além da visibilidade que a TV poderia nos dar a partir daquele programa, tivemos direito a um buffet da Rede Globo que, meu amiiiiigo, RESPEITE!!! hahahaha.. todo mundo lavou a burra!!! Então, bêbados, drogados e prostituídos (principalmente por conta do whisky) saíamos todos dali, rumo em direção ao Teatro Maurício de Nassau, onde nos apresentaríamos pela programação alternativa do carnaval do Recife Antigo (a cena mais bizarra, fruto dessa tarde etílica, foi a de Juliano, saindo desesperado pela janela da van, no meio do caminho, pra mijar no meio da rua, pois ele estava apertado.. hahahahaha).. o show no teatro foi bem carnavalesco, pelo clima de embriaguez que nos encontrávamos. O teatro estava lotado e o público caloroso. Formidável.

ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE HISTÓRIA – ENEH (12 de julho de 2004)

Esse dia, em especial, teve um clima mágico. Não sei explicar exatamente porque, mas dava pra sentir que a energia daquele lugar (Forte das Cinco Pontas) era linda, diferente, transcendental, propícia para a celebração da arte. Era de uma natureza cósmica que nos permitiu vivenciar intensamente na pele aquele show, com um público de estudantes de todos os lugares do país, curiosos, ávidos, que antes do shows nos perguntavam a todo o instante o que iríamos tocar, e que durante ele responderam positivamente à nossa intenção: envolvê-los com nossa música.

Eram belas meninas, dançando mística e sensualmente, contornando os espaços com pés e mãos, eram olhos atentos e brilhantes. Era gente com sede insaciável de música. E nos demos de beber reciprocamente.

Nesse dia, contamos com o amigo Yuri Pimentel (da Comuna) tocando contrabaixo conosco, já que Deco estava em viagem.

...


Abaixo, mais um vídeo gravado no Som da Sopa (em novembro de 2003). Dessa vez, tocando a música Pra Onde o Mar se Acaba. E como não poderia deixar de ser, a legenda no vídeo está errada. hahahaha:







Além desses, foram tantos os lugares por onde passamos e deixamos os sons de nossos acordes e batuques:

- Capibar (por diveeeeeeersas vezes)

- Unicap (por duas vezes)

- La Prensa

- Armazém 14 (para o programa de TV Som da Sopa, de Rogê, num especial, onde também participaram Sa Grama, Pindorama, Comadre Florzinha, Os Cachorros e Textículos de Mary)

- Comunidade da Ilha Santa Terezinha (Santo Amaro)

- Espaço Usina (onde fizemos um show incrível, por onde passaram, na mesma noite, Coco Raízes de Arcoverde, Eddie, Comadre Florzinha, Maciel Salú, Cila do Coco, Sa Grama, Batuque Usina, Coco Bongar, Cogu Blues, Bonsucesso Sambaclube, Mombojó, Aurinha do Coco, DJ’s Nego Nu e Gringo da Parada.. e lá também também fizemos um show especial de São João, junto com Comadre Fulozinha)

- Praia de Boa Viagem - na frente do Acaiaca (para o programa de rádio Cidade na Praia, também de Rogê).

- Fafire

- Garrafus (hoje, Toca da Joana)

- Mad Pub

- Canal das Artes (onde realizamos o último show da banda, no dia 4 de dezembro de 2004)

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Além disso, fizemos algumas aparições em programas de rádio e TV, como os já citados Som da Sopa e Cidade na Praia. Também fizemos participações em outros programas da Rádio Cidade (como o Cidade do Rock e o Torcida da Cidade, onde alguns dos meninos conversaram sobre música e futebol) e da Rádio Universitária AM (Coquetel Molotov).

Na TV, demos as caras no Bom Dia Pernambuco e no Jornal Hoje (programa exibido nacionalmente), onde gravamos, durante 4 horas, nas cidades de Recife e Olinda, para um quadro semanal do jornal, com bandas independentes de todos os cantos Brasil.

...

Por todas essas (e algumas outras) que eu percebia o quanto estávamos seguindo pelo caminho certo. Era o que me demonstravam as situações que vi e vivi durante esse tempo de banda.

Uma delas (a mais arrebatadora de todas, sem dúvida), foi quando fui ao centro da cidade, fazer uma entrevista com Rogê, na época em que ele estava fazendo o programa Cidade de Andada, no qual ele ia com um estúdio móvel, semanalmente, apresentar o programa de um ponto diferente da cidade. Ao chegar lá, ele me pegou de surpresa e me perguntou, no ar, pela banda, e pediu a Jairo (que estava no estúdio) pra rolar uma música nossa, Velho Samba Novo (de Juliano Muta).. e no momento em que tocava a música, percebi que alguns jovens que ali estavam assistindo ao programa também cantavam-na. Isso foi muito interessante pra mim. Na época, a música fazia parte do “Cidade dá de 10”, que era o “top” das 10 músicas mais executadas na rádio.

Outras coisas que me pareceram interessantes foram declarações de Silvério e do Mombojó a respeito de Chocalhos e da nossa importância naquela nova safra musical que surgia. Silvério, inclusive, à época de uma de suas turnês ao exterior, falava à Folha de Pernambuco que um dos discos que ele levaria consigo para ouvir na viagem e durante a turnê era o nosso CD demo.

E no ano passado, conheci (através do soulseek) uma jornalista do RJ, chamada Kika Serra, que comanda um programa de rádio transmitido em Londres, o Caipirinha Apreciattion Society. Ao contar que eu tinha uma banda chamada Chocalhos e Badalos, ela me falou que já tinha tocado música nossa no programa, a mesma Velho Samba Novo. Vejam só: Chocalhos já tocou até em programa de rádio em Londres!!!

Além disso, por conta de alguns acidentes de percurso, QUASE chegamos a tocar, por duas vezes, no Abril Pro Rock, e uma vez no Rec Beat.

Também os comentários e críticas que sempre recebemos de pessoas próximas (e de algumas outras nem tão próximas assim, mas que chegavam até nós pra falar da banda) atestam o quanto era bom, importante e consistente o que a gente estava fazendo naquela época. Tudo isso reafirma sempre dentro de mim que fizemos o melhor de nós durante esse tempo, assim como me dá a certeza de que conseguimos colher bons frutos a partir disso.

E é exatamente por isso que eu gostaria de agradecer a MUITA GENTE por essa história que construímos ao longo desses 2 anos, essa história marcante que iremos relembrar neste dia 30 de novembro. Meus agradecimentos para: Filipe BB, Juliano Muta, Deco Nascimento, Thiago Suruagy, Guilherme Almeida, Eluizo Júnior, Yuri Queiroga, Fumato, Rafael Duarte, Thiago Brigídio, Comuna, Júnior Aguiar, Asaías Lira, Ângelo Fábio (e todo o pessoal que fazia parte do grupo Caixa de Pandora), Rogê, Sérgio Altenkirch , Larissa Montenegro, Raul Luna, Fernando Carvalho, Karina Ferreira, Pardal e Verde Lins, Che Guevara, Gonzaguinha, Chico Buarque, Clara Nunes, Silvério Pessoa, Melina Hickson (N.A.V.E. Produções), Dona Socorro (Capibar), Felipe Machado, e, PRINCIPALMENTE, aos grandes amigos do peito, aos familiares, que foram os nossos principais incentivadores.

Então, vamo que vamo!!! Todo mundo no Quintal do Lima no dia 30 de novembro, às 22h, nessa apresentação que será uma oportunidade ÚNICA de ver essa patota inteirinha reunida novamente; A banda estará completíííííssima.. os 7 em palco.. isso, se “Garrinchinha” não der o drible (alguns sabem do que estou falando.. hehehehe), tocando as músicas do repertório original, com novas roupagens, acrescido de mais algumas novidades.

Daqui pra lá, vou abastecendo a todos com mais informações.

Um beijo doce no coração e um abraço apertadíssimo na alma de todos.

12 novembro 2007

a cara do cara – 2/3



No fim de 2003 pro começo de 2004, Chocalhos e Badalos gravou o seu CD demo (hoje, a onda é chamar de EP – dá um ar mais profissional, hehehe..), intitulado A Cara do Cara.

Tentamos, à época, pinçar as músicas que poderiam ser as mais representativas diante do universo tão plural pelo qual a banda transitava.

E escolhemos seis (abaixo, seguem os links do rapidshare, pra quem quiser baixar cada uma delas):

Lecoque Cafonê (Juliano Muta/Anderson Loof) -

http://rapidshare.com/files/62834097/01._Chocalhos___Badalos_-_Lecoque_Cafon_.mp3.html


Velho Samba Novo (Juliano Muta) - http://rapidshare.com/files/62835398/02._Chocalhos___Badalos_-_Velho_Samba_Novo.mp3.html

Invocação ao Filho do Trovão (vinheta) (Filipe BB) -
http://rapidshare.com/files/62836067/03._Chocalhos___Badalos_-_Invoca__o_ao_Filho_do_Trov_o__vinheta_.mp3.html

True Vão (Filipe BB) -
http://rapidshare.com/files/62837171/04._Chocalhos___Badalos_-_True_V_o.mp3.html

Mariposa (Leonardo Vila Nova/Juliano Muta) -
http://rapidshare.com/files/70132233/05._Chocalhos___Badalos_-_Mariposa.mp3.html

Pra Onde o Mar se Acaba (ou Pro Outro lado de Lá) (Filipe BB) - http://rapidshare.com/files/62839950/06._Chocalhos___Badalos_-_Pra_Onde_o_Mar_se_Acaba__ou_Pro_Outro_Lado_de_L__.mp3.html

A Cara do Cara teve uma produção que durou cerca de 3 a 4 meses. Foi gravado, mixado e masterizado no estúdio Wozen. Na época, sob a coordenação técnica de Fumato e Thiago Brigídio.

O vídeo abaixo é mais um da nossa participação no programa Som da Sopa (em novembro de 2003). OBS.: O nome da música está errado. O nome correto é Alegria Empoeirada:







Foi um processo muito cuidadoso, esmerado, intenso, por vezes desgastante (pela dedicação diária de horas em estúdio que isso nos exigiu), mas muito recompensador. Isso desde a pré-produção, nos ensaios e na criação das guias na casa de Filipe, até as gravações e a fase posterior, de mixagem, onde lançamos mão de mil e uma mirabolâncias tecnológicas para dar vida às complexas linguagens que queríamos utilizar pra dar vazão às nossas idéias musicais. O resultado foi excelente.

Durante as gravações, as idéias fervilhavam a todo instante. Quanto mais gravávamos, mais coisas iam surgindo pra criar em cima das músicas. Lembro-me, inclusive, das gravações de percussão, que duraram em torno de 11 horas seguidas, que, além do imenso arsenal percussivo que utilizávamos (pandeiros, congas, ganzá, derbak, caracaxás, ilú, alfaia, zabumba, triângulo, moringa, tamborim), contou com elementos um pouco mais improváveis, como palminhas de mão, estalos de dedo, apitos, queixadas e até galão de tinta.

O clima de gravação era bem familiar, com os amigos sempre em volta, colaborando, participando. Em True Vão, contamos com a participação de Yuri Queiroga, na guitarra “etérea”, e de Rafael Duarte, participando do coro. Além disso, era muito divertido ter Fumato como engenheiro de gravação e mixagem, pela figuraça que ele é, sempre brincando, contando piadas, um alto astral só. E também por ser um grande profissional, atencioso, inventivo, instigado. Uma excelência do som.

A capa do CD foi criada por Asaías Lira, o Zaza, também companheiro de diversos shows, entre eles, a trilogia dos “Cantos” (Canto de Ossanha, Canto de Xangô e Canto de Iemanjá, no Teatro Maurício de Nassau) com os experimentos cênicos Marginália Total, Imperfeito e Começo, respectivamente; e também no Festival de Inverno de Garanhuns, em 2003, com a performance (juntamente com Júnior Aguiar), para música A Cara do Cara (Juliano Muta), que abria o show.

Se não me engano, o desenho da capa do foi feito todo em crayon.


Em resumo, um CD que contou com a colaboração dos amigos (além das participações virtuais de Che Guevara e dos emboladores Pardal e Verde Lins), que foi feito com muito amor e carinho, e que registra um pouquinho de nossas vidas e da nossa arte. É esta a cara dos caras.

30 outubro 2007

vale a pena ver de novo (ô.. e como vale..) – 1/3


amiguinhos e amiguinhas..

.. é com um imenso e inenarrável prazer que venho anunciar, OFICIALMENTE (pois alguns já estão sabendo informalmente), uma boa nova!!!

Anotem aí na sua agenda:

dia 30 de NOVEMBRO (daqui a exatamente 1 mês), no Quintal do Lima, show com a banda CHOCALHOS E BADALOS.

Repete aí, Vila Nova:

dia 30 de NOVEMBRO (daqui a exatamente 1 mês), no Quintal do Lima, show com a banda CHOCALHOS E BADALOS.

É isso mesmo!!!





Após três anos, os 7 músicos da banda Chocalhos e Badalos (eu, Juliano Muta, Filipe BB, Thiago Suruagy, Eluizo Júnior, Guilherme Almeida e Deco Nascimento) se reúnem novamente para um único show, no Quintal do Lima.

Acredito que grande parte das pessoas que me conhecem chegou a conhecer a banda. Muitos foram aos seus shows. Alguns outros não, mas já ouviram as suas músicas, seja pelo CD ou, pelo menos, já ouviram falar pela minha boca ou pela boca de alguém dessa cidade.

E para aqueles que nunca ouviram falar, vale a pena contar um pouco dessa tão intensa história (utilizo trechos do nosso release):

Em 2002, um encontro de meninos-músicos pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) propiciou o início de uma experiência única, quando Juliano Muta e Filipe BB começavam a discutir sobre música, dividindo o interesse em compartilhar idéias, emoções e trabalhar em equipe.

O objetivo era criar uma música plural, sem rótulos ou delimitações estilísticas, que possibilitasse traduzir o universo musical compartilhado por todos. E então, formada a equipe, com Juliano Muta (voz e violão), Filipe BB (voz, guitarra, rabeca, violão e percussão), Deco Nascimento (contrabaixo), Guilherme Almeida (cavaquinho e percussão), Eluizo Júnior (flauta transversal), Thiago Suruagy (bateria e percussão) e Leonardo Vila Nova (percussão), surge e identificação com o nome CHOCALHOS E BADALOS.

O vídeo abaixo é uma de nossas apresentações para o programa Som da Sopa, de Rogê de Renor. Foi gravado no dia 4 de novembro de 2003, no Armazém 14. OBS.: O nome da música está errado. O nome correto é Lecoque Cafonê:




O nome Chocalhos e Badalos nasceu no ano de 2000, foi uma criação do paranaense Anderson Loof (parceiro inicial de Juliano) e faz menção ao “casamento simbólico” entre Chico Buarque e Clara Nunes, através da música Morena de Angola (composição de Chico, gravada por Clara).

O “chocalho da canela” da angolana (influência afro) e dos pajés tribais; o badalo dos sinos das procissões sertanejas, bem como a referência aos caboclos de lança do maracatu rural, compõem a mística em torno desse nome, que revela a dualidade entre o sagrado e o profano.

Unindo o caos da metrópole e a mística interiorana, vislumbrando a profundidade das raízes brasileiras aliadas à urbanidade cosmopolita. Unindo guetos e sertões, por assim dizer. Não havia um estilo pré-determinado. A proposta era, então, fazer uma música universal, atemporal.

Da reunião dessas 7 cabeças em torno dessa idéia antropofágica e libertária, era impossível que não existisse uma profusão de elementos a serem trabalhados: rock, samba, drum’n’bass, cavalo-marinho, funk, boi-do-maranhão, afoxé, rap, embolada, soul, jazz, ritmos árabes e latinos, etc. Tudo era ingrediente pra misturar nesse liqüidificador sonoro.

E foi abraçando a música como principal meio de expressão das idéias e das intenções artísticas a que se propunham, que Chocalhos e Badalos começou a construir sua história. E foi ganhando a simpatia, o respeito e o apreço do público da época. Todos os shows tinham uma certa vibração, uma alquimia de sons, palavras, gestos, emoções, que se delineavam a partir do diálogo entre banda e platéia, entusiastas, irmãos de criação ao vivo. Tudo isso, sem histrionismos e com bastante qualidade. A banda ganhou certa visibilidade, fez importantes apresentações, teve grandes momentos. E mesmo depois de encerrar suas atividades oficialmente (em dezembro de 2004), continuou na boca de muitos, que não se conformavam com o fim do grupo; grupo esse que tinha tudo pra deslanchar e angariar mais e maiores conquistas.

Era inevitável, por exemplo, que em festas de aniversários de alguns dos integrantes da banda não se tocasse, pelo menos, uma música da banda (e geralmente eram duas, três ou mais).

E foi num surto de súbita saudade que surgiu a idéia de se fazer, então, nesse próximo dia 30 de novembro, um show pra matar as saudades do Chocalhos e Badalos. É uma oportunidade única. Quem nunca viu a banda ao vivo, não pode perder. Quem já viu, com certeza, vai querer ver mais uma vez.

E os próximos posts da caixinha serão exclusivamente pra falar mais sobre a banda, contar histórias, dividir momentos, disponibilizar material (mp3, vídeos, etc.), pra que todo mundo vá se preparando para essa raríssima oportunidade de ver esses 7 meninos juntos, ao vivo.

Até lá, meu queridos.

07 outubro 2007

tomando choque nos pés


Bem, pessoal.. não se assustem com o título dessa postagem. É apenas uma menção ao próximo show da Electrozion (uma das minhas bandas, para aqueles que não sabem ainda).

Quem não for viajar nesse feriadão e estiver de bobeira, querendo fazer um programa legal, eu sugiro que apareça lá no Quintal do Lima, neste sábado (dia 13), às 22h, para ver as bandas Electrozion e Pé Preto na festa intitulada DESCALÇO NO QUINTAL ELÉTRICO DO LIMA.


Bem.. todos já devem ter recebido e-mails meus sobre shows da Electrozion, alguns já viram (em Garanhuns, no UK Pub), outros ainda não.. então, para aqueles que ainda não viram (ou até para aqueles que querem ver de novo), essa é uma boa pedida..

Pra quem não conhece, a Electrozion (
www.myspace.com/electrozion) é um projeto musical que estabelece um diálogo entre a música eletrônica e a orgânica, num processo de antropofagia de elementos das mais diferentes vertentes musicais, principal as de origem negra, como o soul, o dub, o reggae, o funk, mas também agregando outras tendências, como o electro, o lounge, o trip hop, entre outros.

A Pé Preto (
www.myspace.com/pepreto) é uma excelente banda, que tem como principal influência o funk, a black music, tudo isso com muito groove, com músicas de autoria própria e de autores como Tim Maia (na sua época “Racional”), Jorge Bem, Wilson Simonal e Lula Côrtes. Ninguém fica parado.

Bem.. é uma mistura boa danada de ver, de ouvir.. aproveitem pra dar uma passada por lá no Quintal do Lima nesse sábado.. será muito feliz!!! E o preço tá baratinho (R$ 5,00).

Aí vai o serviço:

DESCALÇO NO QUINTAL ELÉTRICO DO LIMA
Pé Preto + Electrozion
13/10 (sábado), às 22h
Quintal do Lima – rua do Lima, n.º 100 – Santo Amaro (próximo ao JC).
R$ 5,00 (cinco reais)

29 setembro 2007

sonho que se sonha junto...


Ontem, uma pessoa de fundamental contribuição para a minha formação ética e humana deu um passo gigantesco em sua vida.

Luiz Adolpho Alves e Silva (meu sempre professor, mestre e amigo), filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e disputará, no próximo pleito (2008), uma vaga na Câmara dos Vereadores de Olinda.

Fico feliz, orgulhoso e torcendo bastante pelo sucesso de Adolpho nessa nova empreitada. Isso, porque sei de sua integridade como homem, de sua busca incessante pela justiça, pelo bem estar coletivo, pela inclusão social, pela democratização de valores fundamentados no respeito à dignidade humana, e sei de seus valores, sempre tão consistentes e coerentes com sua história de vida.

Conheci Adolpho em meados dos anos 90, quando eu ainda era um adolescente, no Colégio Souza Leão. A princípio, o nosso primeiro contato foi como professor e aluno. Ele, professor de Educação Física. Eu, um jovem estudante de 12 pra 13 anos. Sempre bastante receptivo, com um sorriso acolhedor no rosto, ele era um professor diferente, que se preocupava individualmente com as potencialidades de cada aluno, estimulando e incentivando o desenvolvimento sadio (e consciente) dessas potencialidades.

Após isso, num segundo momento, conheci o Adolpho mestre. A partir de um evento que ele idealizou para o colégio, onde ele colocava os alunos como agentes diretos de um processo de construção artística, cultural, de conscientização e garra, que envolvia a todos, emocionalmente, ideologicamente. Um evento onde o aluno participava, responsavelmente, como alguém capaz de ser ator principal e também dialogicamente no processo educacional, onde ele mesmo, o aluno, colocava a mão na massa e toda a sua criatividade pra fora. Lembro-me das conversas de um grande mestre, preocupado e responsável pela formação da capacidade crítica de cada um de nós. As conversas sobre valores de vida, de sociedade, política, amor, cidadania. Ele plantava em cada um de nós uma semente que acredito ter sido responsável pelo rumo que hoje tomamos, seja eticamente, artisticamente, politicamente, etc. Pra mim, esses tempos e essa relação foi a mais proveitosa, dinâmica e saudosa que tive em minha vida. E principalmente porque eu estava crescendo, amadurecendo, formando meu discernimento, tecendo meus caminhos, fazendo minhas escolhas. E ele foi o mestre mais adequado para esse momento. Alguém que sempre nos orientou para que nos percebêssemos como agentes sociais transformadores, e que nos despertou (acredito que eternamente) a capacidade de indignação com as mazelas e injustiças da sociedade, da alma.


E com isso percebi que, realmente, ele era (e continua sendo) um professor diferente: ele vai muito além dos quadros das salas de aula e das quadras de esportes (onde nos conhecemos). Ele vai ao cerne dos nossos brios, fazendo despertar em nós uma consciência forte, lutadora, perseverante, mas, ao mesmo tempo, doce, carinhosa, reflexiva, identificada com o coletivo, com o outro.

Dessa relação de professor/aluno e mestre/aprendiz, os laços foram se estreitando e a nossa proximidade e identificação foi cada vez mais nítida. E daí, conheci o Adolpho amigo e homem, como qualquer um de nós, que tem sonhos, desejos e objetivos a conquistar. E entre esses objetivos (acho que o principal deles) está o de ajudar na construção de uma sociedade mais igualitária, mais justa, mais fraterna. Ele sempre demonstrou isso em todas as suas conversas, na forma como ele nos incentivava a seguir em frente e batalhar por nossos ideais, a lograr conquistas de forma digna.

Ele enfrentou um grande baque em sua vida: a perda do pai, Tárcio Botelho, no dia 20 de novembro de 2001. Tárcio foi um dos grandes carnavalescos que a cidade de Olinda já teve. Fundador da Pitombeiras e, à época, Presidente do Clube de Alegorias e Crítica Homem da Meia-Noite (a maior e mais importante agremiação do carnaval olindense). Ele era o alicerce no qual se sustentava toda a identidade ética, humana e política de Adolpho. Era o seu maior herói. Diante dessa perda, Adolpho passou um tempo maturando e percebeu que a obra de vida e esperança de Tárcio não estava acabada. Era preciso dar continuidade a ela. E ninguém melhor do que o próprio filho para lutar pela continuidade da obra do pai, pra manter esse legado vivo. E Adolpho arriscou-se a encarar o seu primeiro grande desafio de vida: candidatar-se à presidência do Homem da Meia-Noite, competindo contra Sílvio Botelho, o famoso “bonequeiro” da cidade.

Adolpho ganhou.

Porém, ao contrário do que se pode imaginar, conduzir um bloco da magnitude do Homem da Meia Noite não é nada fácil. E Adolpho tinha um plano para aquela agremiação: que ela ultrapassasse a mera característica de instituição carnavalesca e alcançasse também o âmbito social a que ela poderia se destinar. Assim sendo, criou o projeto “GIGANTE CIDADÃO”, que tem como proposta a inclusão social de crianças carentes do entorno do Bonsucesso. A idéia é que as crianças tenham acesso a aulas de teatro, dança, comunicação, cidadania, também biblioteca e laboratório de informática (disponíveis na sede do bloco). Para isso, a única exigência é: que cada uma dessas crianças esteja matriculada regularmente na escola. Com isso, há o estímulo à procura pela escola, pela educação, e também por uma didática diferenciada, envolvendo no processo educacional campos de conhecimento e arte como a dança, o teatro, formação da consciência crítica e social (com as aulas de cidadania), com a participação ativa de todos: educadores, alunos, pais, a comunidade como um todo. Esse projeto acabou dando ao Homem da Meia-Noite um reconhecimento muito além do que ele desfrutava, pois muito mais do que promover apenas o carnaval, ele agora promove a inclusão social, a educação, a cidadania e a arte em suas diversas acepções, dando oportunidades de aperfeiçoamento das potencialidades àqueles que, por falta de condições financeiras razoáveis, não teriam acesso a essa possibilidade pelas vias formais.

Pelo tanto de empenho, carinho, amor e perseverança que Adolpho tem colocado em suas ações, essa sua luta por uma sociedade mais justa tem se mostrado eficaz. E agora, vai colocar suas forças a serviço de um projeto que pode ter um alcance ainda maior do que ele já tem conseguido em sua comunidade. Agora, suas forças serão colocadas a serviço da cidade de Olinda. Sempre identificado com os ideais socialistas, comunistas, ele acaba de ingressar no PC do B (abonado, em plena Câmara Municipal de Olinda, pela Prefeita Luciana Santos, agora sua companheira de partido), para disputar as eleições no próximo ano, candidatando-se à vereador da cidade. Torço muito por essa conquista, pois sei que, pelo homem íntegro que é, ele tem muito a contribuir com Olinda, com seu povo, com sua sociedade, com sua gente. Acredito nele. Sempre acreditei.

E para meus amigos (todos, mas principalmente os olindenses), peço que dêem seu apoio a esse homem que é digno de nossos votos, de nossa confiança em seu projeto, em seu caráter, em seu amor pela nossa terra.

Uma comunidade foi criada para angariar apoios e força para Adolpho nessa nova caminhada (que é, também, por nossa condição de cidadãos conscientes e responsáveis, uma caminhada NOSSA). A comunidade se chama “AMIGOS DE LUIZ ADOLPHO”.

Aí vai o link: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=37842247

Ajudemos a construir esse novo caminho pra nossa política.

Raul Seixas, um dia, disse: “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”.

25 setembro 2007

+ youtube, zumbis e sons legais na semana.


Diante do grande sucesso do vídeo Tainá, canção de Tiago West, interpretada por ele, Juliano Muta, Cecília Pires e eu (foram 781 acessos até o momento em que escrevo, em 20 dias), eis que o mesmo disponibilizou hoje no youtube mais outro vídeo, com os bastidores da gravação, erros e passagens interessantes (vide a incrível, incansável e incessante busca de Juliano Muta pela perfeição durante as tomadas).



Aí vai o link:

http://br.youtube.com/watch?v=5lVacMWj47M

...

FOME DE TUDO

É o nome do novo CD da Nação Zumbi, que terá lançamento na segunda quinzena de outubro, pela gravadora Deckdisk, e conta com produção de Mário Caldato Jr. (que já trabalhou com grandes nomes como Marcelo D2, Marisa Monte, Björk, Beck, entre outros) e participações de Junio Barreto, da cantora Céu (na faixa Inferno) e do tecladista dos Beastie Boys, Money Mark (em Assustado)





Para despertar mais curiosidade e expectativa nos fãs e admiradores da banda, um site foi criado apenas com a logomarca desse novo trabalho e um trecho da música Inferno tocando, em instrumental.

O site é: www.fomedetudo.com

E quem quiser baixar esse áudio que rola no site, pode acessar o link:
www.fomedetudo.com/intro.mp3

...

BOUGE TON SQUELETE

Como eu já esperava, foi um absurdo de bom o show da Bande Ciné no Quintal do Lima, no último dia 13. A casa cheia, a instigação, a qualidade do repertório e dos arranjos, o entrosamento e felicidade da banda transformaram a noite num ambiente propício para a diversão e apreciação de um bom som.

Pra quem ainda não conhece, o sexteto formado por Filipe Barros (guitarra e voz), Demóstenes “Macaco” Jr. (trompete), Bruno Vitorino (contrabaixo), André Sette (teclados), Thiago Suruagy (bateria) e Tatiana Monteiro (belíssima voz) revisita clássicos (e não-clássicos) da música francesa e italiana dos anos 60 e 70, passeando pelo repertório de artistas como Brigitte Bardot, Serge Gainsbourg, France Gall, em arranjos que dão às canções uma roupagem atual, porém com a substancial e encorpada qualidade dos arranjos originais.

A Bande Ciné, então, volta ao Quintal do Lima nessa quinta-feira (27/09), às 22h, para mais uma apresentação, que terá alguns convidados especiais: Zé Cafofinho, o trompetista Márcio Oliveira (nosso querido “cabecinha”) e euzinho aqui, Leonardo Vila Nova, descendo as mãos nas congas em 3 músicas. A entrada lá custará R$ 5,00.

Vale a pena conferir e se divertir, sempre!