08 março 2007

mulheres

nem feministas, nem machistas
mulheres mais me parecem música
e tão profundamente poesia.








Pelo tempo meio restrito que tenho hoje, postei apenas isso. mas acredito que resume o sentido de beleza e apreço que tenho pelo universo feminino.

É uma pequena e afetuosa homenagem às mulheres, que são, sem dúvida alguma, a base de força, compreensão, sensibilidade e coragem que move esse mundo.

E não preciso aqui citar grandes mulheres da História pra render uma homenagem. Acredito, sim, que todas elas, as mulheres do ontem, do hoje e do sempre, as anônimas, as que batalham no dia-a-dia, que movimentam nosso universo, essas também (e principalmente elas) são o principal alicerce da nossa existência.

E meu desejo profundo é o de que o encanto feminino, a gentileza e o amor sejam reinantes nesse nosso mundo, que ainda precisa aprender mais a se doar à vida e sair ainda mais forte, como as mulheres sempre nos ensinaram desde que o mundo é mundo.

Desejos de um eterno apaixonado.

03 fevereiro 2007

tuntz tuntz



Quem viu, viu. Quem não viu, só tenho a lamentar.

O show do “garoto gordo” levou cerca de 100 mil pessoas ao Marco Zero. Por volta das 20h já se via uma grande quantidade de gente chegando no local. Confesso que, inicialmente, fiquei meio temeroso, pela quantidade de “malas” que estavam circulando. Mas, ao mesmo tempo, muitíssimos PMs também transitavam pelo local, o que garantiu um clima de maior tranqüilidade, pois sabíamos que a segurança estava muito bem reforçada. E, realmente, nenhum incidente ocorreu, a noite e a madrugada transcorreram na maior tranqüilidade.

Fiquei de cara com a quantidade de gente presente no Marco Zero. Circular pelo Bairro do Recife era um transtorno, certas horas até impraticável. Mas a impressão que me deu é que quanto mais gente ia chegando mais intenso era o clima de alegria, de festa, de congraçamento, pois estavam todos ali com um único propósito: se divertir ao som do DJ inglês Norman Cook, o Fatboy Slim.

O evento foi maravilhoso. O Marco Zero virou uma grande pista de dança (sei muito bem que em todos os jornais isso já foi dito, mas é a mais pura realidade). Um cenário bonito de se ver, uma rave no ambiente mais lúdico de nossa cidade, e de graça. Tudo conspirava a favor de uma bela noite.

Fatboy não decepcionou. O som do inglês animou a todos, que esperavam ansiosos pela apresentação. Nem mesmo o “apagão” de quase 1 hora durante a sua apresentação, por conta de um problema num gerador, foi capaz de quebrar o clima. Acredito até que deu um charme maior, porque, resolvido o problema, Fatboy voltou triunfante ao palco e continuou a ferver o Marco Zero.

Eu, que não sou freqüentador de boates, nem sou um ouvinte assíduo de música eletrônica (conhecia o trabalho de Fatboy Slim mais pelos clipes do que exatamente pelos discos), adorei o evento, e acho que a Prefeitura deveria fazer mais festas como essa, pelo menos uma vez no ano, uma rave no Marco Zero. Adorei, adorei, adorei. E vou até avaliar a possibilidade de ir a uma boate, pra ver se a sensação é a mesma que tive nessa última quinta, 1.º de fevereiro, uma quinta memorável.

...

Vamos à feira?

Nesta semana que entra, de 7 a 11 de fevereiro, Recife terá a honra de receber a Feira Música Brasil.

Uma feira de negócios totalmente voltada ao mercado de música brasileira. Artistas, produtores, empresários, gente ligada à música de todos os cantos do Brasil e do mundo estarão em Recife, participando de rodada de negócios, palestras, debates, shows, com o fim de capacitar, integrar e estruturar todo um mercado de música voltado tanto para o mercado brasileiro como estrangeiro.

Na programação de shows, a diversidade é marca registrada. Apresentações no Marco Zero, Teatro de Santa Isabel e na Praça do Arsenal prometem agitar a cidade nessa próxima semana. Dentro da programação, a comemoração do aniversário de 100 anos do Frevo, com um baita festão. Vamos às atrações:

MARCO ZERO

07/02 (quarta-feira) – das 21h até 1h

Bongar

Clube do Balanço

Edvaldo Santana

Sandra de Sá


08/02 (quinta-feira) – das 21h até 1h

Isaar

Silvério Pessoa

Rita Ribeiro

Gabriel O Pensador


09/02 (sexta-feira – DIA DO FREVO) – das 20h até 1h

Chegada do arrastão de frevo com Antonio nóbrega e agremiações de frevo.

Show com Gilberto Gil, Alceu Valença, Lenine, Geraldo Azevedo, Luiz Melodia, Elba Ramalho, Maria Rita, Ney Matogrosso, Vanessa da Mata, Nena Queiroga, Claudionor Germano e Geraldo Maia.

Show da banda A Troça, com a cena musical de Pernambuco cantando frevo: Lula Queiroga, Spok, Silvério Pessoa, Canibal, Siba, Maciel Salú, Fred 04, Ortinho, Edilza, Pedro Quental (RJ), Rogerman e outros.


10/02 (sábado) – das 20h até 1h

Casuarina

Osvaldinho da Cuíca

Nelson Sargento

Mart´nália


11/02 (domingo) – das 19h às 23h

Encontro do forró: Azulão, Biliu de Campina, Maciel Melo, Xangai Moraes Moreira


TEATRO DE SANTA ISABEL

08/02 (quinta-feira) – das 20h às 23h

Quinteto Villa–Lobos

Arthur de Faria

Zé Meneses


09/02 (sexta-feira) – das 19h às 22h

Pianorquestra

Tira Poeira

Banda Paralela


10/02 (sábado) – das 20h às 23h

Lanny Gordin

Oswaldinho do Acordeon

Raul de Souza

11/02 (domingo) – das 20h às 23h

Antonio Nóbrega


PRAÇA DO ARSENAL

08/02 (quinta-feira) – das 20h às 0h30

Coletivo Radio Cipó

Deize Tigrona

Z’África Brasil

Axel Kryeger (ESP)


09/02 (sexta-feira) – das 19h às 23h

Cabruêra

Autoramas

Otto

La Kinky Beat


10/02 (sábado) – das 20h às 0h30

Axial

Vulgue Tostói

Bossacucanova

Nation Beat + Maracatu Nação Estrela Brilhante

Anis

01 fevereiro 2007

Buenas, buenas, buenas, happy, happy, happy!



Saudações efusivas a todos!!!

Como alguns devem ter percebido, este blog andou hibernando durante 1 mês. Mas, agora, a caixinha volta do seu recesso de Verão.

Resolvi, de forma premeditada, não postar nada durante todo o mês de janeiro, por dois motivos:

1) pra ver até onde iria a minha sensação de obrigação de estar aqui postando coisas quase que constantemente pra que as pessoas leiam;

2) a fim de perceber se o blog chega a fazer alguma falta para quem lê.

E cheguei às seguintes conclusões:

R-1) Gosto muito de escrever nesse blog. Sinto-me bem. Considero que seja um lugar onde estou muito adequado. É uma vazão necessária a mim. E mais ainda porque não me sinto OBRIGADO a escrever nele. Passei o mês de janeiro tranqüilo, desobrigado. Só vim pensar mais nele na última semana. Isso é bom. Liberdade, tranqüilidade.

R-2) Ele não faz tanta falta assim para os outros. Apenas umas duas pessoas comentaram que sentiam falta de ler o que eu escrevo.

Mas, sinceramente, vou continuar escrevendo. Sei que tem gente que lê, assim como tem gente que não lê. E graças a Deus que eu não sou nenhuma unanimidade, não pretendo ser uma e sinto-me confortável com o fato de não sê-la. Bem.. é isso.

...

rec beat 2007

Anteontem, o produtor Antônio Gutierrez, o Gutie, anunciou a programação do Rec Beat 2007, a ser realizado no Cais da Alfândega, entre os dias 17 e 20 de fevereiro.

Este ano, em sua 12.ª edição, o festival homenageia o cantor e compositor Chico Science, falecido há 10 anos, completos amanhã, 2 de fevereiro. Nada mais justo prestar tal homenagem àquele que o principal artífice e articulador de todo uma movimentação em torno da revigoração da música contemporânea de Pernambuco. E se temos uma cidade que conseguiu se tornar um grande pólo produtor de cultura popular, pós-moderna e vanguardista, um grande liqüidificador de sons e idéias (apesar de não ainda não possuir subsídios suficientes nem atenção da iniciativa privada para investir em tal potencilialidade), grande parte deve-se a Francisco de Assis França.

O Rec Beat, mais uma vez retoma a linha-mestra que compõe o critério de escolha dos artistas escalados: primou pelo ineditismo e a pela capacidade de reunir em 4 dias atrações das mais diversas vertentes musicais.

É sempre no Rec-Beat que se renova meu instinto de curiosidade em relação ao que se faz de legal no país hoje em dia.

Aí vai a programação:

17/02 [sábado]

19h30 DJ Big & Confluência (PE)
20h30 Erasto Vasconcelos (PE)
21h30 Digital Groove (PE)
22h30 Supergalo (DF)
23h30 Zeferina Bomba (PB)
00h30 Z’Africa Brasil (SP)


18/02 [domingo]

16h30 Concentração do bloco Quanta Ladeira
20h30 Canja Rave (RS)
21h30 Rivotrill (PE)
23h00 Isca de Polícia (SP)
00h15 Digitaria (MG)
01h20 Bonde do Rolê (PR)


19/02 [segunda-feira]

17h00 Recbitinho: Cia Teatro Rasgado “O pequenino grão de areia”
19h30 Mellotrons (PE)
20h30 Vanguart (MT)
21h30 Raies Dança Teatro (SP)
23h00 Mr. Catra (RJ)
00h00 Instituto show Tim Maia Racional (SP)
01h20 Montage (CE)


20/02 [terça-feira]

18h30 Maracatu Nação Cambinda Estrela (PE)
19h30 João do Pife e Banda Dois Irmãos (PE)
20h30 Parafusa & Trombonada (PE)
21h30 Curumin & The Aipins (SP)
23h00 2IN-Par (ESP)
00h00 Macaco Bong (MT)
01h20 Tom Zé (BA)

Ouso aqui, destacar alguns dos artitas que irão se apresentar:

Digital Groove – até que enfim, depois de quase 1 década atuando como coadjuvantes na música pernambucana (participaram da edição 2004 do Rec Beat, com o projeto Refinaria, acompanhados de Silvério Pessoa e Wilson Farias), a dupla Felipe Falcão e Zezão Nóbrega materializam-se como Digital Groove, apresentando show baseado no seu CD de estréia, Rabeca Sanfona e Pife, no qual mesclam a música eletrônica com as intenções e digressões pela música tradicional nordestina.

Zeferina Bomba – os paraibanos que foram destaque do MADA 2003 (mesmo ano de formação da banda) trazem um som incendiário, no qual, através de um violão (simulando uma guitarra), baixo distorcido e bateria, fazem um barulho ensandecido que passeia pelo punk, pós-punk, hardcore, Luiz Gonzaga e Glauber Rocha.

Z’África Brasil – o grupo paulistano, do qual participa Fernandinho Beat Box, traz ao palco do Rec Beat o encontro de duas periferias de tempos distintos e suas identidades musicais: o som africano dos quilombos e o hip hop oriundo das favelas paulistas.

Quanta Ladeira – mais uma vez o bloco composto por Lenine, Lula Queiroga, Silvério Pessoa, Zé da Flauta e convidados se apresenta no Rec Beat com suas paródias divertidíssimas de músicas carnavalescas e de hits do momento. Esse ano promete, o Quanta completa 10 anos de gréia.

Rivotrill – já falei desses moços no post anterior (o último de 2006). O trio de música instrumental formado por Eluizo Jr. (flauta transversal, saxofone e teclados), Rafael Duarte (contrabaixo) e Lucas dos Prazeres (percussão) apresentará o excelente espetáculo Curva de Vento (cujo show de estréia foi na Casa da Maloca, no último dia 19). Excelentes músicos, fantástica performance, incrível manifestação da beleza que a música tem para ofertar.



Isca de Polícia – a banda de apoio que acompanhava o cantor e compositor paulista Itamar Assumpção (falecido em 2003), vem ao Rec Beat, e contará com as participações da cantora Vange Leonel e de Anelise Assumpção (filha de Itamar).

Bonde do Rolê – o trio curitibano agrega em seu som influências de Alice in Chains e AC/DC, aliadas as batidas do funk carioca. É um negócio meio barrufado, caricato, chamou a atenção de muita gente sem ter muito o que mostrar, mas vale a pena ver pela curiosidade de saber como eles funcionam em palco.

Raies Dança Teatro – O Rec Beat repete a dose do ano passado, com apresentações de grupos cênicos (ano passado foi vez do grupo argentino Yunta Taura, apresentando tangos). Dessa vez, com o Raies Dança Teatro, o ritmo é o flamenco.

Instituto – O grupo de produtores paulistano apresenta show baseado no repertório de Tim Maia em sua fase Racional.

Montage – O grupo cearense faz um som bem interessante, que alguém aí já definiu por aí (ô, sempre os rótulos) como sendo “electropunktecnometal”; mas tal rotulação, realmente, é bem condizente com a música do Montage (que se apresentou ano passado, no Abril pro Rock). Algo que vai de Prodigy, passando por Smashing Pumpkins (devido à semelhança de vocais), The Darkness, pelo aspecto andrógino do vocalista Daniel Peixoto, que chama a atenção pelo visual glam.

Curumin & The Aipins – O músico (também cantor, arranjador e multiinstrumentista) Curumin traz o seu som moderno e cheio de groove e balanço ao Rec beat.

Tom Zé – sem comentários, né? Meu avô, no auge dos seus 70 anos, mostrando mais do que nunca que tem vigor, jovialidade e rebeldia para mais 70 vem abalar as estruturas de Recife novamente, fechando o festival, no último show da terça-feira de carnaval.

Agora, meu povo. É só deixar-se levar e curtir intensamente este carnaval de porvir. Foquem atentos também à programação dos demais pólos espalhados pela cidade, que este ano virão com uma das melhores programações dos últimos tempos.

Nas próximas semanas, mais posts boêmios e/ou carnavalescos.

...

E hoje!!! Dia de Fatboy Slim no Marco Zero!!!

Querem saber o que eu acho?

Pois vão ficar querendo..

Só vou emitir minha opinião depois que assistir à sua apresentação, logo mais à noite.

A única coisa que digo é que eu espero que meu corpo conceda a graça de poder dançar tão malemolente e faceiro que nem o Christopher Walken, no clipe Weapon of Choice.



P.S.: Aguardem novidades deste/neste blog..

23 dezembro 2006

música, jazz e pop-filosofia



Como é orgasmático o sexo entre a música e a poesia. Provam, se lambuzam, se deleitam desse tesão os que tem ousadia de se permitirem essa lascívia, além de também se respigarem desse gozo por todos os poros da alma e do coração. É o caso de Jomard Muniz de Britto e a Comuna.

No site www.mp3magazine.com.br foi lançado o disco JMB em Comuna, parceria coesa, estimulante, provocadora e também inquietante entre a poesia de Jomard e a música dos integrantes da Comuna (ex-Experimental). Não há como sair ileso das sensações (boas ou ruins) que o disco pode causar.

São 10 faixas em que os “atentados poéticos” de Jomard entram em consonância com as dissonâncias da música densa e de incômoda profundidade da Comuna.

A Comuna, composta por Ricardo Maia Jr., que produziu o disco, Glauco Segundo, Bruno Freire e Amaro Mendonça, concebeu as faixas de duas formas: procurando encaixar composições musicais já existentes aos atentados poéticos de Jomard, percebendo (trabalho que denota uma sensibilidade aguçada) o que mais aproximava uma ponta da outra (música e poesia), provocando, então, a osmose. E a segunda forma foi criando improvisos em cima dos poemas de Jomard.

Um casamento perfeito entre a poesia caótica, pop-filosófica de Jomard Muniz de Britto, um verdadeiro emaranhado de “pós-tudos”, contradicções, onde tudo percorre linhas tênues entre o entendimento e a semântica de uma coisa e outra, onde uma coisa e outra se percorrem: a música, o cinema, a metalinguagem, a psicanálise, a política, o cotidiano, e tudo o mais que possibilite tangenciar o extremo absurdo mergulhado na mais absoluta razão, com doses intencionais de uma ironia “tropicalisticamente” correta, e a música intimista, reflexiva e, repito, inquietante da Comuna, repleta de texturas, de momentos brancos e negros, profundamente forte na sua intenção e reação.

No site, todas as faixas estão disponíveis para download, além de uma matéria sobre a feitura do disco e uma entrevista exclusiva com Jomard Muniz de Britto, que comenta sobre sua obra e, mais especificamente, sobre esse trabalho em parceria com a Comuna.

Esse que vos fala também participa virtualmente do trabalho, com sua percussão nervosa (nesse caso, nem tão nervosa assim) em 4 das faixas que compõem o disco.

Cuidado para não perder o fio da meada das palavras de Jomard, entremeadas pelos acordes da Comuna.

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Outra dica para se ouvir e sentir é o som do Rivotrill.



Composto por Rafael Duarte (contrabaixo), Eluizo Júnior (flauta transversal, sax e teclado) e Lucas dos Prazeres (percussão), o Rivotrill tem 1 ano de vida e tem como mote “fazer música instrumental com bom humor e qualidade”. A partir das influências dos três jovens músicos (26, 22 e 21 anos), enovelam-se de forma coesa e belamente emotiva elementos que vão da mais alta liberdade jazzística, trafegando pelo latino, regional, pitadas de algo árabe rondando, tudo isso composto a partir do “triálogo” entre a esperteza e sagacidade da flauta de Eluizo, da instigação percussiva de Lucas e da precisão, leveza e balanço do contrabaixo de Rafael.

Ao se ouvir o Rivotrill, percebe-se ali uma profusão de sons, que permitem a quem ouve viajar pelos mais diversos ambientes, sem se perder da condução e do destino a que essas músicas se arvoram, que é produzir um estado de intenso bem estar. É como se cada compasso fosse composto de tons diferentes, de cores que se alternam em seu sentido e em sua amplidão, em sua possibilidade de se misturarem numa fração de segundos; um degradê tão sutil de intenções, de tempos, de pegadas, de ritmos, que nos põe a respirar diferente a cada momento da música, que nos faz sentir instigações e profunda letargia a cada instante ou ao mesmo instante de cada uma das músicas.

Acredito que essa sensação seja mais propícia e mais acertada ainda pelo fato de eles produzirem música instrumental, que necessita uma maior atenção do ouvinte, ao mesmo tempo que também tem um quê de liberdade grandiosa, seja pela formação musical dos meninos como pelas possibilidades que a música que eles optaram por fazer permite.

Pra quem não conhece ainda, recomendo ver, ouvir, prestigiar, viajar. O trio está preparando o seu primeiro espetáculo, intitulado Curva de Vento. Fiquem atentos!

Na rede estão disponíveis:

Comunidade no orkut -
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25314371
no site RecifeBlues (onde você pode encontrar mp3 e vídeos da banda) - http://www.recifeblues.com.br/bandas.rivotrill.html
no site da Trama Virtual -
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=59204

Um grande abraço a todos e um fim de semana musical e poético.

13 dezembro 2006

O futebol, a majestade e o funk




Sonhar não custa nada, meu povo. Que o diga Ricardo Teixeira, Presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Hoje, ele assinou a candidatura oficial do Brasil à sede da Copa do Mundo de 2014. O Brasil é um candidato fortíssimo (afinal, é o único). Mas o que acho um disparate, até mesmo uma insolência, digamos assim, é acreditar que o Brasil tenha condições de sediar uma Copa do Mundo. E quando digo isso, não me refiro apenas à condição financeira, afinal, para se sediar um evento desse porte é preciso despender uma enorme quantia de dólares, mobilizar a iniciativa privada e pública (acredito que esse nem seja um problema tão grande assim), ter-se estrutura física para tal (como bem sabemos, não temos estádios de futebol tão bem organizados e tecnologicamente tão bem aparelhados pra esse intento). Refiro-me também à questão cultural mesmo. Educação, pra ser mais exato. Um país onde a paixão nacional é o futebol, mas que tem um público de futebol completamente mal educado, violento. Podemos observar, vez por outra, o “espetáculo” de violência que as torcidas organizadas (ou alguns indivíduos isoladamente) promovem de tempos em tempos. Um povo que não sabe assistir a uma partida de futebol sem partir para o vandalismo, em alguns casos culminando na morte de torcedores. Onde a polícia tem, muitas vezes, trabalho pra conter a turba ensandecida de fanáticos imbecis que não sabem simplesmente torcer.


Daí, podemos partir pra parte da segurança propriamente dita. Qual a segurança que o Brasil poderá assegurar para visitantes do mundo inteiro que virão assistir a um dos maiores espetáculos esportivos do planeta? O Estado não consegue prestar o devido serviço a nós, seus compatriotas, quem dirá pros pobres gringos. Já estou vendo gringo sendo seqüestrado, assaltado, tendo carro roubado, e outros mimos mais. E voltando à questão da educação (mirando agora no que podemos classificar como caráter ou o desvio dele), chegamos aos cambistas. Um país onde essa prática é mais do que comum, banal (é uma lástima ter que reconhecer isso). Acredito (assim como quase todos, eu creio) que o esquema é de convênio. Os clubes destinam determinada porcentagem de ingressos para que os cambistas vendam mais caro, cada um tendo sua parte nos lucros adicionais.


Diante de tudo isso, eu pergunto: qual a moral que o Brasil tem pra sediar uma Copa do Mundo? Logo o Brasil, que é o “país do futebol”. Eu hein.

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Gente. Tô curiosíssimo pra ver o especial do Roberto Carlos, no próximo sábado. Única e exclusivamente por um motivo, apenas: a participação especialíssima do meu xará, MC Leozinho. Imaginem só o REI cantando: “.. se ela dança, eu danço (...) ela só quer beijar, beijar, beijar, beijar.. (...).. FALEI COM O DJ..”. Pois é, pra quem não acredita, é isso mesmo que ele irá cantar com o MC. Pra comprovar, basta assistir ao especial neste sábado, na Globo. Será que o Roberto vai fazer os passinhos de funk? É o REI cada vez mais pós-moderno, dialogando com todas a vertentes da música brasileira, da música de massa. Esse é O REI, não abandonando nenhum de seus súditos.

Mas por favor, gente. Sem preconceitos. Há quem reprove esse tipo de música, ou por ser funk, ou por causa da letra e tal. Mas quem recrimina uma música que diz “ela só quer beijar, beijar, beijar..”, deveria também recriminar o “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga, quando cantava “ela só quer, só pensa em namorar..”. Dá na meeeeeesma, meu povo. É tudo moça fogosa!!! O que muda é apenas a linguagem musical, o estilo, mas o que se diz é a mesma coisa. E antes que falem mal do Roberto por estar cantando com o Leozinho, atentem para o que há de mais importante (porém, mais implícito) nisso: a música de massa, essa que vemos aí, essa música de periferia (seja a periferia que nos remete às favelas, ou seja a periferia intelectual), é que mais dialoga com o povo, com esse povo grande, brasileiro, iletrado. Estabelecer esse diálogo com essa camada da população (que os cabeçóides tentam ignorar, mas ela existe) é dizer NÃO a um apartheid cultural/intelectual que muitas vezes vigora nesse mundo artístico. Viva o funk de periferia, abaixo a hipocrisia (e também a baixaria).

É isso, meu povo. Por hoje é só.

03 dezembro 2006

?

"pois eu estou aqui.. sou esse ar que você vai respirar.. " (Nando Reis)


eu hoje sou um pobre moço. arrefecendo, se esvaindo. a cada sílaba do que digo, transbordando de ternura, e de um amor tímido, porém gigante; mas tendo que derramar toda a água fora, tudo o que sinto pelas pessoas; na fugacidade delas me perco, me desagrego, me desconstruo. causa-me profunda infelicidade perceber que não se pode sentir, que não se pode deixar-se sentir. será que é pecado fazê-lo (o sentir)? ousá-lo (o sentir)? será que é pecado deixá-lo (o sentir) passear pela pele, pela alma, por todas as possibilidades de estar feliz quando se está com alguém? há algo de errado nisso? não quero apenas minutos, ou algumas simples horas de trocas de beijos e carícias, conseqüências de apenas “um clima”. não quero ter que sempre ouvir isso. o mesmo discurso vazio de sentido, efêmero. não quero que sejamos atores de histórias fugazes, de relações descartáveis. queria que o término de um dia não fosse, simplesmente, o fim das coisas. queria que os pálidos sorrisos de mera simpatia não fossem apenas inevitável opção de reencontro forçado, quando, na realidade, o reencontro deveria ser sempre um recomeço de tudo, uma nova busca pelo outro, e não uma premeditada distância, por medo, por egoísmo, por incapacidade de amor, por racionalidade exacerbada. não queria ter que desencontrar os olhos, fingir solidez, frieza, austeridade.. e eu pergunto: qual o erro que existe em estar-se pleno e deixar-se sentir? será que há algo de errado em demonstrar o que se quer, se sente, se deseja e se tem vontade? por que coisas tão puras, tão simples, tão belas, devem ser omitidas, como forma de demonstrar uma falsa segurança, apenas por uma artimanha como parte de um jogo estúpido, idiota, que não diz respeito a nada do que eu procuro? por que as pessoas se escondem atrás de um muro instransponível de insensibilidade? quero, sim, sentir, encantar-me, apaixonar-me, amar, desejar, isso tudo sem medidas e sem medo de dizê-lo, de mostrá-lo ou fazê-lo, e sem ter que me adequar a jogos. quero poder abraçar.


o que há de errado comigo? estou cansado de sempre ter que ser saboreado como um deleite de um dia qualquer, tão mundano e efêmero. não quero ter que mendigar atenção, mas não quero também ter que mostrar uma força viril apenas para impressionar ou mostrar-me dono de uma situação. que danem-se todas essas regras. não quero banalizar isso. não quero banalizar esse jogo medíocre da mera conquista estimulada pela agitação dos ferormônios por um patético acaso da sorte ou pela possibilidade de ter que “me dar bem hoje, pelo menos hoje”. sinto uma revolta (e uma decepção enorme) em ver o quanto temos que aprender a nos adestrar, a nos adequar a isso. eu não me acostumo com essas regras espúrias desse jogo. e isso é um jogo? pois, no jogo, para um ganhar, outro deve perder. isso é justo? é justo ter perdedores? é justo cada ostentar para si mesmo tamanha vaidade de, no jogo da conquista, ter sempre que se sair bem? quanta tristeza há nisso. quantos corações se machucam quando seria muito mais fácil deixar-se tocar o rosto, tocar a alma. minha doçura se esfacela, perde o fôlego, não mais se sustenta. ela é, para grande maioria dos jogadores, uma idiotice sem cabimento, uma empolgação desmedida e insensata. se sou insensato por sentir plenamente (pois só assim acredito que a vida vale a pena) e dar-me o direito de viver isso, de me entregar como ser humano que sou, que essa minha insensatez faça sempre parte do cardápio de todo o dia, que seja saboroso, que agrade ao paladar de quem quiser, junto comigo, também se lambuzar do mel da vida, de arriscar-se, de se jogar afoitamente na tara do amor, da paixão, dos encantamentos, dos afetos. pois tudo isso é vida, é amor, é paixão, é encantamento, é afeto, não apenas um jogo. isso é vida.

ando vivendo emoções demais ao mesmo tempo. desculpem-me.

29 novembro 2006

palavras & amor



Para ler ouvindo Now That I Now, by Devendra Banhart
Download através do link:
http://rapidshare.com/files/5388730/01-devendra_banhart-now_that_i_know.mp3.html

.. e os poemas, todos, cicatrizaram em sua língua.nada mais eram a não ser feridas, túrgidas, acariciando sua pele, suas fúteis e libidinosas ousadias. sua volúpia multiplicava-se infinitamente por muitas mil; ele acreditava ser possível conquistar pessoas e mundos com míseras palavras. quão vil era o propósito, todos pensavam. Mal sabiam que através dessas palavras, através de cada uma delas, ele era um pouquinho mais feliz e distanciava-se cada vez mais do mundo e das pessoas, para poder morrer em paz, tranqüilo.



Cometi agora esse pequeno texto acima. Assim, de sopetão, de repente. Veio-me de uma vez só. Ando um tanto quanto à flor de pele. Talvez, se visse algum beijo na novela, choraria. Quem sabe eu até chorasse por um punhado de amor. Mas não. Mendigar sentimentos é para os fracos. Mas isso não quer dizer também que eu me basto. Não tenho essa empáfia. Não ainda. Fui aprendendo a não ser estúpido a ponto de acreditar que migalhas alimentam um coração tão voraz e sedento quanto o meu, e também aprendi a não me desesperar por tais migalhas. Se vier o amor (quando digo amor, refiro-me a todo e qualquer tipo de sentimento que denote afeto, respeito, carinho, bondade, etc.), que seja de forma natural, porque aí sim, é verdadeiro, é puro, é terno, pleno. Trocando em miúdos (e surrupiando o nick de uma conhecida minha): “não trate com prioridade quem te trata como opção”. Dizendo assim, de forma mais concisa, curta e grossa.

O texto lá de cima fala, em poucas linhas, de uma espécie de refúgio (e até de alívio) que busco nas palavras para poder ficar mais em paz comigo mesmo. Decepcionado com a forma como as pessoas vêem e levam a vida (principalmente no que diz respeito ao amor, amizade, respeito ao seu próximo), me entorpeço através do que escrevo. É uma sensação de torpor alegre, feliz, suave, satisfeito, felicidade intensa. Distante das pessoas e mais próximo de mim, amo cada vez mais, e fico mais tranqüilo. Aprendi a não chorar por migalhas, mas não perdi o que há de afeto voraz e sedento em mim. Quero amor 24 quilates, com pedigree... felicidade e, quem sabe, um pouco mais até.



momento literário, celebrando o amor:

LUGAR DE SE VER

ela trazia borboletas no nome,
e um traço que há muito não se via
1 nome de porcelana,
pintado de giz.

e eu, nas asas delas, borboletas
saboreava o cheiro, o torpor,
selecionava por entre os dedos [talvez eles,
, pequenos e tímidos,
fossem a única coisa que as tocavas nesse momento]
suas mucosas, que se delineavam
por mim,
e por elas mesmas;
quantas delas denotavam mais de mil sabores
por entre as papilas de minha língua?

ela, naquele lugar de se ver,
me abordava, sucintamente,
queria apenas 1 beijo
e eu só pude lhe dar
o meu pequeno amor.

...

mocinho de bons modos sou eu.

20 novembro 2006

Sabe-se lá, Deus..


“eu sou o herói, só deus e eu sabemos como dói” (Caetano Veloso)

.. ou o diabo até!!! Tudo de mim e mais um pouco. Agora dá pra falar, agora sim.

Meus queridos.. mudar de casa é mudar de mundo, sabia? Mas fugindo um pouco desse sentido concreto, geográfico da coisa, pensemos um pouco mais profundamente sobre isso. A gente muda de mundo o tempo todo. Mudamos de freqüência, de vibe, de sentido, de percepção. Somos [in]constante mutação a todo tempo e a toda vista. Basta perceber-se todos os dias. A luz que bate na nossa cara de manhã cedo muda, passa o dia mudando, até virar escuridão. A nossa respiração muda, no descanso, no cansaço, no sexo, na masturbação (isso é solidão ou não?). Nossa intenção com cada coisa do mundo muda a todo instante. Nossa vista avista cada coisa diferente a todo instante, e se debruça sobre cada mínima molécula de tudo de um jeito diferente, novo. Nunca nada será a mesma coisa daqui a 1 segundo. Até o amor e o ódio se interceptam, em osmose, e trocam de lugar o tempo inteiro. Mudar de casa, gente, é apenas mais um movimento desses bruscos que fazemos durante nossa vida, por isso é mais perceptível e menos compreensível, pelo menos pra mim o foi.

Estou de casa nova, agora (meu coração ainda mora em todos os lugares onde me sinto bem.. apenas meu corpo habita novo espaço geográfico agora). A semana foi uma correria. Arrumando, organizando, resolvendo pendências de mudança.

Quero deixar aqui um agradecimento muitíssimo especial a uma moça linda e querida de minha vida: Luciana Cardoso, minha luz de luz de luz de luz que me ilumina; que me ligou durante toda a semana pra saber como estavam indo as coisas comigo. Sempre atenciosa, preocupada, amiga, linda! Fico feliz de ter você na minha vida, viu, minha amiga? Tem dias que eu penso o quanto respirar o mesmo ar que você me deixa mais alegre.

Depois disso, uma sexta-feira em que consegui desopilar.. fui ao meu querido e famigerado Bigode, sozinho. E, sem planejar nada, tive uma noite de ótimas surpresas e bastante agradável. Conheci gente nova, o que me faz bem. As pessoas me fazem bem, as pessoas que gosto de cara me fazem muuuuuito bem. Freqüentar pessoas e ser freqüentado por elas, na medida da nossa sensibilidade, isso é o que mais me dá tesão nesse mundo. E é isso que me faz respirar melhor. E existe uma comunicação bela nisso tudo. Sem pretensões, sem que se peça nada, a gente sorri e pronto, tá feito. O resto, o mundo nos permite de forma delicada.

Depois disso, também sem planejar, ligo para os amigos Lucas e Larissa (papai e mamãe da linda Gabriela) e proponho uma visita minha a eles.. isso em plenas 23h e alguns minutos.. eu falo com Larissa: “e aí? Rola eu ir ver vocês?” ela: “claro que sim”.. eu: “e se tiver cerveja?” ela: “melhor ainda”.. aí fui.. assistindo DVD de Lenine, João Bosco (imitando ele cantar, interessantíssimo, novíssimo.. hehehehe).. tirando fotos, tomando cerveja, comendo tira-gostos fenomenais que Larissa fez pra todos nós e conversando muito com Lucas (imaginem só.. dois músicos conversando, o que sai, né? O papo é música, música, música, música.. o tempo inteiro.. hehehehe). A noite foi tão boa que passou rápido: amanheceu e eu ainda estava por lá.

...

Amiguinhos, momento divulgação: VILA NOVA TAMBÉM ESTÁ NO YOUTUBE!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!! Os moços da Comuna têm feito um trabalho interessante com o “pós-tudo-tropicalista”, Jomard Muniz de Britto. Bricolagens de vídeos do dito cujo, com a voz do próprio recitando textos seus, estão entrando no ar no youtube, com produção de Ricardo Maia Jr. No segundo vídeo, JMB em Comuna 2, uma percussão feita por esse que vos fala, Leonardo Vila Nova, dá o ar de sua graça. É um derbak que surge por duas vezes no vídeo (olhem nos créditos finais, meu nome está lá).. Estou negociando com Ricardo mais alguns batuques meus nos próximos trabalhos (inclusive, estou fazendo isso agora.. hehehehe).. Como eu disse a ele mesmo, já me ofereci todinho, abri as pernas que nem uma puta, basta agora a “gang” da Comuna se sensibilizar com o meu pedido e a gente dialogar com essas coisas de novo.. e mais dedinhos nervosos de Vila Nova em parceria com a Comuna poderão surgir por aí.

Aí vai o link do vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=o7JDzjLf_JE

Divirtam-se com as ousadias “semânticas-visuais-astrais-pré-e-pós-e-ultra-tropicalistas” de Jomard Muniz de Britto.

(ouvindo Uai-Uai (Revolta Queto-Xambá 1832), by Tom Zé)

12 novembro 2006

Mudança


o rouxinol sai de um ninho para o outro
aquele antes, donde tudo dele estava,
se desfazendo, vai ficando para trás
com tudo o mais que ele viveu..
restos de plumas, alimentos,
e também um pouco da pueril nostalgia;

o rouxinol, que era tão pequenino,
um dia teria que ir-se
para, sozinho, voar mais alto
as pernas bambas, vôo desengonçado
nem parece mais aquele rouxinol tão valente
que inflava o peito e cantava liberdade
agora, tímido, titubeia, ressente-se por medo
por não conhecer ainda o mundo que há do lado de fora

um salto apenas
para o futuro, para esse gigantesco tudo
superfícies impalpáveis de vida,
uma vida, assim, tão nova
cada instante tão intenso
movimentos contínuos de asas,
vontade de ir mais longe,
envergaduras que o sustentam no ar
esse ar que agora respira tem outro sabor
um misto de receio e novidade
e tudo muda ao redor
tudo se molda em conformidade com a vida
contra a qual sempre se rebelou, com tanta doçura
e também tão arredio, como bicho do mato
tão escondidinho no seu ninho
vida nova, ninho novo
vôo alto, ar tão denso
respiração agitada
e o rouxinol, sem pressa,
prepara as asas e a coragem
para voar ao outro ninho
e cantar cada vez mais alto
o canto da vida inteira.

06 novembro 2006

Estou aqui de passagem...


"Eu não sou da sua rua.. eu não sou o seu vizinho.. eu moro muito longe, sozinho.. " (Branco Mello/Arnaldo Antunes)

De que tamanho é o tamanho do amor de um homem transitório? Será que isso pode ser mensurado? Até que ponto esse amor pode trazer-lhe felicidades, e, ao mesmo tempo, profunda tristeza? Ou será que além desse homem, os próprios momentos que ele vive também são transitórios, e não passam apenas de momentos?

Questionei-me isso nesses últimos dias depois de ter que experienciar novamente uma sensação de amor, mas que, ao mesmo tempo, me ardia em feridas aparentemente cicatrizadas. Senti mais uma vez aquele velho sabor das lágrimas que escorrem dos olhos e passa pelos lábios. O mesmo sabor daqueles dias em que eu vivi um grande amor, e também grandes dores (talvez as maiores que já senti em minha vida).

Diante disso, tomar uma decisão: enfrentar esse mesmo amor novamente, suscetível a despertar conflitos cada vez maiores, apenas pelo fato de ser um sentimento tão puro? ou prezar pela minha integridade emocional, sentimental e psicológica, afastando de uma vez por todas todos os fantasmas, todas as dores (o que significa afastar de mim esse amor), tentando fechar as cicatrizes?

Imaginem que essa decisão tinha que ser tomada numa conversa, algumas horas de confissões, lágrimas, tendo como trilha sonora um repentista que versava sobre o amor, tendo como ambiente aquele Recife Antigo, tão lindo e ao mesmo tempo tão sombrio, com a escuridão de sua noite, como esse velho amor. Eu resolvi abdicar dele por não agüentá-lo mais, por sofrer com esse sentimento tão lindo, mas que me fez chorar tanto. Uma resolução muito difícil, dolorosa, mas necessária.

Acreditem, meus amigos: a força do amor não é tão grande como assim a imaginamos. Digo isso com plena convicção (com uma certa ponta de decepção também). Mas juro que se isso fosse verdade, hoje eu seria alguém mais feliz. Ao lado de alguém que seria também feliz, caso quisesse.


Mas diante disso, acredito que, independente de toda a tristeza que esse passado possa ter causado, eu tenho hoje um coração ainda mais aberto para o hoje e o amanhã. E é isso que importa.

...

Amigos. Não se preocupem mais. A moça que falou comigo no show de Nando Reis se identificou. A minha campanha de busca logrou êxito rapidinho. No dia seguinte ao post eu já tinha a “revelação”.. hahahaha.. O nome dela é Adrielle. Chegou até o meu blog através do meu amigo Fábio Fernando Diniz, um moço muito alto, que o que tem de grande tem de bom coração.

Ela me deixou um comentário, que resolvi não publicar, por conta do e-mail
dela que ela colocou, para não expô-la. Porém, pedi autorização a ela para que eu pudesse postar o seu comentário aqui no blog (omitindo o e-mail no caso); ela aceitou.

Ela disse o seguinte:

Como de costume, uma leitora assídua vem ao blog, começa a fazer sua leitura, chega a entrar em plena catarse e quando os sentimentos estão borbulhando, acontece algo magnífico, de uma plenitude inigualável.


Confesso que fiquei fascinada com o que li, pois não esperava essa ‘campanha’. Não por duvidar de você, mas essa ‘busca’ estava partindo de mim. E afinal de contas, a sensação foi tão surpreendente como o fato de te reconhecer em meio a tantas pessoas e por fim, acabar me apresentando a ti

O episódio da sexta foi tão repentino, que nem pensamos numa possível troca de contatos. Acredito que no meu inconsciente estava guardada a possibilidade de ter o endereço do teu e-mail disponível no perfil. Tanto é, que essa foi a primeira atitude que tomei pra te encontrar, mas não foi bem sucedida. Logo após, tentei pelo nosso amigo em comum: Fábio (“aquele que é desse tamanho?” – de quem foram essas palavras?); mas não obtive resultado. Já tinha decidido deixar um comentário aqui no blog me identificando, mas você foi mais ágil e conseguiu um resultado instantâneo. Sua campanha foi bem sucedida, pois terei o maior prazer em manter contato com você!

O nome da sua leitora/fã/cidadã, tão procurada é Adrielle e o endereço do e-mail é: (----------)

Aguardo pelo contato!

=]"

Bonito, né, gente? Fico feliz com essas coisas.


Poréééééém, começo aqui outra campanha.. hahahaha.. uma moça chamada “Manu” já fez uns dois comentários nesse meu blog. Muito elogiosos também. Só que eu não sei quem é essa Manu. Das que eu conheço, duas afirmaram não ter comentado nada, e as outras nem sequer sabem da existência desse blog. Então, gostaria que essa Manu se identificasse. Dissesse quem é, através de que (ou de quem) conheceu o meu blog, etc e tal. Mesmo procedimento. Basta se identificar que eu entro em contato.

Bem, pessoas..

Por hoje é só.

(ouvindo Mingau de Cachorro, by Sa Grama)